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me mais perenne do que o bronze, e mais duradouro do que os sete milagres do Mundo, Porem a nossa gratidão he que tem de levantar um Monumento a si. Tem sido o costume de todas as Nações antigas, e modernas levantarem Estatuas por occasião de grandes acontecimentos, ou que se julgão dignos de serem com memorados. O Senado de Lisboa levantou uma Estatua ao Senhor D. José I. Já um Illustre Deputado mostrou a grandeza do feito do Senhor D. Pedro IV, muito superior ao do Senhor D. José I. Convem mais que a Camara observe que o Ministro do Senhor D. José I, quando emprendêo aquelle Monumento, linha o Reino soffrido grandes calamidades. O Terremoto de Lisboa: a Guerra, e Invasão do Reino em 1763 pelos dous Chefes da Casa de Bourbon, reunidos paia lançarem fora do Continente da Europa a Augusta Casa de Bragança; o mesmo Plano, que em tempos subsequentes executou Napoleão Buonaparte, mas cuja originalidade não foi delle. Apenas o Ministro do Senhor D. José I vencêo os varios e terriveis obstaculos, que empecerão a sua Administração, logo sem maiores recursos se levanta urna Estatua ao Restaurador de Lisboa; e nós não teremos meios, para erigirmos um Monumento de gratidão ao Restaurador das nossas Liberdades! Na Emenda, que eu vou mandar para a Meca, apontarei o modo de se fazer semelhante empreza; e, pedindo a attenção da Camara para ella, não me quero persuadir de que tenha convencido a Illustre Commissão.

O Sr. Gaivão Palma: - Eu não tencionava fallar se não ouvisse ao ultimo Sr. Preopinante dizer que á custa de Subscripção, e do Thesouro Publico se levantasse uma Estatua em gratidão, e eterna memoria do beneficio da Carta Constitucional, que o Senhor D. Pedro IV nos outorgou. E como me persuado que nem este Monumento será do seu aprazimento, nem mesmo levará o seu renome á posteridade, por isso eu vou a expender as minhas idêas em sentido opposto. Sr. Presidente, por mais sólida, que seja a Estatua, ainda que construída de Mármore de Paros, ou Metal de Corintho, sempre será fragil o seu alicerce, pois nada resiste á voracidade dos Seculos. Aonde essas Estatuas colossaes de Rhodes, essas Columnas, e Arcos triumphaes, que a vaidade erigio á vaidade? Essas Pyramides, que nos desertos do Egypto parecião zombar dos ventos, e das estações? Tudo o tempo gastador consome; e terremotos, vulcões politicos reduzem a cinzas. E será Estatua de tal guiza, a que os Portuguezes erijão para levar á derradeira posteridade a Memoria do Rei Legislador? Quem fez estalar os ferros, que arrastavão mais de tres milhões de Portuguezes, e levantou do túmulo a Patria agonisante, com enorme perda de regalias, terá o mesmo reconhecimento que quem restaurou á custa dos Bens da Nação uma parte desta Capital derrubada em 1755? (Apoiado, apoiado.)

Mas quando mesmo a Estatua preenchesse o fim de ser, como a eternidade, duradoura, será da approvação, agradará a Sua Magestade? Sr. Presidente, pompas estereis, que apenas tem valor na imaginação, só podem lisonjear genios mediocres, almas fracas. Quem repartio com duas Camaras a Magestatica Funcção de Legislar mal poderia agora gostar de fantasmas: Quem abdicou realidades não se congratula com balões aerostaticos, com fogos de artificio, que só por momentos encantão a vistá: Quem na verdura de seus annos, em que as paixões são mui vivas, e a de dominar mais seductora, demitte grande massa de seus Direitos em favor da Nação, sem que esta mesma lhe supplicasse: Quem, num momento de atribulação da pungente dor pela fatal noticia do falecimento de Seu Augusto Pai, se dedica a resgatar a Patria, poderia agora de bom grado lisonjear-se com uma Estatua? E muito mais (notar, Senhores), e muito mais elevada á custa do Thesouro? Um Rei que, para ser eminentemente Grande, até faz reluzir em todos os seus Actos domesticos a mais prudente, e severa Economia, não folgará, vendo applicar os fundos da Nação para uma Obra fastosa, ao passo que observa a Patria sobrecarregada com enorme Divida.

Um Coração tão sensível aos males, que experimentâmos, não se comprazeria com Estatuas, que demandão grandes despezas, ao passo que Reformados, e Viuvas delles, centenares de Empregados, e Credores do Estado, reclamão, como Acto de Justiça, a satisfação do que se lhes deve: ao passo que estâmos em uma viva lucta contra degenerados Portuguezes, e não está em dia a Folha militar (apoiado, apoiado). Pelos mesmos principios não approvará Sua Magestade o arbítrio da Subscripção; a que recorrêo o Illustre Preopinante, porque, apezar de denominada voluntaria, para certa cathegoria de pessoas será um Tributo directo, para se pôrem a coberto da mordacidade do Publico; esquivando-se a subscrever. Não seria mais da approvação do Soberano que se abrisse tal Subscripção a pró de estabelecimentos de geral interesse, ou de tantos miseraveis; a quem a idade, ou molestias cruzão os braços para não mais ganhar o pão, que os deve alimentar? Estabelecido pois que a Estatua nem sempre leva á posteridade a memoria de grandes feitos, nem mesmo está em harmonia com os desejos do Monarcha, peço licença para lembrar á Camara qual por sólida, e conforme ás vistas do Soberano lhe devemos levantar. Appliquemos, Sr. Presidente, os nossos desvelos na consolidação, e observancia da Carta; para que vegete, e fortifique este nascente arbusto. Contenhão-se as Camaras nos limites, que lhes são prescriptos.

O Governo fazendo causa commum corri ellas, obrando de acôrdo, mostre ao Publico que he um. Corpo compacto, e que só rivalisa em quem melhor ha de preencher suas importantes Funcções. Eis a Estatua, que devemos levantar. Os Magistrados, e mais Agentes das Authoridades secundarias (deixando da ser Agás) zelem, tornem effectivas as garantias do Cidadão, seja este obediente á Lei; eis a mais polida, e sumptuosa Estatua, que podêmos erigir ao nosso Libertador, e o mais rico penhor da nossa gratidão. Só ella pode eternisar a sua Memoria, fazendo-a voar de geração em geração. Cada pômo que nossos descendentes colherem desta frondosa arvore da Liberdade, lhes fará lembrar quem foi aquelle Rei, que a plantou; quem foi o Moysés, que do alto do monte nos entregou as Taboas da Lei. He assim, e não de outro modo que se pode, que se deve immortalisar o Nome excelso de Sua Magestade o Senhor D. Pedro IV. (Apoiado, apoiado.)

O Sr. Girão: - Sr. Presidente, os meus vôos são mui rasteiros á vista da empolada eloquencia dos Srs. Deputados, que me precedêrão a fallar; e temo de não podêr fazer os devidos elogios ao melhor dos So-

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