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SESSÃO N.° 48 DE 20 DE ABRIL DE 1900 7

O sr. Teixeira de Sousa: - E o sr. ministro da fazenda?

O sr. Paulo Falcão (sobre a ordem): - Como não está presente o sr. ministro da fazenda, não sei se v. exa. quer que eu falle na sua ausencia. (Apoiados.)

O sr. Presidente: - Eu não sei se o sr. ministro da negocios estrangeiros se dá por habilitado para tomar parte na discussão.

Vozes da esquerda: - Ora! ora!

O sr. Ministro dos Negocios Estrangeiros (Francisco Beirão): - O governo está representado n'este momento, e por isso creio que não ha rasão para que a discussão se interrompa. (Apoiados.)

O sr. João Franco: - Parece uma falta de consideração.

O Orador: - Eu não digo que seja uma desconsideração pessoal porque nada valho; mas é uma desconsideração pessoal para com a opposição parlamentar.

O sr. Presidente: - V. exa. dá-me licença?

Parece-me que da parte do sr. ministro dos negocios estrangeiros não houve a menor idéa de desconsideração para com v. exa. Pela minha parte eu tinha a cumprir o regimento, que diz poder continuar a discussão de qualquer proposta, embora da iniciativa de outro sr. ministro, quando algum dos membros do governo, presentes, se declarar habilitado para tomar parte na discussão. Tendo eu consultado o sr. ministro dos negocios estrangeiros, s. exa. declarou-se habilitado.

N'estas condições pergunto aos srs. deputados, que me pedem que interrompa a sessão, se tal posso fazer? (Apoiados da direita.)

Uma voz da esquerda: - Nem está presente o sr. relator.

O sr. João Franco: - V. exa. permitte-me uma pequena interrupção?

O sr. Presidente: - Sim, senhor.

O sr. João Franco: - Se o sr. ministro da fazenda tenciona comparecer á sessão e v. exa. tem d'isso conhecimento não vejo inconveniente em continuar a sessão; mas se s. exa. não vem, comprehende v. exa. que a discussão não póde continuar.

O sr. Presidente: - Eu não tenho noticia de que o sr. ministro da fazenda venha ou não á camara.

O sr. João Franco: - V. exa. póde informar-se.

O sr. Presidente: - Supponho que s. exa. vem porque não tenho noticia de resolução em contrario.

O sr. João Franco: - Uma discussão d'esta natureza não póde continuar sem a presença do sr. ministro. O contrario nunca se fez. (Apoiados da esquerda.).

O sr. Presidente: - Nós não podemos continuar n'este dialogo.

Uma voz da esquerda: - E o relator?

O sr. Presidente: - Acaba de me constar que o sr. ministro da fazenda vem em caminho da camara.

O sr. Luiz José Dias: - Na ausencia do sr. Eessano Garcia a commissão de orçamento encarregou-me de desempenhar o cargo de relator no projecto em discussão.

O Orador: - Eu não pergunto pelo relator, mas sim pelo sr. ministro da fazenda.

Pedia a v. exa. que interrompesse a sessão até chegar o sr. ministro.

O sr. Presidente: - Eu não infrijo o regimento por indicações de ninguem. (Apoiados da direita.)

O proprio deputado, sr. João Franco, que ocunpa uma posição proeminente n'esta casa, foi o primeiro a dizer que se eu tinha noticia da vinda do sr. ministro da fazenda, a discussão podia continuar.

O sr. deputado que está no uso da palavra póde continuar, e no caso contrario, dou a palavra ao sr. deputado que se segue na ordem da inscripção.

O Orador: - Eu não quero violentar o meu mandato, mas vejo-me quasi na necessidade de desistir da palavra.

O sr. Marianno de Carvalho: - V. exa. póde conversar um bocadinho a proposito da exposição de Paris. (Riso.)

O sr. Paulo Falcão: - Submette-se ás indicações do sr. presidente, e lê a seguinte

Moção de ordem

A camara, estranhando que o governo não tenha apresentado as contas da administração financeira das gerencias da sua responsabilidade, e venha propor, em vez do orçamento, um rol de gastos e imposições, sem conta nem equilibrio, affirma que o para não só não póde com mais impostos alem dos que soffre actualmente, como precisa da ponderação e restricção dos actualmente existentes, e passa á ordem do dia. = Paulo J. Falcão.

Continuando, diz que é em nome do povo que falla n'este momento tão critico para a honra nacional, em resultado dos acontecimentos que ultimamente se têem dado.

Confia em que o povo ha de um dia desaggravar e desaffrontar o paiz das consequencias que a politica nefasta dos srs. ministros da fazenda e dos negocios estrangeiros lhe podem acarretar; e por isso, appella para o sentimento popular, n'este momento em que se trata da questão de fazenda, porque esta e a questão internacional andam intimamente ligadas.

E não comprehende que, quando a opinião publica accentua cada vez mais a importancia da questão mais grave que temos tido nos ultimos tempos, o governo trate da questão de dinheiro e se recuse a responder sobre uma questão de honra nacional.

As questões de fazenda e internacional, repete, andam ligadas, porque, quando lá fora se disser que somos um povo que não mantem a linha de conducta que se deve manter para com as outras nações, o nosso descredito, já grande, ha de augmentar consideravelmente.

Cumpre-nos, sem duvida, zelar a nossa fazenda, mas ainda mais a nossa honra.

Folga de ver entrar na sala o sr. ministro da fazenda, e vae por isso restringir-se mais á questão financeira.

Não acompanhará os srs. deputados da maioria no caminho que seguiram, quando analysaram, tanto a melhoria economica que se realisou no anno anterior e na parte decorrida do anno presente, como a pequena subida dos fundos publicos.

Não foi, segundo o proprio relatorio do sr. ministro da fazenda, a administração de s. exa. que. produziu essa melhoria economica; foi esta que facilitou a administração de s. exa. e salvou o paiz dos desastres a que ella podia dar logar.

Quanto á subida dos fundos, essa foi muito pequena; e elle, orador, está propenso a acreditar que será passageira. Alem de que, segundo a opinião de economistas notaveis, muitas vezes póde uma alta d'esta natureza não representar uma melhoria.

Lê em seguida o orador algumas passagens do livro publicado em 1896 pelo sr. ministro da fazenda, querendo com ellas mostrar que o procedimento de s. exa., como ministro, contrasta com o que então escreveu com relação á regularidade das contas e á remessa para a camara de documentos elucidativos, que s. exa. então preconisava, faltando, por isso, os elementos necessarios para se avaliar a administração financeira.

Segundo a constituição e as leis, o orçamento deve sair da camara equilibrado; e todavia elle apresenta um deficit.

Para fazer face a este deficit, propoz s. exa. novos impostos, mas esaas propostas, se não estão retiradas, estão por agora postas de lado. E assim, o primeiro elemento com que s. exa. conta para equilibrar o orçamento, é a remodelação dos impostos existentes.

N'uma pagina inteira do relatorio do sr. ministro, encontra elle, orador, mais em evidencia um confronto que