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950-H DIÁRIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

Lotação dos navios de guerra portuguezes

[Ver tabela na imagem]

N'estas 4:050 praças não conto, como a camara viu, com os 120 homens mandados ultimamente para Angola, creio que para fazer serviço em terra; e ainda que elles não fiquem ali permanentemente, este facto prova que devemos estar prevenidos com um reforço não de 120 homens, mas de 300 ou 400 para outra occasião análoga, e tudo nos leva a crer, que havemos de ter necessidade muito frequente de lançar mão d'estes meios.

Nos 4:050, não está ainda comprehendida a gente necessária para render o pessoal dos navios que permanecem muito tempo nas estações, que e quasi todo.

Devia haver mais 1:500 para render o pessoal dos navios que está fora do Tejo, para não acontecer como acontece actualmente, que a guarnição de um navio que chega hoje, vae daqui a pouco guarnecer outro navio que vae partir. Os desgraçados nem tempo têem de refazer a saúde, necessariamente deteriorada.

Portanto aos 4:050 acrescentados os 120, que ha pouco indiquei, e aos 1:500 por render; somma 5:670 praças o minimo que devia ter a nossa armada.

E bárbaro que cheguem os pobres marinheiros de uma viagem de África e sejam obrigados dahi a pouco a voltar para o mesmo sitio antes de restaurarem a saúde, necessariamente deteriorada.

As lotações dos navios, que indiquei, são as officiaes; mas é necessario notar que essas lotações estão já reduzidas ao minimo por falta de gente.

Para que se veja quanto as lotações estão já reduzidas, basta notar por exemplo a Bartholomeu Dias, que tem 212 praças com os respectivos officiaes, tendo sido a sua lotação de trezentas e tantas.

Todos sabem que, segundo a lei, os marinheiros devem estar dois annos fazendo serviço nas nossas colónias, e que no fim d'esses dois annos devem ser rendidos.

Isto, porém, não acontece, e demoram-se lá mais tempo do que a lei os obriga; mas o mais grave não é isto, o mais grave e que, a maior parte das vezes succede, que chega um navio e parto logo outro, o os marinheiros que tenham chegado de África, doentes e anemicos, partem immediatamente, porque não ha pessoal para guarnecer o navio que vae partir, e para isto é necessario desguarnecer o navio que chega. (Apoiados.)

Não é raro os nossos marinheiros estarem três annos na África, e chegarem ao Tejo, demorarem-se poucos dias, e partirem logo para o mesmo porto donde regressaram.

Os allemães não consentem que os seus marinheiros estejam mais de um anno em climas tropicaes, e mesmo quando um ou outro pede para continuar, por se dar bem, não lhe consentem para se não definhar.

Alem das causas que todos conhecem, a que acabo de apontar, é a mais poderosa para originar a reluctancia que