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1296 DIARIO CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

triste exito d'essas campanhas. Mas mesmo mallogradas não deixam da produzir um grande abalo na economia do paiz, mal combalido ainda de um periodo tão angustioso e resentindo-se por isso com todos os sobresaltos, ainda os mais infundados. (Apoiados.)

Muitas vezes, n'estas cruentas luctas da politica, o nosso caracter meridional, violento e irreflectido, leva-nos a fazer insinuações gratuitas e injustas. (Apoiados.)

Arrependemos-nos depois de as havermos formulado. Mas o nosso arrependimento já não desfaz o mal produzido. (Apoiados.)

Taes campanhas, ou se baseiam em verdadeiros actos de immoralidade, e então é dever de todos liquidal-as até às ultimas consequencias, ou não têem fundamento serio e é preferivel não as iniciar sequer. (Apoiados.)

Com o aggravamento da situação actual não ganha de certo o paiz, não ganha mesmo a opposição d'esta camara. (Apoiados.)

Ella será ámanhã o poder, e o mal que tiver produzido com os seus ataques impensados sobre os seus hombros pesará, porque os futuros ministros não julgam certamente possuir o balsamo que sare rapidamente as feridas que elles proprios tiverem produzido, ou exacerbado. (Apoiados.)

Não digo estas palavras por egoismo politico, para advogar uma tregua, que torne facil o caminho do governo progressista. (Apoiados.)

Por temperamento sou pouco propenso aos accordos dos partidos e á estagnação das luctas parlamentares.

Mas podemos combater, oppor idéas a idéas, processos a processos, systemas de administração a systemas de administração, sem descermos a estas escaramuças do descredito, de insinuações, de meias palavras, de reticencias, que originam desconfianças e suspeitas, que só servem para desvairar a opinião, tornando-a injustamente descontada com todos. (Apoiados.)

Pelo respeito que devemos ao parlamento e às instituições, pelo amor que devemos á patria, deixemo-nos de discussões como esta e adoptemos uma lucta aberta, nobre, em nome dos principios, em nome dos mais sagrados interesses nacionaes, corpo a corpo, braço a braço, mas de cabeça levantada e com inteira lealdade de intenções.

Vozes: - Muito bem.

(O orador foi muito comprimentado.)

O sr. Moncada: - Começa referindo-se á accusação feita pelo sr. Cayolla, de ter o sr. Mello e Sousa dado ao seu discurso o caracter de chalaça.

Não é verdadeira esta accusação.

Quem no parlamento iniciou tal procedimento foi o sr. ministro da fazenda.

Tambem foi injusto o sr. Cayolla quando affirmou que o sr. Mello e Sousa censurara o sr. director geral da contabilidade publica. A accusação dirigia-se ao sr. ministro pelo encargo que impoz áquelle illustre funccionario, de escrever um relatorio em sua defeza.

Na sua opinião, como na de todos que leram o contraio, elle representa uma ruina para o paiz, e demonstral-o, seria um pleonasmo.

Quanto á affirmação do illustre deputado, o sr. Cayolla, de que o governo não tem feito esbanjamentos, observa-lhe que outra cousa não representam o restabelecimento dos antigos concelhos, a creação da policia rural e o subsidio de 40 contos de réis concedidos á guarda municipal.

Em seguida recorda o orador os diversos tramites que seguiu a questão do pedido da publicação do contrato e respectivos documentos, commentando ao mesmo tempo as declarações então feitas pelo sr. ministro da fazenda.

O contrato de que se trata é, na sua opinião, uma das maiores ignominias que se podia impor ao paiz, alem de ser onerosissimo, visto que o juro não poderá ser inferior a 9 por cento, attentas as clausulas do pagamento em libras, e do pagamento do sêllo, que fica a cargo do governo.

Nem ao menos se sabe quem são os participantes, de onde resulta não se poder allegar o titulo de contrato bilateral no caso de se levantar qualquer difficuldade.

N'este ponto alarga-se o orador em considerações, e pergunta, por ultimo, onde está o diploma que sirva de base a qualquer procedimento, no caso de se recusarem os participantes a fazer entrega do deposito, visto não haver, n'esse sentido, disposição alguma no contrato.

Por ter dado a hora de se encerrar a sessão, fica com a palavra reservada.

(O discurso será publicado na integra quando s. exa. restituir as notas tachygraphicas.)

O sr. Presidente: - A commissão de redacção não fez alteração aos projectos n.os 22, 24,50, 56 e 57.

Vão ser enviados para a outra camara.

O sr. Mello e Sousa pediu a palavra para explicações para antes de se encerrar a sessão. Vou consultar a camara a este respeito.

A camara resolveu affirmativamente.

O sr. Mello e Sousa: - Eu havia pedido a palavra para explicações quando o sr. Cayolla, referindo-se às considerações que eu tinha feito, dizia que eu havia offendido e aggravado o director geral da contabilidade publica, o sr. Carrilho.

Quando eu me referi a este illustre funccionario tive logo o cuidado, o prazer e a honra de declarar-que o respeitava e considerava muito, por varias circumstancias, e especialmente pelas suas excepcionaes qualidades de trabalho, tão raras no nosso paiz. (Muitos apoiados.)

Portanto quem fallava assim, e quem na sessão passada o defendia dos ataques da maioria, que o lançava às feras como responsavel dos erros do orçamento, podia ter o intuito de não offender nem aggravar um illustre funccionario que muito respeito. (Apoiados.)

Eu não offendo nem aggravo quem está ausente, e quando offender ou aggravar quem está presente, digo as cousas muito claramente, e tomo a responsabilidade do que digo. (Apoiados.)

Sr. presidente, eu tinha-me referido, e não podia deixar de o fazer, aos documentos publicados por áquelle illustre funccionario, porque se tinha dado pela primeira vez o caso excepcional de o ministro se defender com o seu subordinado, em logar de o defender a elle. (Apoiados.)

O que eu tenho visto sempre é os ministros defenderem e cobrirem com a sua responsabilidade os seus subordinados; mas vir o subordinado defender o ministro - é caso novo! (Apoiados.)

E não estranho porque aquelle funccionario é muito dedicado. Tão dedicado que o governo o obrigou a praticar um acto cuja responsabilidade é do sr. ministro, porque, dizem os jornaes, que á saída da camara o sr. ministro foi ter com áquelle funccionario para elle publicar a carta que appareceu no Correio da noite. (Apoiados.)

Repito, não quiz offender nem aggravar áquelle funccionario; mas mais uma vez estranho o caso de ser o funccionario quem defendo o ministro, em logar de ser o ministro quem defende o funccionario. (Apoiados.)

(S. exa. não reviu.)

O sr. Ministro da Fazenda (Ressano Garcia): - O sr. Mello e Sousa pediu a palavra para explicar algumas palavras suas que tinham sido mal interpretadas. Eu louvo s. exa. por ter explicado o que parecia ser uma censura dirigida a um funccionario distincto do ministerio da fazenda; mas o que me parece é que s. exa. não tinha direito de vir aggravar-me a mim para desaggravar o director geral da contabilidade. (Apoiados.)

Eu não pedi a ninguem que me defendesse. Estou aqui para me defender. (Muitos apoiados). E eu appello para a camara e para o illustre deputado para que digam se eu