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porque queremos para já mais algum dinheiro!! (Apoiados).
D´aqui a poucos dias, Sr. Presidente, faz um anno que desceu á sepultura um dos Portuguezes mais distinctos da nossa época, um desses poucos varões illustres a quem o immortal Duque de Brangança, estendia a destra nas angustias da Patria, em as agonias do Estado: esse illustre Politico fallando do Decreto para a abolição dos dizimos dizia em 1832 áquelle Principe - E Vossa Magestade Imperial, que presidiu ao debate do seu Conselho, e o esclareceu, não precisa de mais convencimento para fazer a Portugal um bem, que vale mais que todos os bens, que todos os Soberanos que o governaram, lhe tem feito - aquelle distincto Politico dizia aquella grande verdade áquelle Principe em 1832, e nós questionamos hoje, se aquelle Decreto deve ser revogado! O Sr. Mousinho da Silveira, que nos seus ultimos dias vivia quasi esquecido entre nós, mas a quem a posteridade ha de fazer justiça, o Sr. Mousitiho da Silveira poupou-se ainda aos mais pungentes desgostos, teve fortuna em morrer ha um anno (Uma voz: -retirou-se a tempo)! O Orador: - É verdade, foi feliz em não morrer mais tarde (Apoiados). Sr. Presidente, uma Lei que extinguiu o imposto mais injusto, mais desigual, mais excessivo e oppressor, o imposto que não era lançado no producto liquido, que não era pago por todas as classes da Sociedade, mas unicamente pela classe agricultora, par essa classe que produz as materias primas, e os objectos mais indispensaveis para a vida, e que principalmente entre nós deve merecer a mais seria attenção do Legislador, a fim de podermos concorrer nos mercados com as Nações estranhas; um imposto que não consistia em dez, mas que podia ser de vinte trinta, cincoenta, e mais por cento, conforme a maior ou menor fertilidade das terras, um imposto que tem esterilisado tantos povos, e com o qual tornariamos a ver inculto esse sólo abençoado, com que nos dotou a Providencia Divina; uma Lei que extinguiu um tal imposto, Sr. Presidente, não ha de ser revogada com a minha approvação; e espero e confio sinceramente que não ha de ser revogada com a approvação desta Camara (Apoiados) e espero e confio que os proprios Srs. Ministros se negarão obstinadamente a acceitar uma tal auctorisação. E note a Camara, e notem os Srs. Ministros, que gravissimos inconvenientes accarretaremos sobre nós com a adopção outra vez do imposto do disimo; como seria possivel obrigar agora os povos ao seu pagamento? Que despezas, que difficuldades seriam necessarias para a sua cobrança e Administração; eu estremeço, Sr. Presidente, quando considero os males que resultariam dessa adopção, sobre os quaes não insisto agora, porque o nobre Deputado que acaba de fallar, os ponderou por modo muito mais conveniente do que eu poderia fazer. Mas disse ainda ha pouco o nobre Deputado Auctor do Additamento - O imposto dos dizimos existe nos Açores com vantagem para o Throno e a contento dos povos; a contento dos povos, Sr. Presidente! Os povos dos Açores por suas Juntas, e por suas Camaras Constitucionaes representam ao Sr. Duque de Bragança, pedindo a extincção dos dizimos, o Sr. Duque de Bragança reconheceu a justiça daquellas Representações, e reduziu alli os dizimos a certos generos unicamente; não os aboliu inteiramente porque eram então o unico ramo da receita para o Thesouro, receita de que não era possivel o prescindir em tão apuradas circumstancias; mas prometteu de os extinguir tambem ali, logo que se estabelecesse um systema geral de contribuições para todo o Reino; esta premessa acha-se consignada no Relatorio do Decreto de 16 de Março, e no art. 2.° do Decreto de 30 de Julho de 1832; e nós agora, Sr. Presidente, em vez de darmos cumprimento áquella promessa, que devera ser sagrada, tractamos de extender tambem ao Continente do Reino esse flagello, que ainda opprime os nossos irmãos dos Açores, e de outras partes da Monarchia.
Eu lamento, Sr. Presidente, a tendencia que por vezes aqui tenho visto manifestar, para sobrecarregar de impostos a nossa producção agricola; e sem me referir pessoalmente a ninguem, a verdade é que se tem exaggerado a nossa actual riqueza neste sentido. Tem-se citado para prova da nossa riqueza a opinião de alguns Economistas que julgam um Paiz tanto mais rico, quanto nelle é mais baixo o preço dos productos; Sr. Presidente, eu respeito muito as theorias dos Economistas, sou pouco versado nessas theorias, mas sou-o bastante para saber que em Economia Politica existem ainda muito poucos principios fixos e determinados, e que raro é o principio estabelecido por um Economista a que não possa oppor-se um principio inteiramente diverso, estabelecido por outros. J. B. Say, por exemplo, segue a opinião de que a barateza dos productos indica a riqueza, e Dupont de Nemours com os discipulos de Quemay entendem que a opulencia consiste na abundancia com os preços altos.
Eu, Sr. Presidente, no meio de principios tão oppostos inclino-me á opinião de Mr. Ferrier, que não julga exactos nenhum daqueles principios, e que particularmente a respeito da opinião de Say, entende que a baixa dos preços sómente indica à riqueza, quando essa baixa é o resultado de melhoramentos nos processos do trabalho, em cujo caso ninguem dirá que se acham os nossos agricultores.
A minha opinião Sr. Presidente, é que as beneficas Leis do Senhor Dom Pedro produziram o resultado que hão podiam deixar de produzir: libertaram os homens, libertaram a terra; e a producção cresceu; mas o estado do nosso commercio externo, e interno, os nossos meios de communicação, e a falta instrucção na maior parte das nossas classes, acham-se em circumstancias tão desfavoraveis, que os productos valem muito pouco. Eu sei tambem, Sr. Presidente, que a população de um Paiz cresce ordinariamente em proporção da abundancia das producções, mas como esta abundancia é muito recente entre nós, e é proprio da natureza humana que um homem para o trabalho senão fórma de um anho para o outro; tambem resulta dahi que a mão de obra e o preço dos salarios senão acham ha maior parte das nossas provincias em a necessaria proporção, o que nos tem conduzido mui proximos a uma funesta crise (Apoiados). Esta é a verdade, Sr. Presidente, os illustres Deputados podem fazer os calculos que quizerem sobre a nossa riqueza, mas esses calculos não poderão de certo destruir a verdade deste facto.
Quando aqui vejo, Sr. Presidente, fazer algumas vezes calculos tão risonhos para mostrar a nossa grande riqueza actual, me lembra o que diz um Escriptor moderno descrevendo os diversos caracteres que se observam em os Parlamentos: entre esses caracteres