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DIARIO DA CAMARA DÓS SENHORES DEPUTADOS

que impedia completamento o desenvolvimento das nossas colonias ora a escravatura.

Como queria alguem que os capitães que ganhavam 1:000 por cento e 2:000, fossem empregar-se no desenvolvimento das colonias? Os capitães, como já disse, não têem coração, não têem sentimento, não têem patria; vão buscar, quem lhes dá mais.

Desde que isso acabou, fomos vendo prosperar constantemente as colonias; fomos vendo prosperal-as gradualmente; assistimos a este levantamento do seu nivel moral, das «nas condições economicas e da sua riqueza publica.

E deu-se esse levantamento pelos esforços que todos os governos têem empregado, que esta lei tem conseguido realisar, o que devemos por todos os modos tratar de desenvolver.

Mas, depois da escravatura, e conjunctamente ainda com a escravatura, as nações que tinham colonias, empregavam as grandes companhias que tinham direitos magestaticos no desenvolvimento d'essas colonias. Era a economia politica do tempo. Não temos que nos queixar d'isso, porque essa doença affectou todas as nações que tinham colonias. Essa doença affectou a Inglaterra, a Hollanda, a França, que tinham companhias poderosas, que tinham força publica, que tinham navios, que tinham tudo.

Essas companhias, hoje, não podem existir, nem lêem rasão do ser; essas companhias não existem hoje na maior parte das nações que as tiveram antes de nós.

Nós não podemos ter companhias magestaticas para irem para Moçambique;.para Angola seria tambem impossivel, porque está em um grau de grandeza que diversifica muito do estado de Moçambique. Se nós não podemos cultivar por nossa conta, nem explorar, devemos necessariamente procurar a industria particular, e convidal-a por estes meios a que ella venha exercer a sua actividade e acção em favor do desenvolvimento publico. E se nos empenharmos n'essa questão, parece-me que bem mereceremos da patria. (Apoiados.)

Declaro que estou bastante fatigado. Teria muito que dizer ainda, porque esta questão é importante debaixo de todos os pontos de vista, e interessa altamente o paiz e sobretudo os representantes d'elle.

De bom grado continuaria a fazer mais considerações a este respeito; mas termino, porque não posso mais. E peço á camara que me releve e ter-me alongado tanto n'este assumpto.

Vozes: — Muito bem, muito bem.

(O orador foi comprimentado por muitos srs. deputados e alguns dignos pares que estavam na sala.)

(s. ex.ª como de costume, não reviu este discurso.)

O sr. Mariano de Carvalho (para um requerimento): — Requeiro a v. ex.ª, como ha tempo requereu o meu collega o sr. Sousa Machado, a proposito da questão da Guine, que não haja preferencia na palavra sobre a ordem á palavra sobre a materia, e que portanto se mantenha a inscripção.

N'este sentido mando a seguinte

Proposta

Proponho que se mantenha a inscripção, não se distinguindo outra palavra sobre a materia e sobre a ordem, pelo que respeita a precedencia. = Mariano de Carvalho.

Foi admittida.

O sr. Freitas Oliveira (sobre o modo de propor): — Tinha pedido a palavra sobre o modo de propor, porque considerava o requerimento do sr. Mariano de Carvalho como um verdadeiro requerimento; porém, elle pede que v. ex.ª conserve a inscripção, não preferindo a palavra sobre a ordem á palavra sobre a materia, e como eu havia pedido tambem a palavra sobre a ordem, tinha de explicar-me antes de se votar o requerimento.

Não pedi a palavra sobre a ordem para preterir os meus collegas, como se fez na questão da Guiné, em que differentes deputados pediram a palavra sobre a ordem, para fallarem uns antes dos outros, e isto por um mero capricho.

Pedi á palavra sobre a ordem, porque tenho que mandar para a mesa uma moção, e dito isto respeitarei a, resolução da assembléa......

O sr. Adolpho Pimentel (sobre a ordem): — Mando para a mesa uma proposta, que tem por fim manterem-se as disposições do regulamento com respeito á inscripção dos, oradores n'esta discussão.

E a seguinte:

Proposta

Proponho que se mantenham as disposições do regimento na presente discussão. = O deputado, Adolpho Pimentel.

Foi admittida.

O sr. Barros e Cunha (sobre a ordem): — Declaro a v. ex.ª que não quero de maneira alguma perturbar a ordem do debate, nem preterir nenhum dos deputados que desejam fallar n'esta questão; mas pedi a palavra sobre a ordem, porque tinha uma moção para apresentar, o alem d'isso tinha obrigação de acudir em defeza do gabinete, de que tive a honra de fazer parto, o qual foi aqui citado ácerca de uma concessão que fizera; mas desisto completamente da palavra sobre a ordem, e fallarei, ou não, n'esta questão, sem que por isso, nem o publico, nem eu, percamos grande cousa.

O sr. Presidente: — Eu considero como proposta o que o sr. deputado apresentou como requerimento, e conside-ro-o assim, porque é para a alteração de uma disposição do regimento.

Os srs. deputados que approvam a proposta apresentada pelo sr. Mariano de Carvalho tenham a bondade de se levantar.

. Foi rejeitada a proposta.

O sr. Presidente: — Fica prejudicada a proposta mandada para a mesa pelo sr. Adolpho Pimentel. Mantem-se a ordem da inscripção.

Tem a palavra sobre a ordem o sr. Freitas Oliveira.

O sr. Freitas Oliveira (sobre a ordem): — Eu pedi a palavra sobre a ordem para apresentar uma moção o defendel-a, mas sendo eu favoravel á concessão feita ao sr. Paiva de Andrada, não me compete fallar em seguida ao sr. presidente do conselho.

Recuso, portanto, tomar agora a palavra, mas tomal-a-hei depois de fallar algum sr. deputado por parte da opposiçâo.

O sr. Presidente: — Por deliberação da camara mantem-se a inscripção.

Os srs. deputados que estavam inscriptos sobre a ordem oram os srs. Barros e Cunha, que cedeu d'ella, Freitas Oliveira, Manuel d'Assumpção e Rodrigues de Freitas.

O Orador: — Eu não estou fazendo censura a v. ex.ª, estou explicando um facto.

Quando estava faltando o sr. presidente do conselho pediu a palavra sobre a ordem o sr. Barros e Cunha, e eu inscrevi-me em seguida tambem sobre a ordem para apresentar uma moção; desde que o sr. Barros e Cunha desistiu, eu fallo depois de outro sr. deputado da opposiçâo.

Vozes: — Deu a hora. O sr. Presidente: — Peço ordem. Tem a palavra sobre a ordem o sr. Manuel d'Assumpção.

O sr. Manuel d'Assumpção: — Eu tinha podido a palavra sobre a ordem depois de se inscreverem os srs. Barros e Cunha e Freitas Oliveira, para alcançar ensejo do dizer alguma cousa que desejava, e combater idéas que fossem contrarias ao meu pensamento.

Não tenho que combater o que disse o sr. presidente do conselho; e n'este caso espero que outro orador o combata, para eu então me inscrever,

Sessão de 10 de março de 1879