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SESSÃO DE 28 DE ABRIL DE 1885 1359

vos; e por esta forma talvez atalhe ou diminua um pouco o calor apaixonado da política, que muitas vezes, como no caso sujeito, não tem cabimento em certas o determinadas questões.(Apoiados.)
Não venho responder aos argumentos produzidos polo illustre deputado ácerca do placet; o não venho responder, porque s. exa., permitta-me que lhe diga, não remordeu absolutamente a nenhum dos argumentos por mim adduzidos; e comprehendo a rasão d'isso; é porque naturalmente tudo quanto eu disse era triste e subtil. Foi esta certamente a rasão. Os adjectivos são do illustre deputado.
Notarei apenas que n'um século, como aquelle em que nos encontrámos, no século em que trabalhamos todo por levantar as instituições do torpor, sem que ellas naturalmente se achem, no seculo em que se applica a intelligencia a desenvolve, esclarecer convenientemente os principios, que extinguem a escravidão, no tempo em que se regenera a nossa patria, eminentemente religiosa, na sua vida intellectual, na vida artistica, na vida scientifica, é n'este momento psycologico, em que se podia e devia dar vida á igreja e applicar-lhe esse talisman único, que se chama a liberdade; é n'este momento psycologico repito que a igreja fica escrava a igreja casa única instituição cujas doutrinas bem diffundidas, bem ensinadas haviam de trazer da terra um compendio do universo, de cada homem uma distillação da humanidade, da humanidade um reflexo de Deus.
O sr. Correia Barata appellou para a historia, e quiz com ella, como materia na mão de artista [...] a igreja, que, segundo disse, perseguia, creava inimigos, fazia derramar sangue; disse mais, que ella se oppunha á civilização, ao progresso, á sciencia, etc.
Ora, ha de desculpar-me o illustre deputado, e ainda n'isto presto homenagem de respeito ao seu grande talento, porque sabe que não costumo ser senão franco , ha de permitir, repito, que, não querendo de certo faltar á verdade no que me parece incrivel que viesse affirmar com a historia proposições como as que lhe foram ouvidas!
Parece incrível que, habituado á reflexão das doutrinas philosophicas, e das contrarias às que sob certo ponto de vista defenderam Leibnitz, Malebranche e Newton, venha como argumento das suas asserções appellar para a historia fallando de Alexandre V e Alexandre VI! Parece estanho que um espirito tão alevantad, como o do illustre deputado, viesse trazer estes nomes para aqui!!
Empraso-o como a qualquer outro sr. deputado, para que em frente da verdade critico-historica me diga, se, o que affirmou, é ou não verdade.
A critica historica moderna exercida pelos protestantes e racionalistas e entre elles Macaulay, que não póde ser desconhecido ao illustre deputado, nem mesmo suspeito, reduziu ás suas justas proporções, ao seu justo valor essas accusações indignas feitas contra o principio que o illustre deputado atacou e que defendo - classificou essas acusações umas vezes como fabulosas e outras vezes menos justas, considerando-as nas suas devidas proporções.
Parece incrivel, parece quasi estranho que venha agredir-se uma instiyuição simplesmente com os defeitos dos homens importantes, que d'ella fizeram parte, sem se lembrarem que uma instituição composta de homens não póde ser tão perfeita como era para desejar.(Apoiados.)
Esses homens podiam praticar quaesquer faltas, podiam Ter quaesquer defeitos inherentes á sua natureza humana, mas nada d'isto pôde influir nunca nos seus juizos ácerca das verdades religiosas, nem de leve empanou o brilho da fé e da moral.
Parece incrivel e estranho que o illustre deputado, sem examinar bem a doutrina e a sua essencia, viesse argumentar, para denegrir essa instituição, com quaesquer faltas praticadas por um ou outro homem importante da igreja.
Parece ainda estranho, quando todos fazem justiça á superioridade de luzes desta instituição, que venha comparar-se scenas, que não podem admittir confronto com as scenas de terror de 1793 e 1870 nos nossos dias.
Leia o illustre deputado Macaulay e Guisot, o elles fallarão por mim a, sua intelligencia. As monarchias, como as republicas, todas as instituirdes humanas têem defeitos, não as confronte com a igreja e não para admirar a elevação dos seus principios, a superioridade da sua moral e a sua influencia nas consciencias dos povos, o que talvez não agrade a muitos.
Eu não venho discutir largamente este assumpto, mas appellar da senterça proferida contra a igreja pelo illustre deputado, para que não transite em julgado sem protesto e por isso, para terminar as considerações que tenho a fazer, vou referir-me especialmente a um documento, que tanto incomoda e inquieta o illustre deputado. Esse documento é o Syllabus. Hei de referir-me a elle no ponto, em que o illustre deputado tambem se referiu, e convem dizer mais uma vez, e já aqui o affirmei, que quem fallou d'este documento importante foi o illustre deputado, distincto academico, o sr. Silveira da Motta, e não eu. Apello para a lealdade e cavalheirismo do illustre deputado, para que diga se foi ou não s. exa. quem trouxe esta questão quando encetou o debate ácerca do projecto de lei, que se discute.
(Affirmação do sr. Silveira da Motta.)
O illustre deputado o sr. Correia Barata reprova o sentido politico da igreja na condemnação do liberalismo. A respeito d'isto é bom dizer-se uma e mil vezes, para que todos o saibam, é bom dizer-se, para que toda a gente o conheça, que o Papa n'essas preposições, em que condemnou o liberalismo, entenda bem a camara, e não a liberdade, não ha proposição alguma que possa considerar-se verdadeiramente politica, porque elle não se occupa d'esta ou d'aquella fórma de governo, não condemnou a monarchia, como não condemnou a republica.
Não condemnou que houvesse côrtes constituintes ou côrtes ordinarias, não se importou que os actos do poder executivo fossem discutidos n'essa ou outra casa do parlamento, ou em ambas ao mesmo tempo: não ha nada emfim no syllabus que possa dizer-se propriamente politico. Mas o sr. Correia Barata leu e commentou a seu talante aquella proposição 80.ª, que tambem passou um pouco sob o cadinho da sua critica, poderei dizer apaixonada? Talvez, e espantou-se e vem affirmal-o no seu discurso, de que o Papa possa dizer: «A igreja sou eu!». Pois não é o centro da unidade catholica, não é a cabeça visivel d'essa mesma igreja? Pois ubi Petrus, não é certo, que ibi Ecclesia?
(Interrupção do sr. Correia Barata.)
O illustre deputado não póde estabelecer o parallelo entre elle e o monarcha Luiz XIV. Não póde haver parallelo porque as auctoridades são differentes. Mas o illustre deputado, dizia eu, leu e commentou a seu talente a proposição 80.ª, que diz:
«O pontifice póde e deve reconciliar-se e harmonisar-se com o progresso, com o liberalismo e com a civilização moderna.»
É realmente estranhavel o sepanto e a critica do illustre deputado!
Srs. deputados, o Papa não precisa nem tem necessidade de reconciliar-se com nenhuma das instituições sociaes. A civilização, o progresso e a liberdade devem o seu ser, o seu nascimento e conservação no mundo, á igreja; e se a sociedade se conserva, se a paz se mantem, se a justiça impera, é porque a igreja contribue para isso. E que culpa temos nós de que esses filhos da igreja sejam prodigos, de que abandonem a casa paterna?
Que volvam a nós, que volvam á igreja, e serão bem recebidos como o filho prodigo - volvam á casa paterna,