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ser coherente comsigo mesma, deve approvar o artigo em discussão tal qual está, porque, se eliminar a palavra consumo, contradiz-se com a approvação do art.1.º que hontem approvou.

O Sr. Xavier da Silva: - Sr. Presidente, com muito pezar vou acceitar a luva, que me lançou o nobre Deputado, Relator deste Projecto; confesso, que não estava preparado para, na Sessão de 1850, ouvir algumas expressões que proferiu o Sr. Relator, e muito menos para ter de repellir as injurias que me foram dirigidas. Farei a diligencia de não tomar todo o calor, que é proprio do meu genio, e que é do dever do homem de bem para não deixar impunes no Parlamento injurias que se lançam, talvez sem querer, mas que podem provocar scenas desagradaveis e inconvenientes á Causa Publica, e ao bom e regular andamento dos trabalhos da Camara.

Sr. Presidente, já o nobre Deputado pela Estremadura, o Sr. Mendes de Carvalho, no começo do seu discurso tinha dicto, que as questões de cereaes são sempre desgraçadas no Parlamento; sempre fui uma ave agoureira, que vem de encontro ás beneficas providencias, que se querem adoptar; deixarei passar esse argumento como uma belleza oratoria, e não o quererei intrepretar como uma allusão dirigida a mim que fui quem impugnei o artigo ainda que poderia responder com uns versos, que ha annos li de Bocage, quando allude á conversa que teve o pavão com o corvo, na qual o pavão com ufania se dirigiu ao corvo dizendo-lhe - Repara quanto devo á natureza, etc. - e chamou ao corvo ave de agouro, mas o corvo respondeu-lhe- Que as suas penas eram mui guapas, mas que elle estava embellezado de mais com a sua figura. - Deixemos esse modo de combater, e vamos á questão.

O Sr. Deputado Relator da Commissão não duvidou apresentar-me, porque sou o Auctor dessa Proposta, como um grande inimigo do povo, e que não quero que tenha o pão barato, o primeiro alimento necessario á vida. Já estou costumado a ouvir, e a lêr muitas expressões, que não são as mais convenientes, apesar de ser do dever do Orador medir muito as suas expressões proferidas no Parlamento, mas de ordinario soccorrem-se desses modos os que não argumentam com a razão, os que talvez confiando de mais na sua auctoridade, entendem que não precisam convencer e que basta querer para dever ser; entre tanto não respondo (Apoiado).

O nobre Deputado, convidou-me, e a todos, que discutissem, para que convencessem, produsindo razões, mas não recorressem ao sentimentalismo, ao sarcasmo e á ironia como eu tinha feito, e pronunciou o meu nome!! Que disse eu para assim ser tractado? E que fez o nobre Deputado? Declamou, injuriou, e serviu-se de todos os argumentos para provocar o sentimentalismo em favor das classes menos abastadas, apresentando-me como seu maior inimigo, bem como inimigo de favorecer as classes agricolas, e concluiu dizendo que tinham razão aquelles que impugnam o artigo do Projecto ácerca do consumo no Continente, porque as vistas da Commissão são a Ilha da Madeira; mas permitta-me que lhe diga, ou o nobre Deputado se enganou no que disse, ou o pensamento da Commissão não é estabelecer a isenção de direitos de consumo no Paiz que é a parte por mim impugnada, mas unicamente favorecer a nossa exportação, e determinar que nas Provincias Ultramarinas, os cereaes nacionaes não tenham direitos de consumo, e nesta parte estamos de accôrdo; - ou o nobre Deputado nesta occasião, se desviou de tudo, quanto tinha dito; - deixo pois a S. S.ª a explicação do que sustentou.

Sr. Presidente, o nobre Deputado quiz dar ao Paiz mais uma prova da intelligencia, do saber, das luzes, e do bom uso que sabe fazer das faculdades com que a natureza o dotou, mas o Sr. Deputado não precisava de tractar-me do modo que fez, como Auctor da Emenda, quando em tudo que disse não me lembra que empregasse uma unica expressão que podesse reputar-se injuriosa nem ao Auctor do Projecto de quem sou particular Amigo, nem aos Membros da Commissão, nem a qualquer dos illustres Deputados que tem pugnado em favor do Projecto. Sr. Presidente, confesso que apesar de todos os meus esforços tem-me sido muito difficil concentrar em mim o desejo de repellir certas expressões que me foram dirigidas, com tudo hei de conseguir que a minha intelligencia vença os sentimentos do coração, e espero fazel-o a bem da Causa Publica; mas não posso deixar de dizer que me sinto sinceramente incommodado pela impressão desagradavel que me causaram alguns argumentos do nobre Deputado, e hei de fugir quanto puder de trazer á minha memoria essas expressões que tanto me penalisaram, e que tenho a consciencia de que as não mereci (Apoiado). Sr. Presidente, o exordio será extenso, mas os exordios servem muitas vezes para preparar os animos afim de entrar na avaliação de grandes questões, e nesta occasião seja-me desculpavel abusar da sua attenção, e esteja certa a Camara que a sua bondade é mais um motivo para procurar entrar na questão com a serenidade de animo que convem nas discussões.

Sr. Presidente, o Sr. Deputado, pela Estremadura, Auctor do Projecto no seu muitissimo luminoso Relatorio cheio de razões que convencem, o que pretende? Um favor igual que se tinha concedido pela Carta de 4 de Maio de 1849, a respeito dos vinhos e das aguas ardentes de producção nacional, mas as duas illustres Commissões levaram mais adiante o pensamento do nobre Deputado, e não se contentando em dar aos cereaes igual beneficio áquelle que já estava estabelecido a respeito dos vinhos e das aguas ardentes, quizeram libertar de todos os impostos, e até mesmo os do consumo, os cereaes nacionaes no Continente do Reino. Sr. Presidente, se as illustres Commissões, se o nobre Deputado Relator da Commissão foi levado a adoptar este principio, como uma consequencia necessaria dos principios de Economia Politica que nos quiz aqui leccionar, porque razão o Sr. Relator não tomou este negocio em toda a sua latitude, a respeito de todos os productos agricolas de qualquer especie que sejam? E para que estabeleceu no art. 3.° uma provisão inteiramente contraria a todos esses bons e unicos principios a que o nobre Deputado diz que se deve recorrer? Pois o illustre Deputado que quer o pão barato, que quer o que eu e todos desejam, isto é que o pobre, que o industrioso, que o Empregado Publico, e todas as classes da sociedade possam comer o pão mais barato, como um dos primeiros alimentos da vida, porque não generalisa esses bons principios de Economia Politica para todo o Reino, e para todos os productos agricolas? Hade Lisboa ser excepcional! E o Sr. De-