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922 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

resulta que não tem rasão de ser o reparo do illustre deputado.

Muito pelo contrario, o sr. ministro das obras publicas tem conduzido por tal fórma, com tanta habilidade, este delicado serviço publico, que o importantissimo onus, que ha muitos annos sobrecarrega o ministerio das obras publicas, se encontra sensivelmente diminuido, e brevemente se poderá considerar arredada a crise operaria. (Apoiados.)

Hoje, repito, o numero de operarios, que era de 7:000, está reduzido a 5:000, e 2:000 estão trabalhando em Coimbra, Villa Fernando e n'outros pontos, fóra do districto de Lisboa.

O illustre deputado disse que tambem não sabia qual era a auctorisação que tinha o ministro para mandar proceder á construcção de um ramal do caminho de ferro de Tunis a Villa Nova de Portimão.

Este reparo já tinha sido feito anteriormente pelo sr. Mello e Sousa, accusando até o ministro de ter feito dictadura n'este ponto.

É preciso que esta asserção seja levantada.

O sr. ministro das obras publicas não fez dictadura. (Apoiados.) O governo fui auctorisado a construir esse ramal do caminho de ferro pelo artigo 18.° da carta de lei de 3 de setembro de 1897, que diz o seguinte.

(Leu.)

Portanto o sr. ministro estava legalmente auctorisado a mandar construir este ramal do caminho de ferro; não fez dictadura, nem precisava fazel-a para este fim.

Aquella obra é importantíssima, indispensavel e aconselhada por todas as rasões de uma administração verdadeiramente economica e proficua. Não é um esbanjamento, não é um capricho, não é uma illegalidade; é uma medida sensata, util, de grandes beneficios para o paiz e perfeitamente ajustada á legislação vigente.(Apoiados.)

Quanto á verba eliminada no orçamento da despeza extraordinaria para construcção e reparação de estradas, que tanto afflige o meu illustre collega, devo dizer-lhe que essa eliminação é provisoria, que o sr. ministro das obras publicas pretende restringir as despesas n'este capitulo á verba de 500 contos de réis do orçamento ordinario, calculando que as receitas creadas palas propostas de lei, já apresentadas á camara pelo nobre ministro da fazenda, lhe facultarão meios precisos para occorrer a alguma despeza extraordinaria, imprevista, ficando por esta fórma mingoados ou desfeitos os sustos do meu amigo e collega Pereira dos Santos.

Não iremos cair no systema do completo abandono das reparações de esteadas ordinarias, como aconteceu em 1891 e 1892; o governo acha-se regularmente precavido contra este facto deploravel e sem possivel justificação, que, de certo, se não repetirá.

Vou agora responder a umas observações que, a proposito dos ministerio da fazenda, marinha e justiça, foram feitas pelos srs. deputados Reymão e Ferreira de Almeida, com relação ás escolas industriaes.

O sr. Ferreira de Almeida não vê bem qual tem sido a utilidade das escolas industriaes, e é necessario que o paiz conheça e a camara saiba que essas escolas têem sido de uma incontestavel utilidade. (Apoiados.)

N'uma estatistica publicada no relatorio, acompanhando uma proposta apresentada pelo nobre ministro da fazenda, encontra-se o numero de alumnos matriculados nas escolas industriaes. Basta dizer que, em numeros redondos, excede elle a oito mil.

Tirar oito mil rapazes, pertencentes ás classes inferiores da sociedade, das tavernas, das ruas e outros logares, onde certamente nada aprenderiam de bom e util, levando-os para as escolas profissionaes, é um facto que só por ai representa, não só uma obra de moralisação e educação, mas ainda uma medida de ordem publica. (Apoiados.)

Este facto é já de si muito importante, mas ha outros.

As escolas industriaes têem já produzido professores para o seu magisterio especial. Escolas ha em que a maior parte das officinas são já dirigidas por alumnos d'essas escolas.

Ha officinas estabelecidas, creadas e dirigidas exclusivamente por discípulos d'essas escolas, como, por exemplo, a de ceramica, em Vianna do Alemtejo; que está fornecendo os seus productos, abastecendo aquella zona alemtejana, creando e desenvolvendo uma industria nova.(Apoiados.)

Ultimamente foram embarcados a bordo de varios paquetes nacionaes seis conductores de machinas, todos elles filhos das escolas industriaes; e segundo as informações que tenho, porque sempre que posso acompanho, com prazer, os discípulos d'essas escolas, sei que o serviço d'elles é magnifico.

Com um succedeu um facto que tem uma certa actualidade, n'este momento, em que se está dando o sangrento conflicto entre duas nações. Tendo embarcado n'um navio mercante para Nova York, entrou ali n'um café, e, sendo tomado por hespanhol, levantou-se um conflicto gravissimo. Apesar do pobre rapaz declarar, conforme pôde, que não era hespanhol, não o acreditaram e aggrediram-n'o. Defendeu-se com todas as suas forças, mas, em presença da superioridade do numero, saiu gravemente ferido da contenda.

Regressou ha poucos dias a Lisboa, ainda bastante debilitado, mas livre de todo o perigo.

Repito, estes rapazes estão hoje a bordo de paquetes nacionaes, fazendo excellente serviço. E tanto isto assim é, que o sr. ministro da marinha, reconhecendo este facto e sabendo que nós não temos na nossa marinha de guerra e mercante conductores de machinas e que este trabalho é desempenhado por indivíduos estrangeiros, especialmente inglezes, s. exa. resolveu crear uma escola de conductores de machinas, o que é realmente de uma grande utilidade para o paiz, que póde dispensar o pessoal estrangeiro, dando trabalho a braços portuguezes.

Isto citei eu a respeito de uma escola industrial e muito mais poderia dizer de outras. Eu desejaria que os meus illustres collegas, que um pouco desdenhosamente fallam das escolas industriaes, se dessem ao incommodo de as visitar, principalmente uma, que é mais largamente dotada e que é superiormente dirigida por um cavalheiro de grandes aptidões - refiro-me á escola Marquez de Pombal, - e estou certo de que ficariam admirados e satisfeitos de ver como se ensinam ali as differentes disciplinas, formando uma educação profissional, toda pratica, muito substancial e bem orientada.

Ha pouco no arsenal do exercito um d'estes rapazes, discípulo da escola industrial, Marquez de Pombal, foi a um concurso e como é ainda novo foi quasi preciso que os directores d'este estabelecimento o impellissem a isso; n'esse concurso teve, em competencia, homens experimentados e de largo tirocinio.

Pois, sr. presidente, o rapaz foi o primeiro classificado! O illustre ministro da guerra conferiu-lho o logar e elle está hoje, com dezenove ou vinte annos, n'uma posição, para elle magnifica, percebendo bom ordenado e honrando a escola que o educou.

Como este facto ha muitos. E a proposito direi que o ministro da guerra que antecedeu o actual, e ainda bem que é um colega nosso do outro lado da camara, que não communga nas nossas idéas políticas e portanto insuspeito nas referencias que eu vou fazer, direi que o sr. conselheiro Moraes Sarmento tinha encarregado a escola Marquez de Pombal de um importante numero de encommendas, que todas foram satisfeitas com uma perfeição e uma economia extraordinarias.

Ha poucos dias, eu tive necessidade de mandar fazer 180 albuns para collocar marcas commerciaes e indus-