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vez disso, nunca se tinha estado mais longe da organisação financeira, eu em Janeiro de 1846 havia deixado já de defender o Governo por escripto: e o resultado do voto em globo de 1845, em vez de salvação, trouxe uma revolução seis mezes depois. Mas fosse como fosse, o certo é que a respeito da Imprensa tive sempre as mesmas idéas; e em 1843 quando o Ministerio apresentou uma Lei restrictiva, eu e um Collega meu fomos os dois unicos que em uma reunião de Deputados a combatemos; e mais tarde me oppuz a Emendas restrictivas da Legislação existente. Tal tem sido sempre o meu procedimento, e tal será actualmente, quando entendo que é offendido o uso da Imprensa.

O Sr. Gorjão Henriques: - Sr. Presidente, tenho de explicar uma parte do meu discurso, peço á Camara que dispense o Regimento, porque tendo sido julgada discutida a questão do methodo, não me chegou a palavra, e eu desejava não deixar em vigor as impressões produzidas pelo illustre Membro da Commissão que ultimamente fallou. Para me explicar terei de servir-me do extracto do meu discurso, que hoje apparece no Diario do Governo; porém declaro, que esse extracto, apezar de vir alli, não tão pigmeo como em outros Jornaes, está notavelmente defeituoso, e tomando-as no sentido de faltas de auctoridades, chamarei falsas a tantas frazes e dicções que se acham alli introduzidas sem serem minhas, á imitação das falsas Decretaes que Isidoro Mercador introduziu no Decreto de Gracianno (Hilaridade); e affirmando que essas faltas são eventuaes e podem ser commettidas por differentes individuos, que concorrem na publicação dos extractos, o que desejo é que o extracto appareça de modo que não apresente disparates, e nada mais peço a tal respeito.

Não explicarei o meu discurso, dizendo, por exemplo, que os Orçamentos tambem teem sido discutidos em globo, o que o Orador antecedente pareceu esquecer; não explicarei, porque lá está bem explicado no meu discurso, que entendo pela discussão na generalidade do Projecto não os luminosos discursos sobre Liberdade de Imprensa, e males que traz comsigo o abuso dessa Liberdade; isso está ha muito tempo discutido; mas que essa generalidade, no caso presente, póde, e deve versar sobre a necessidade e opportunidade desta Lei que se apresenta; questão em que eu já pronunciei a minha opinião na Sessão anterior; e sobre o que ha cousas que devem ser attendidas (Apoiados).

Não explicarei o meu discurso na parte relativa á minha Proposta - a terra lhe seja leve - mas o que não posso deixar de dizer de fugida, é que não póde comprehender-se em que acha o illustre Orador antecedente, que a discussão por artigos tira o nexo na collocação!! Pois se essa collocação é a boa collocação que a illustre Commissão entendeu, então a discussão que segue essa ordem de artigos, é tambem, sem duvida, bem collocada nos dictos artigos (Muitos apoiados).

Sr. Presidente, aquella parte do meu discurso, a que alludiu o Sr. Deputado, quando disse - que eu queria que a discussão durasse na Camara, em quanta durasse na opinião publica - no extracto da minha falla, que vem no Diario, mostrei que o Orador que me precedeu, não foi assaz generoso, porque devia logo accrescentar a applicação, que, desta maxima de todos reconhecida, apparece no mesmo discurso, applicando-se ao estado actual das nossas cousas (Apoiados).

Concluirei dizendo, que desejo, acceito, e agradeço a expressão dos sentimentos benevolos de que o illustre Deputado me affirmou estar animada a illustre Commissão a meu respeito; muito me ufano do merecer a estima da illustre Commissão, e de todos os Membros da Camara; e por isso assento que nenhuma prova maior lhes posso dar do meu reconhecimento, do que persuadir-me de que esta Camara não deseja forçar ninguem a ser automato, e a não raciocinar, e até avaliarão em bem a differença das minhas opiniões, em alguns pontos em que ellas se affastem das que expuserem, ora a Maioria, ora a Minoria (Vozes: - Muito bem, muito bem).

O Sr. Presidente: - O illustre Deputado fez uma allusão menos favoravel aos extractos que se publicam no Diario do Governo; e para que não se faça interpretação indevida, eu por parte da Mesa declaro, que a Mesa não tem ingerencia alguma nisto, porque ha na Camara uma Commissão composta dos Srs. Gorjão Henriques, Fontes de Mello, e Corrêa Leal, que é encarregada especialmente de melhorar a publicação dos extractos das Sessões. Se houve inexactições ou mesmo falsidades na conformidade da 5.ª disposição addicional, podia fazer-se a respectiva rectificação; e para que a publicação dos extractos seja fiel e verdadeira, á dicta Commissão cumpre propôr os meios ou tomar as medidas de sua competencia, porque a Mesa não tem nada com isso.

O Sr. Gorjão Henriques: - Peço a palavra.

O Sr. Presidente: - Sobre isto não póde haver discussão.

O Sr. Fontes P. de Mello: - Eu tambem peço a palavra por parte da Commissão.

O Sr. Presidente: - Já disse que isto não póde ser agora objecto para discussão; e por isso tem a palavra para explicação de facto o Sr. Rebello da Silva.

O Sr. Fontes P. de Mello: - Pedi a palavra para um Requerimento.

O Sr. Rebello da Silva: - Sr. Presidente, o illustre Relator apresentando aqui a larga defeza da Commissão, teve a bondade de me asseverar, que apenas tinha tomado uma só nota a algumas das observações que eu aqui havia lançado. Eu agradeço ao illustre Deputado o ter tomado sómente uma nota, mas peço licença para lhe dizer, que na verdade, essa mesma foi tão infiel, que me collocou logo na dura necessidade de dar uma explicação.

Eu não disse como o nobre Relasor da Commissão suppoz, que, na discussão do art. 63 da Carta, os defensores da constitucionalidade do mesmo artigo tinham andado com o chapéo na mão pedindo que lhes dessem votos, nem que tinham pedido com as mãos no peito, que os não desamparassem; eu disse, que se tinha appellado para o sentimentalismo, isto é, para os mais nobres impulsos que se conhece existirem no coração do homem; o que eu disse, foi, que julgava muito nobre, e muito honroso este facto, porque eu julgava o sentimentalismo uma nobreza á razão, e a mais alta apologia, que se podia fazer a um homem qualquer que tivesse raciocinio: por consequencia permitta-me o nobre Deputado lhe diga, que essa mesma unica nota que tomou, logo lhe foi infiel, porque eu não era capaz de dirigir aos illustres Deputados que combateram nessa occasião, ex-