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SESSÃO DE 23 DE MARÇO DE 1888 875

Era sua opinião que as nações pequenas, ou não deviam ter diplomacia, ou deviam ter uma diplomacia muito habil, para não acontecer o que tinha acontecido ao sr. ministro dos negocios estrangeiros.
S. exa. tinha sem duvida muito boa vontade, e era trabalhador como poucos; mas antes não trabalhasse, porque as suas negociações eram sempre infelizes.
Com a concordata todos sabiam o que tinha acontecido; das negociações com a Allemanha e com a França tinha resultado perda de territorio no sul da Africa e na Guine, e agora a respeito das negociações com Zanzibar já se dizia que estavam em campo desairoso para Portugal.
Conclue, repetindo que mandaria para a mesa o seu requerimento se o sr. ministro declarasse que não teria duvida de apresentar á camara os documentos a que já se referiu.
(O discurso será publicado na integra, em appendice a esta sessão, quando s. exa. o restituir.)
O sr. Ministro dos Negocios Estrangeiros (Barros Gomes): - Respondeu ao orador precedente.
(O discurso será publicado na integra, em appendice a esta sessão, quando s. exa. o restituir.)
O sr. Presidente. - Passa-se á ordem do dia. (Sussurro.)
Vozes da esquerda: - Não póde ser.
O sr. José de Azevedo Castello Branco: - Requeiro a v. exa. que consulte a camara sobre se permitte que eu diga duas palavras em resposta ao sr. ministro dos estrangeiros.
O sr. Presidente: - Não tenho duvida em a consultar; mas lembro que já se devia ter entrado na ordem do dia. (Apoiados.)
O sr. Arroyo: - Peço a v. exa. que consulte a camara sobre só permitte que fallem todos os srs. deputados que estavam inscriptos.
O sr. Presidente: - O que vou é consultar a camara sobre se permitte que use da palavra o sr. José de Azevedo Castello Branco, como s. exa. pediu, para responder ao sr. ministro dos negocios estrangeiros.
O sr. Arroyo: - A consulta deve ser uma relação a todos os deputados inscriptos.
Pois o sr. ministro dos estrangeiros póde fallar perto de tres quartos de hora, o aos deputados que estão inscriptos nega-se a palavra?! (Apoiados da esquerda.)
O sr. Marçal Pacheco: - Peco a palavra para um requerimento.
O sr. Presidente: - Não ha palavra para requerimentos antes da ordem do dia, (Apoiados.) Vou consultar a camara sobre o pedido do sr. Azevedo Castello Branco.
O sr. Marçal Pacheco (sobre o modo de propor): - V. exa. diz que não ha palavra para requerimentos antes da ordem do dia - e todavia o que v. exa. vão propor á resolução da camara é um requerimento do sr. José de Azevedo Castello Branco.
Vozes da direita: - É um pedido, não é um requerimento. (Apoiados.)
O sr. Marçal Pacheco: - Então faço eu igual pedido em relação aos srs. deputados que estão inscriptos.
O sr. Arroyo: - É o pedido que eu já fiz. (Susurro.)
Vozes da esquerda: - Fazemos igual pedido.
O sr. Presidente: - Consulto primeiro a camara sobre se consente que o sr. José de Azevedo Castello Branco use da palavra.
Vozes: - Falle, falle.
O sr. Presidente: - Em vista da manifestação da camara, tem o illustre deputado a palavra.
O sr. José de Azevedo Castello Branco: - Agradece a resposta do sr. ministro dos negocios estrangeiros e insiste nas considerações que ha pouco apresentou.
(O discurso será publicado em appendice a esta sessão, quando s. exa. o restituir.)
O sr. Presidente: - Passa-se á ordem do dia.
Vozes da esquerda: - Não póde ser.
O sr. Arroyo: - Se o sr. ministro dos negocios estrangeiros entendeu dever fallar por mais de meia hora, como quer v. exa. impedir-nos do fallar alguns minutos?
O sr. Presidente: - Vou consultar a camara sobre se permitte que use da palavra o sr. Arroyo
Vozes da esquerda: - Podem os que estão inscriptos.
O sr. Presidente: - Observo aos illustres deputados que são muitos os inscriptos.
Vozes da esquerda: - Deve ser concedida a palavra a todos que a pediram.
(Sussurro.)
O sr. Presidente: - Peço ordem. Eu vou consultar a camara sobre se deve passar-se desde já á ordem do dia, ou se devo continuar a dar a palavra a todos os srs. deputados que a pediram e pela ordem por que estão inscriptos.
Vozes da direita: - Não é isso, é sómente com respeito a tres.
O sr. Marçal Pacheco: - São apenas tres os deputados que pedem a v. exa. a, fineza de consultar a camara; são os srs. Arroyo, Antonio Candido e eu.
O sr. Presidente: - E os outros srs. deputados inscriptos desistem da palavra?
Vozes: - Desistem.
Consultada a camara resolveu-se que fosse concedida a palavra aos tres srs. deputados que a tinham pedido.
O sr. Presidente: - Tem a palavra o sr. Arroyo.
Uma voz: - Vae fallar até ás seis horas.
O sr. Arroyo: - Não fallo até ás seis horas, podem estar socegados; e não o faço porque não costumo fazer obstruccionismo. Se ha obstruccionismo vem elle das cadeiras do poder. A camara acaba de ver que em resposta a umas simples considerações feitas pelo sr. José de Azevedo Castello Branco, o sr. ministro dos negocios estrangeiros não duvidou usar da palavra por mais de meia hora, e parece-me que, sendo destinada apenas uma hora para a discussão dos diversos assumptos antes da ordem do dia, demorar-se s. exa. na sua resposta mais de meia hora, é coarctar aos deputados o seu direito, (Apoiados.)
Não vou, portanto, fallar até ás seis horas; desejo simplesmente responder, em breves considerações, á parte do discurso do sr. ministro dos negocios estrangeiros, em que s. exa., com ares ironicos, improprios d'aquelle logar, e sobretudo das responsabilidades gravissimas que lhe incumbem, das enormes responsabilidades que pesam sobre s. exa. pretendeu responder ás accusações severas, mas justissimas do sr. José de Azevedo Castello Branco.
Serão breves, repito, as considerações que tenho a fazer; antes, porém, de usar da palavra para o fim para que a tinha pedido, permitia-me a camara uma observação.
O sr. ministro dos negocios estrangeiros declarou que não queria antecipar a remessa dos documentos sobre o aprisionamento do Kilwa, e eu digo que a opposição parlamentar tem direito a exigir que o sr. ministro as envie a esta camara, e que s. exa. tem o restricto dever de não recusar essa remessa immediata, porque o ponto de que só trata é uma questão finda que nada tem com as questões que só succederam. (Apoiados.)
Tambem o tratado de 1884 estava ligado á conferencia de Berlim e o sr. Barros Gomes, então deputado da opposição, discutiu aqui esse tratado, emquanto a conferencia se reunia na capital do imperio allemão. (Apoiados.)
Portanto, s. exa. furtando agora indevida e injustamente á apreciação parlamentar todos os documentos relativos ao aprisionamento d'aquelle navio de guerra zanzibariano, falta ao seu dever. (Apoiados.)
(Susurro.)
Se a maioria pretende agora usar d'esse novo plano, conversar emquanto eu fallo, creiam que não me confundem. Tenho voz vibrante, e assás vigorosa para se fazer