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Sr. Presidente, de todos os illustre Deputados que combateram este Projecto, houve só um, permitta-se-me que o diga, que apresentou as suas idéas de uma maneira tão clara, que é facil a resposta a qualquer que queira combate-las, foi o illustre Deputado, o Sr. Jeronymo José de Mello. Este Senhor usou aqui da mesma lingoagem de Mr. D'Israeli na Camara dos Communs; aqui os principios que elle invocou, são os mesmos que invocou aquelle distincto Orador da Camara dos Communs, defendendo as prerogativas da antiga Aristocracia Ingleza. Disse elle (Mr. D'Israeli)- Nós os proprietarios devemos gosar de uma certa consideração, de umas certas vantagens, sem as quaes não podemos exercer sobre a Sociedade a influencia, que é preciso para o mesmo bem della: nós deve-nos pouco importar a felicidade das classes trabalhadoras, receio mesmo (disse elle) que ellas tomem uma importancia, que nos seja prejudicial, que ellas venham lançar sobre a balança do Estado um peso que ellas não teem o direito de lançar alli; e por consequencia, Sr. Presidente, eu condemno o Projecto, porque esta Camara o que faz? Faz lançar um imposto sobre os proprietarios, faz alliviar os trabalhadores, classe que eu quero que não tenha na gerencia dos negocios publicos a influencia que eu receio que ella tenha. - Sr. Presidente, esta argumentação é franca, é sincera, é clara, e apesar de eu a combater, e contra ella protestar a votação do Parlamento Inglez, o espirito das nossas Instituições, o voto universal do Paiz, comtudo é uma idéa que se entende, é clara. É a Lei apresentada por Sir Robert Peel, a respeito dos cereaes, combatida por D'Israeli, apresentade novamente, porque elle já depois da derrota pretendeu fazer passar a mesma Lei; reproduzido tudo pela bocca do illustre Deputado, o Sr. Jeronymo José de Mello.

Sr. Presidente, se alguem ha no anno em que vivemos, no Paiz em que estamos, em presença da situação em que nos achamos, que entenda que esta razão é bastante para que um Corpo Legislativo tome uma deliberação em virtude della; se ha alguem, além do illustre. Deputado, que já teve a coragem de apresentar taes razões, apresente-se aqui; se alguem nesta Camara ha, que por um segundo vote e diga, que nós, Sr. Presidente, n'um Paiz que tem quasi o suffragio universal, n'um Paiz em que abolimos os dizimos, em que abolimos todos os direitos immensos de que gosava a nossa Aristocracia; que tirámos ao Clero, não digo a sua riqueza, mas o seu sustento; que tivemos uma guerra cruel para ganhar todas estas victorias; n'um Paiz onde a distincção inclusivamente das maneiras, dos modos entre classe inferior e superior não se conhece; n'um Paiz em que apezar de todas as preterições de retorno á Aristocracia que tinhamos, somos essencialmente um Paiz popular, democratico, devemos aqui votar uma medida contra a qual votou a propria Inglaterra Aristocratica, rica, orgulhosa, soberba, e bem governada, devemos aqui approvar o que ali foi condemnado. Se alguem ha que tenha coragem para apresentar aqui uma tal proposição, apresente-a, que eu declaro que lhe ponho sobre a cabeça uma corôa de louro, como o homem de mais coragem civica, que tem apresentado este Parlamento; mas se não ha quem tenha esta coragem; se não ha quem queira subir ao Capitolio, deixe-se-me assim dizer, sobre os estomagos dos pobres; se não ha quem queira soltar uma proposição, que é ao mesmo tempo uma blasfemia ao Codigo Humanitario; se não ha, recorramos aos principies, o consagremos a disposição que está no 3.º artigo do Projecto; porque fazendo assim não tiramos ás Camaras Municipaes a faculdade de lançarem impostos para occorrerem ás suas despezas, porque teem a liberdade de o fazer sem lançarem mão de meios vexatorios; votemos o art. 3.°, Sr. Presidente, porque assim enriquecemos os proprios proprietarios, tornando baratos os salarios que significam o preço de todos os trabalhos, de toda a producção, mas especialmente da agricultura, porque é precisamente com o pão barato que ella produz, que ella preenche as suas proprias despezas; sejamos consequentes com aquillo que fizemos; não digamos - o trigo que sae do Reino de Portugal para portos estrangeiros, não pagará imposto algum, o trigo que vai alimentar os Irlandezes, o trigo que vai para a America Hespanhola, para a America Portugueza, este trigo não pagará impostos; mas o trigo que vai para os estomagos dos pobres, no acto do consumo, pagará impostos!

Sr. Presidente, eu admitto que se combata uma proposição destas com toda a especie de razões, que se queira apresentar; mas não admitto, não concebo que se apresente uma especie de inducção timida, e ao mesmo tempo sarcastica, uma inducção como de ironia, mas ao mesmo tempo de fel, lançar um stygma sobre, os homens, que assignaram este Projecto. Quem o fez, quem ozou deste meio, Sr. Presidente, quero dize-lo pelo seu nome, foi o illustre Deputado, o Sr. Augusto Xavier da Silva, elle o fez ainda agora, em quanto disse que se apresentava uma Lei unicamente para satisfazer uma classe, e em quanto elle visse que se apresentava uma Lei para satisfazer uma classe, e não as outras havia de combate-la (O Sr. Xavier da Silva: - Em quanto visse que ia estabelecer guerra entre os productores) A proposição do illustre Deputado que chegou aos meus ouvidos, foi esta (as notas disto que S. S.ª disse, tenho-as aqui) que se tractava de favorecer uma classe especial de productores com detrimento dos outros (O Sr. Xavier da Silva: - Apoiado) que se tractava de satisfazer a certas pretenções de uma classe determinada; se isto é assim, se destas palavras se podem tirar estas illações, que eu creio que ellas podem conter, forçado me vejo a dizer alguma cousa; se o não é, não desejo combater fantasmas, e não quero fazer o papel de D. Quixote, atacando o moinho. Se o illustre Deputado pelas suas palavras quiz dar logar a que alguem entendesse que se tracta de interesses particulares, direi, que quando se trazem argumentos destes, para tirar a fôrça a um Projecto desta ordem, pelo menos no meu entender, não são dignos de resposta

Aqui diz-se (Leu). Falla-se dos cereaes que são o alimento dos que cultivam as vinhas, dos que cavam a terra, e dos que preparam o ferro nas officinas etc. por consequencia quer-se, por assim dizer, lançar impostos no sangue, que circula nas veias, no primeiro alimento indispensavel á vida.

Se o illustre Deputado pertendeu com isto fazer uma distincção de classes, e pôr em lucta os lavradores de vinhas com os de trigos, declero que é triste a pertenção, que póde ter um homem, quando apresenta aqui argumentos desta natureza, e digo que sinceramente tenho pena de que por este modo se