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DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

competentes direitos de mercê. (Ríso.) Este meio seria mais facil e menos prejudicial. Em vez da corrupção eleitoral bastaria a nomeação no Diario do governo. A candidatura ministerial foi sempre tida como boa pratica e bom costume, e largamente executada.

- Mas disse ainda o sr. Luciano de Castro: «O governo de que eu fizer parto não quer o auxilio das auctoridades, porque lhe basta o auxilio dos seus amigos.»

Ainda a resposta do governo actual é a mesma.

O sr. Luciano de Castro querendo ser justo, e ainda que não o quizesse ser, tinha do reconhecer que o actual governo não foi a Freixo de Espada a Cinta; que aquellas correrias de cavallaria não foram commandadas pelo sr. ministro da guerra; que aquelle auto do abandono não foi lavrado pelo sr. Sampaio; que o arrombamento da uma não foi feito pelos dois ministros reunidos. Portanto, a sua declaração póde conduzir ao mesmo resultado. Este systema que nos offerece o sr. Luciano do Castro póde ser o mesmo que foi feito e posto em pratica pelos amigos do governo na localidade a que nos referimos. A esses amigos 6 que os governos costumam entregar a auctoridade local: depois essa auctoridade reclama que geme debaixo de grande violencia, que precisa que lhe mandem força, que a ordem está em perigo, e o governo julga não ter remedio senão annuir ao pedido que as auctoridades lhe fazem; depois praticam-se violencias e o governo vê-se obrigado a acceitar a responsabilidade e a defender as auctoridades pouco mais ou menos como os partidos organisados que se julgam obrigados a defender os excessos e illegalidades de grupos de qualquer localidade, quando trabalham em seu favor nas eleições. '

Eu exponho isto, não como censura, mas simplesmente como desejo de concorrer para se mudar de systema, porque sem a mudança de systema não conseguimos cousa alguma.

O que é necessario não é só deixar o paiz eleger livremente, o que é já muito mais do que deixar eleger os seus amigos.

E preciso forçar o paiz a eleger bem e á desenganar-se do que a eleição geral não é uma feira onde cada circulo ou cada influente vá negociar ou vender o seu voto.

A maioria dos circulos está habituada a este mercado, e ha do sentir que elle seja supprimido. O remedio ha de vir do governo, se vier a tempo.

E preciso que o governo não queira fazer os deputados. E indispensavel que não compre por' mais e melhores que sejam as offertas de venda. Recuse todas as eleições a troco de livramento de recrutas, a troco da dispensa do pagamento de contribuições, a troco de moratorias para o pagamento d'essas contribuições e muitas vezes a troco de dinheiro e de outros generos.

Acho muita graça que, continuando este systema, um partido qualquer imagine a possibilidade de governar bem um paiz que está habituado, não a eleger, mas a negociar eleições por esta fórma.

E a minha admiração redobra para com aquelles que imaginam a possibilidade de governar bem em systema republicano.

Um paiz costumado a eleger d'esta maneira, em monarchia representativa, como elegeria elle em republica?

Eu quero ser justo quanto possivel com todos os governos, com o actual tanto como com os anteriores. A verdade é que elles cedem mais cio que provocam a corrupção geral.

Se qualquer partido pensa que, sondo governo, póde reformar radicalmente este paiz, eu respeito a sua opinião, embora me pareça illusão.

Muito mais que ser governo desejaria eu, que a maioria dos circulos do paiz se propozesse a eleger, com perfeito conhecimento de causa, deputados que conhecessem e em quem tivessem plena confiança; o que os reelegesse quando, quinze dias ou um mez depois, voltassem ao suffragio do paiz, porque a dissolução era inevitavel.

Com uma maioria assim parecia-me facil obter governo excellente, e mesmo transformar em governo util estes ou outros ministros.

Mas com o systema actual e com maiorias eleitas por taes meios, e por um paiz que quer eleger assim, todos os governos são talvez impossiveis para o bem, o as maiorias são, sem differença muito sensivel, todas muito approximadas de um excesso de perfeição, que v. ex.ª imagina e eu escuso de deixar mais vivamente retratada.

E a minha opinião.

O sr. Rodrigues de Freitas: — Requeiro a v. ex.ª que mande ler na mesa a lista dos deputados inscriptos para antes da ordem do dia.

Leram-se na mesa os nomes dos doze srs. deputados inscriptos a quem não chegou a palavra.

O sr. Rodrigues de Freitas: — Eu era o primeiro inscripto. Muito bem.

O sr. Presidente: — A ordem do dia para ámanhã é a continuação da que estava dada, e mais os projectos n.ºs 77 o 81.

Está levantada a sessão.

Eram quasi seis horas da tarde.

Despeza feita com as obras dos tribunaes militares no campo de Santa Clara

“Ver Diario Original”

Sessão de 17 de março da 1879