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DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS 1062

sidente; tomando pela primeira vez logar na camara, de pois da longa ausencia a que os illustres deputados acabam de se referir com palavras tão suaves e consoladoras, era minha intenção agradecer desde logo a v. exa. e á camara, o aos membros do governo que por mim se interessaram, a manifestação de sympathia que de todos recebi.

Tencionava agradecer desde logo não só esse carinho e essas consolações que recebi de todos os meus collegas, n'essa occasião, bem amarga da minha vida, mas tambem a homenagem realmente honrosissima que a camara me prestou n'uma manifestação collectiva, quando no periodo mais pungente da minha doença houve por bem mostrar de um modo frisante a sua estima e a sua sympathia por um dos seus membros.

Mas, foi grande a minha surpreza, sr. presidente, quando, ao entrar n'esta casa, vi que alem d'isso, alem dos favores já recebidos, ou tinha tambem que agradecer desde logo as palavras consoladoras e carinhosas que acabo de ouvir, que são injustas talvez, mas que revelam n'aquelles que as proferiram o mais nobre coração e o mais alevantado pensamento. (Vozes: - Muito bem.)

Foi grande, digo, a minha surpreza quando ouvi essas palavras com que foi saudada, sem eu as esperar, a minha modesta volta a esta casa.

Dos meus amigos politicos recebi sempre provas de affecto inolvidaveis.
Constantemente me trataram, não como camaradas mas como irmãos; e agora, pela boca de dois dos mais eloquentes oradores parlamentares, pela palavra vibrante do sr. Manuel d'Assumpção e pela palavra prestigiosa do sr. Arroyo, acabam de confirmar esses sentimentos fraternaes que eu nunca poderei esquecer. (Vozes: - Muito bem.)

Mas, sr. presidente, ainda não é tudo. Eu tenho tambem que agradecer, com profundo reconhecimento, aos meus adversarios politicos, áquelles a quem talvez, involuntariamente, tenho molestado algumas vezes nas lactas apaixonadas da politica, as palavras que me dirigiram e que provam a lealdade do seu caracter e a generosidade do seu coração. (Vozes: - Muito bem.)

Devo principalmente agradecer as palavras do sr. ministro da fazenda, o sr. Marianno de Carvalho, e ninguem como elle sabe, de certo, o que ha de sinceridade profunda n'este agradecimento.
(Sensação.)

Fez-me lembrar que houve um tempo na nossa vida, antes de nos lançarmos n'este campo tempestuoso da politica, em que apertámos fraternalmente as nossas mãos, não pensando um e outro senão no trabalho e no futuro.
(O sr. ministro da fazenda manifesta profunda commoção.)

Estimo que esse tempo como que resuscite n'este momento, e é por isso que me foram altamente agradaveis as phrases que s. exa. se dignou dirigir-me, esquecendo n'esta occasião as luctas asperas e vehementes que entre nós se têem travado. (Applausos geraes.)

E ao meu nobre amigo o sr. Carlos Lobo d'Avila?! A esse tambem eu mio posso deixar de agradecer penhoradissimo o ter-se lembrado de que tive a fortuna de lhe estender a mão no momento em que s. exa. entrava na vida com a aurora prestigiosa do seu grande talento, e o estender-me tambem agora a sua, saudando com a sua brilhante palavra a minha volta a esta casa. (Vozes: - Muto bem.)

Sr. presidente, peco a v. exa., que me desculpe perante a camara se mais cedo não agradeci as suas manifestações de sympathia. V. exa. sabe de certo, que houve um periodo da minha doença em que fui perfeitamente inconsciente; mal chegava ao meu quarto de enfermo, que foi durante alguns dias um quarto de moribundo, o echo do que se passava cá fóra. Nada sabia d'essas manifestações verdadeiramente commovedoras, que por toda a parte se levantaram e em que esta camara tomou parte de um modo tão captivador.

Só quando entrei em franca convalescença é que as conheci e por isso as não agradeci desde logo.

Mas agora peço que na acta se consigno este meu agradecimento, porque não queria de fórma alguma, que dos registos parlamentares só pudesse deduzir, que eu fôra ingrato á manifestação mais sympathica, mais nobre, mais commovente que tenho recebido na minha vida politica; e essa consolação suprema parte não só dos meus amigos e camaradas, mas dos meus adversarios politicos.

Sr. presidente; tão lisonjeiras o tão amaveis manifestações poderão ser injustas; mas correspondem ellas a uma qualidade, que me ufano de ter; e é a de que no meio de todas as luctas politicas, no meio de todas as paixões accesas, que por vezes têem illuminado as minhas palavras, nunca ficou no fundo do meu coração o mais leve sentimento de rancor contra áquelles com quem pelejei. (Apoiados geraes.}

É isto que me auctorisa a acceitar, sem protestar contra a sua injustiça, as palavras cordeaes e honrosas que recebi de ambos os lados da camara.

Vozes: - Muito bem, muito bem.
(S. exa. não reviu as notas tachygraphicas.)

O sr. Presidente: - Creio que interpreto os sentimentos dos srs. deputados de um e outro lado da camara, fazendo consignar na acta, que a camara dos senhores deputados sinceramente felicita o distincto parlamentar, o sr. Pinheiro Chagas, pelo seu estabelecimento, e acolhe com a mais viva e intima satisfação o seu regresso ao parlamento.( Apoiados geraes.)

Em vista das manifestações da camara, será lançada na acta esta declaração, assim como o agradecimento do sr. Pinheiro Chagas.

Vozes: - Muito bem.

Depois d'esta manifestação, interrompe se por um pouco a sessão e o sr. presidente acompanhado dos srs. secretarios, o sr. Marianno de Carvalho, unico ministro presente e quasi todos os srs. deputados, que se achavam na sala, dirigem-se, visivelmente sensibilisados, a comprimentar o sr. Pinheiro Chagas abraçando-o ou apertando-lhe as mãos. Distingue-se entre todos pelo seu estado de commoção o sr. Marianno de Carvalho a quem o sr. Pinheiro Chagas abraça afectuosamente e muito commovido.

Voltando a occupar o sen togar, o sr. presidente concede a palavra ao sr. Franco Castello Branco.

O sr. Franco Castello Branco: - Agora que de um o outro lado da camara os oradores mais eloquentes do partido regenerador e do partido progressista registaram devidamente os sentimentos de jubilo e de satisfação verdadeiramente caracteristicos do nosso temperamento meridional, exagerado mas bondoso e communicativo, não precisarei eu affirmar qual foi a intensidade da alegria e do prazer que senti ao ver entrar de novo n'esta casa o sr. Pinheiro Chagas, porque, em todas as occasiões que isso tem vindo a molde, sempre hei aproveitado o ensejo para manifestara admiração e sympathia que tenho por aquelle illustre membro do partido regenerador. (Apoiados.)

Já n'esta sessão legislativa e logo n'uma das primeiras batalhas politicas, que entre nós se feriu, procurei elevar, tanto quanto a minha palavra o permittia, a estatura d'este grande homem, porque o é; (Muitos apoiados.) e agora contentar-me hei apenas em dizer, que tomei parte, não maior, porque não seria isso possivel, mas perfeitamente igual aos de todos os membros d'esta casa, tanto da opposição como da maioria, na affectuosissima manifestação que unanimemente acaba de ser feita a Pinheiro Chagas.

Sr. presidente, visto que me coube a palavra n'esta altura da sessão, quando os deveres de um e de outro lado da camara estão cumpridos, como disse, pelos oradores mais eloquentes e cuja fórma oratoria mais se amolda a estes momentos, sublinharei apenas um facto que nos deu, por certo, a todos muita satisfação, e a mim me commoveu.