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tre Deputado tinha pedido a palavra para lançar algumas suspeitas sobre as declarações dadas, e eu pela minha parte também tenho algumas declarações a fazer.

O Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiro» : — E a cuidei, Sr. Presidente, que não era necessário dizer mais a respeito da questão dos Batalhões; o que disse o Sr. Presidente do Conselho e' assaz explicativo; não haja medo qus se pertenda adiar esta questão, para se fazer renovar outra vez: o Ministério concorda na retirada do Projecto dos Batalhões, e assim ficará descançada esta anciedade, esta inquietação de animo que tanta gente tem tomado: e acabando com este negocio que por incidente veio, cm quanto a mim, eu declaro a V. Ex.a e á Camará que tinha pedido a palavra para apresentar o Relatório do Ministério a que eu pertenci, sobre a questão diplomática da Navegação do Douro: tive a honra de dizer ern uma das Sessões passadas que este Relatório eslava prompto, e na verdade o estava ; mas não o pude trazer á Camará nessa occasiâo. Agora, se a Camará tivesse a paciência de o ouvir.....(oo*es: — mande-o para a

MêsaJ. Não o mando para a Mesa porque o desejo ler .....( Fozes : — leia , leiaj.

(Q Sr. Ministro leu o Relatório tôbre a questão diplomática da Navegação do Douro, que por ser muito longo não se imprime neste logar, e publi* car~se-ha no fim d'uma das próximas Sessões).

O Sr. Gorjâo Henriques: — Sr. Presidente, por certo não desejaria eu dizer hoje cousa alguma sobre o objecto de que se Ira cio u autes do Sr. Ministro da Coroa, hoje dos Negócios Estrangeiros ler o seu Relatório , e desejaria mesmo conservar o meu silencio por muito tempo em tudo que po-desse dizer respeito ao rmto do dia, que é arecons-trucção do Ministério. Este era o meu propósito, e bem certo estou que o havia de desempenhar, se me não viessem, para assim me explicar, pisar o pé. Entretanto para não parecer insensível não posso dispensar-me de dizer, que pensava que quando alguém tivesse a fortuna de ir ao outro mundo e voltar a este , aprenderia por lá alguma cousa a bem do seu novo modo de viver; vejo porem .o contrario, e observo que S. Ex.a o Sr. Ministro da Justiça na sua curta viagem, q--ie fez aos campos Elisios, porque estou persuadido que na cúria pa-renlheses da sua vida ministerial sempre contou com a benriaventurança e ressurreição (hilaridade),. digo, que S. Ex.a nào passou o Lethes; e que Ministro novo ou ressuscitado nào expurgou as pai» xõe* do Ministro antigo; parecia-me que devia esperar que S. Ex.a se abstivesses (visto dizer que é um ente novo) de apresentar nesta Camará aquel-la mesma animadversão, que na sua primeira vida apresentou contra aquelles Deputados, que oraram e votaram contra os Batalhões, e que apresentaram tantas reclamações eontraelles, e isto tanto menos era de esperar na occasiâo, em que o seu chefe de Ministério, o Presidente do Conselho acabava de querer captar a benevolência da Camará (Apoiados). S. Ex.a disse que ainda que está convencido da utilidade dos Batalhões, cuja existência e creação somente tinham sido contrariados para pretexto de questão de partido , para opposi-çâo ao Ministério, e para fins bem differentes dos de utilidade publica, cedia comtudo por agora; VOL. 4.°— JirwHO —1841.

mas que bem certo estava de que esta instituição ainda havia de ser dezejada por toda a Nação; logo, S.,Ex.a, perdòe-me que lhe diga, fez uma of-fensa á Camará, ou pelos menos á sua maior parte, pois creio que ella votaria contra os Batalhões (Apoiado*); e além disso permitia-me eperdôi'-me que lhe diga, que deu muito fraca idéa da rigidez de princípios e estabilidade de convicções; porque se S- Ex.a entende que a creação dos Batalhões é útil, e que só fins sinistros obrigaram a tantas reclamações, parece que S. Ex.* não deve hoje, só para conservar-se no poder, indentificar-se com essa mesma opinião, que é a de seus novos Gol legas, e obrar contra a sua convicção (/ipoiaio); porém não me admiro disso, porque assim como tantos ha que apesar de detestarem a revolução de Setembro, abraçam de coração as suas consequências, a) que chamam legitimas, principalmente quando cilas lhe convém, pode muito bem ser que S. Ex.* agora, apesar de contrario á opinião, que esty-gmatisa os taes Batalhões, ache acertado abraçar-se cordialmente com as legitimas consequências dessa opinião publica (Riso — apoiado).

Mas, se S. Ex.8 por maravilhosa operação da sua nova encarnação, está convencido, como diz, de que a opinião publica rejeita tal instituição, como é que vem ao mesmo tempo fulminar desa-piedadamente o odioso sobre a Camará , que se mostra rendida a essa opinião publica, e aleivosamente dizer que em tal objecto os Deputados empregaram as suas delligencias para fins sinistros, e até acoimando a maioria da Nação d'ignorante e contraria a seus verdadeiros interesses? (Apoiado\ apoiado). Sr. Presidente, pela parte que me toca eu fui uui dos que oraram contra similhante instituição, e sou um daquelles que apresentaram muitas reclamações, porque entendi que o devia fazer, depois de consultar a vontade da maior parte dos meus constituintes, e porque entendi que a opinião publica se decidiu contra similhante creação, seja ella extemporânea, por se não darem as circums-cias, que demandam meios extraordinários, seja ella despótica e illegal por ser contraria á Lei Fundamental do Estado , seja o que for; um clamor geral se levantou contra ella por toda a parte , e ns Povos se pronunciaram devidamente, fazendo chegar seus clamores ale á Representação Nacional: e permiUa-rne S. Ex.a que lhe diga, que se sahisse da Capital, e fosse dar uru giro pelas terras das Províncias, veria em que estado eslava o negocio (Apoiados} j desenganar-se-hia que salvas algumas excepções de homens de boa fé, apenas, nas circumslancias de hoje, os que frigem, e que co-mem são os que choram a existência de taes Corpos, e tal é a antepathia, e animadversão dos Povos contra o Ministério, que exigiu tal instituição tão fora de opportunidade, que esse Ministério é proverbialmente chamado o Ministério Miliciano (Riso prolongado).

O Sr. Pretidente: — Tem a palavra o Sr. Eugênio d'Almeida.

O Sr. Rehel/o Cabral:—Eu tinha pedido a pa-vra para um Requerimento.....

O Sr. Eugênio d* Almeida : — Eu desejava fali ar sobre o assumpto, mas como ha um Requerimento, cujo fim é tirar-me a palavra, nesse caso queira

V. Ex.a conceder a palavra ao Sr. Deputado.....