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DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS 663

das associações mais importantes, que entendem roestes negocios (apoiados).

Como é possivel que só pretenda que este governo tenha força para resolver as difficuldades desta situação, quando os proprios amigos fazem sobressair a incapacidade do governo pela analyse das suas propostas?

Eu não comprehendo isto. Não comprehendo a situação de homens, que criticam aã propostas do governo em pontos essenciaes e que acham nisso motivo para apoiarem e sustentarem o mesmo governo! (Apoiados,) Também não comprehendo que o sr. ministro do reino, declarando-se solidario para o caso do voto de confiança da camara, julgue que ha meio algum do quebrar essa solidariedade, que se possa sem ferir todo o governo atacar as propostas financeiras, e substituir o Sr., ministro da fazenda sem que elle arraste na sua queda todos os seus collegas, pelos principios da solidariedade ministerial, que proclamou o sr. ministro do reino (apoiados).

Estas propostas financeiras! que dimanaram do ministerio da fazenda, são de responsabilidade ministerial (apoiados), são altas questões do estado, o não são meras questões de expediente, e portanto todas estas censuras que se dirigem aos projectos do governo são censuras que vão cair sobro a cabeça do sr. ministro do reino e de todos os ministros (apoiados).

Esta opinião de que o governo não corresponde á sua missão, de que não a sabe desempenhar, e que não póde satisfazer á expectativa publica, não sou eu que a indico: é um jornal que sempre tem apoiado este governo. Permitta-me a camara, e o sr. ministro da fazenda que não gosta da leitura dos jornaes e que por isso os não lê, com o que não sei só se accommoda o sr. ministro da marinha que é um jornalista distincto e que foi este um dos titulos com que subiu áquelle logar, permitia me o sr. ministro da fazenda, digo, que eu leia o conceito que forma do governo e da sua falta de capacidade para corresponder às necessidades publicas, o que diz o Jornal do commercio do dia 29 de junho em artigo datado de 28:

"Mas, quando um pais se acha num completo estado de nação politica, porque os partidos vivem na roais completo apathia, quando mesmo não ha partidos que trabalhem pela conquista de algum principio novo na sua constituição, quando, emfim, reina uma paz podre, se por ventura os governos vacillam, se nelles não ha a confiança necessaria, se hesitam a cada passo, se os seus actos têem o cunho da imprevidencia, certo é que ha um vicio organico nesses governos. Não lhes faltam as condições exteriores para bem dirigirem os negocios publicos, porque ha ordem, e as opposições são desanimadas, e todavia conhece-se a sua fraqueza e a previsão da sua queda anda sempre no espirito publico."

Aqui está o modo como o Jornal do commercio, de Lisboa, que é um jornal illustrado e insuspeito, tem apreciado este governo e esta situação politica, o que prova que no publico se não acredita que elle possa desempenhar a sua missão (apoiados).

Sr. presidente, quando um governo quer pedir tributos ao paiz, e necessario que mostre pela sua gerencia e pelos seus actos que e digno da confiança do paiz.

Pelo que toca às economias, já vimos um sr. ministro ostentar que se têem feito na importancia de dois mil e tantos contos, e eu hei de mostrar, em presença do orçamento, que ellas se reduzem a menos da decima parte, porque, depois de deduzir daquelle algarismo as sommas que dizem respeito aos emprestimos que foram consolidados, as deducções feitas nos vencimentos dos empregados publicos, e as verbas tiradas às estradas e obras publicas, as economias ficam reduzidas a muito pouco (apoiados).

Por outro lado, como ainda hoje se provou exuberantemente, as economias são de mais a mais absorvidas por uma gerencia financeira infeliz, inhabil e ruinosa (apoiados).

S. exa. diz que se não responsabilisa pelo que dizem os jornaes, mas quando elles são de amigos do governo, e estão todos os dias a propagar noticias que tendem a fazer ver que a marcha deste governo é incerta e incoherente, o que não revela gravidade e seriedade da parte dos srs. ministros; quando todos os dias nesses jornaes se diz que apparece novo empréstimo e que lá partiu novo agente; quando se diz que se quer dar de novo o monopolio a uma empreza por meio de um golpe d'estado, e a este respeito já hontem o sr. Dias Ferreira se dirigiu ao sr. ministro, e s. exa. não respondeu; quando se indica o nome dos agentes e até se especificam as condições, como vieram no Diario popular, que tem sempre apoiado esta situação; quando n'essa operação intentada, em que se indica o nome do agente, se diz que elle havia de levar uma commissão de 1 por cento para tratar o negocio com individuos que estão em Lisboa, juntos ao governo, e até na camara alguns; mesmo na commissão de fazenda, por exemplo, como é o respeitavel capitalista, o sr. Seixas, que todos conhecem que é um dos directores mais importantes da companhia o fabrico do tabaco de Xabregas; quando se diz no publico...

O sr. Cortez: - V. exa. faz favor de repetir as palavras que proferiu em relação á commissão de fazenda, porque não as ouvi.

O Orador: - Dizia eu que, quando ha indivíduos que estão em contacto cem o governo, e até alguns formam parte da commissão de fazenda, que são directores d'essas companhias com quem o governo póde fallar com toda a facilidade...

O sr. Ministro da Fazenda: - Peço a v. exa. a bondade do apresentar uma copia d'essas condições de que acaba de fallar, porque desejava ve-las.

O Orador: - Vem no Diario popular.

O sr. Ministro da Fazenda: - Eu queria uma cousa assignada por mim.

O Orador: - O que eu desejava era que v. exa. me dissesse formalmente que não é exacto o que se publica e o que se diz a este respeito.

O sr. Ministro da Fazenda: - Mas não é.

O Orador: - Mas diz-se que v. exa. encarregara um empregado da alfandega de tratar deste negocio; isto vem publicado na Correspondencia de Portugal e no jornal do Commercio do Porto cita-se o nome do agente e logo depois o referiu o Diario popular.

Agora pergunto a v. exa. se tudo isto é inventado e falso; se v. exa. nunca tratou de negocio nenhum a este respeito, porque, a desmentir formalmente o que se diz, dou-me por satisfeito.

O Sr. Ministro da Fazenda: - Lembrei-me de dar a mesma garantia por um emprestimo contraindo no paiz.

Já v. exa. vê que se tivessemos de dar uma garantia sobre hypothecas a uma companhia estrangeira, que admiração era que a dessemos às nossas companhias, se ellas estivessem habilitadas para isso? Mas v. exa. sabe perfeitamente as difficuldades que ha de fazer n'este paiz um emprestimo importante como aquelle que desejo contratar no estrangeiro.
Assim era difficil contrata-lo em Portugal, mas não se o não fôra e houvesse quem quizesse contratar, neste caso o monopolio não existia.

O Orador: - Já vejo que as informações dos jornaes, apesar de votados ao desprezo e depois do sr. ministro dizer que não significam nada e que os não quer ler, o que é de uma alta inconveniencia no governo representativo, porque este systema é todo de publicidade e discussão, nem sempre deixam de esclarecer, o sr. ministro, quando não tenha tempo para ler todos os jornaes, deve ter alguém para ouvir que lhe dê esses esclarecimentos.

Os srs. ministros devem estar informados do que se passa na imprensa, porque muitos boatos publicados pela imprensa, e principalmente por certos jornaes que se reputam mais