O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

SESSÃO DE 21 DE JUNHO DE 1887 1339

cincoenta annos tem presidido aos destinos d'aquella gloriosa nação, e que no largo e dilatado periodo do seu reinado tem visto transformar o mundo pelas conquistas da sciencia, tem presenceado e podido presidir ao movimento extraordinario, que em todos os factos do desenvolvimento das relações humanas determinam as descobertas, que se ligam às applicações do vapor e da electricidade.
Essa soberana viu expandir o seu imperio e alastrar-se a sua população por toda a parte do mundo, assumindo proporções muitas vezes superiores áquellas, já de si tão vastas, que encontrou no principio do seu reinado.
Essa soberana e particularmente venerada n'este paiz, não só pelas relações de constante amisade e deferencia, que sempre soube manter para com a nossa familia real, desde o reinado de D. Maria II, com quem entreteve constantemente as relações da mais affectuosa sympathia, tradição esta que se tem seguido com os augustos herdeiros d'aquella senhora, como com respeito ao proximo parentesco entre os membros das duas familias reaes; o que tudo explica n'este, momento, com relação a Portugal, a presença dos herdeiros da corôa portugueza entre os principes, que a estas horas formam esse cortejo grandioso a que o illustre deputado alludiu, e que estará seguindo agora por entre milhões de seres humanos, das salas do palacio Buckingham para as abobadas históricas da abbadia de Westminster.
O governo faltaria, pois, ao seu dever se n'estas circumstancias se não associasse á manifestação d'esta camara, como já o fez na dos dignos pares, e juntando os seus votos aos d'aquelles que n'este momento se congratulam com a nação ingleza e com a soberana virtuosa e illustre, que durante cincoenta annos tem presidido aos seus destinos, e cujo reinado assignala na historia d'aquelle paiz uma pagina das mais brilhantes.
Vozes: - Muito bem, muito bem.
O sr. Consiglieri Pedroso: - Não tema a camara que eu, inspirando-me apenas na posição especial, que mantendo n'esta casa, venha lançar uma nota menos delicada ou menos primorosa sequer, na manifestação que vae fazer-se em homenagem á soberana de Inglaterra.
Pedi a palavra simplesmente para declarar a v. exa. que me abstenho de votar a proposta do illustre deputado o sr. Antonio Candido, por isso que no momento actual me parece inopportuno, para não dizer imprudente, estar a levantar tão alto a glorificação historica de um reinado cujo semi-centenario coincide com o dilacerar pungente, que ameaça hoje dividir, por tantos titulos, a illustre nação ingleza.
O sr. Antonio Candido referiu se ao cortejo de Principes e embaixadores que a estas horas acclamam a Rainha Victoria atravez das das de Londres embandeiradas em gala.
O sr. ministro dos negocios estrangeiros igualmente se referiu a esse cortejo pomposo e deslumbrante. Apenas ninguem se lembrou do pobre povo irlandez, que, como um protesto e uma queixa, está n'este momento reclamando a justiça que lhe é devida, e que de certo não encontra a sua expressão no bill coercitivo que o parlamento de Westminster agora mesmo discute!
Não quero n'esta occasião, sr. presidente, fazer politica para fóra das fronteiras do meu paiz. Sou republicano em Portugal e quando não possa associar-me a manifestações como esta, serei sempre respeitoso para com todo o acto de deferencia que se dirija aos representantes de estados amigos.
Se o sr. Antonio Candido se tivesse limitado na sua moção a uma homenagem pessoal á Rainha de Inglaterra, eu nada teria que dizer. Mas quiz fazer historia e pretendeu julgar a politica de um reinado. Ora a esse julgamento é que eu não posso dar o meu voto.
E note v. exa. que não é sómente no parlamento portuguez que se levanta um voz discorde, como a minha. Hoje mesmo o telegrapho acaba da transmittir-nos a noticia de que trezentos altos dignitarios da Inglaterra, incluindo muitos lords, recusaram o convite official para assistirem ao jubileu que se está a estas horas celebrando em Londres.
Quando assim procedem tantos illustres subditos de Sua Magestade a Imperatriz das Indias, não é muito que em Portugal haja quem se recorde da pobre Irlanda e proteste contra os seus injustos e injustificados soffrimentos.
O sr. Julio de Vilhena: - Associo-me inteiramente ao voto da illustre maioria representada pelo meu nobre amigo o sr. Antonio Candido.
Não é esta a occasião de discutir a politica interna da Inglaterra. Seria altamente censuravel que o parlamento inglez, em qualquer occasião, e maiormente quando celebrassemos uma festa, e que saudassemos o nosso soberano, fizesse a critica das nossas questões internas. Entendo, por consequencia, que não é este o momento, nem ha momento algum em que se possa justificar a interferencia do parlamento portuguez apreciando as questões internas da Inglaterra. (Apoiados.) E se não ha momento algum em que tal se possa fazer, muito menos o poderia ser este, em que por um dever de cortezia nos vamos associar a uma festa, a uma congratulação dirigida pelo povo inglez á sua soberana. (Apoiados.)
Considerando o parlamento portuguez como representante do paiz, não posso deixar de me associar no meu nome, e no dos meus amigos politicos á moção do illustre deputado.
A Inglaterra é desde longa data alliada de Portugal. Portugal não está, nem nunca esteve, sob o protectorado da Inglaterra; mas a politica de Portugal é hoje e ha de ser no futuro, para engrandecimento do paiz, uma politica essencialmente colonial, a politica da Inglaterra tambem o é essencialmente colonial e por consequencia, pelas aspirações e pelos interesses, ha uma perfeita communidade de idéas entre as duas nações.
Portugal é o alliado natural da Inglaterra, e por isso como representante do paiz e no exercicio das minhas funcções publicas, saudo tambem a soberana cujo jubileu se festeja.
Alem disso, nós somos essencialmente monarchicos e a esta hora o representante da monarchia portugueza, o Principe Real, representando tambem o paiz, acha-se prestando a sua homenagem de consideração á Rainha de Inglaterra.
Se o futuro herdeiro da corôa portugueza é o representante monarchico d'este paiz, e se o nosso paiz é essencialmente monarchico, parece-me conveniente que nos colloquemos ao lado do representante da dynastia de Bragança e que o acompanhemos tambem na saudação que n'este momento dirige á soberana de Inglaterra. (Apoiados.)
Em vista disto, em meu nome, como membro da opposição, o em nome de todos aquelles que me apoiam, associo-me inteiramente às palavras eloquentes do sr. Antonio Candido.
Vozes: - Muito bem.
Posta á votação a proposta foi approvada.
O sr. Presidente: - Parece-me que a camara concordará em que se dê conhecimento da resolução da camara ao ministro de Sua Magestade Britannica n'esta côrte. (Apoiados (geraes.)
Leu-se na mesa o seguinte:

PARECER N.° 113

Senhores. - A vossa commissão de verificação de poderes apresentou-vos na sessão de 16 de abril ultimo o parecer n.° 81, relativo á eleição do circulo n.° 18 (Alijó), e no qual concluiu pela nullidade dos actos eleitoraes sómente na assembléa primaria de Villa Chã.
Foi esse parecer approvado em sessão de 27 do mesmo mez, repetindo-se, por isso, a eleição n'aquella assembléa