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DIARÍO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

mento da sr.ª viscondessa do Sergio de Sousa, viuva do sr. visconde de Sergio de Sousa, governador que foi do estado da India, fallecido em maio do anno passado.

Esta senhora pede que o parlamento lhe vote uma pensão, em harmonia com os serviços prestados a este paiz pelo seu fallecido marido.

Tenciono apresentar uma proposta n’este sentido, o n'essa occasião alargarei as minhas considerações a este respeito.

Mando tambem para a mesa uma representação do sr. D. João de Menezes, como representante da empreza do theatro de D. Maria 11; era que pede ao parlamento que lhe voto um subsidio para o theatro normal.

Tambem tenciono apresentar uma proposta n’este sentido, quando se discutir o orçamento do ministerio do reino; por isso não faço agora mais largas considerações.

Por ultimo, mando para a mesa uma representação dos empregados da repartição do fazenda do districto de Beja.

Peço a v. ex.ª que tanto a esta representação, como á outra, mande dar o competente destino.

Requeiro a urgencia da proposta.

Leu-se logo na mesa a seguinte

Proposta

Proponho que se consigno na acta da sessão que a camara dos deputados ouviu cem viva satisfação a leitura do ultimo boletim ácerca do estado do Sua Magestade a Rainha. — Julio da Vilhena.

Consultada a camara, foi declarada urgente, admittida e approvada unanimemente.

O sr. Ferreira de Mesquita,: — Pedi a v. ex ª palavra para mandar para 'a mesa uma representação dos empregados da repartição de fazenda do districto do Lisboa, na qual requerem melhoria de situação.

Allegam os signatarios varias considerações tendentes a provar quanto ella é precaria e quanto é de jus liça dar solução favoravel á supplica que dirigem ao parlamento. Entendo serem merecedoras de attenção as rasões allegadas.

Este foi o fim principal para que pedi a palavra; mas, se v. ex.ª me permitte, direi tambem alguma cousa, ainda que mui rapidamente, «cerca de uma outra representação, a que ha pouco se referiu o meu illustre amigo o sr. Julio de Vilhena e que é firmada por um dos representante:? da empreza do theatro de D. Maria II, o sr. D. João de Menezes. Pede a empreza a esta camara que voto um subsidio' para que se possa manter o theatro na esphera em que devo estar, o para que elle possa corresponder ao fim a que devo ser destinado.

O assumpto pedia do certo largas considerações. Não as farei, porque julgo inopportuno fazel-as agora, e porque não quero tomar tempo á assembleia

Direi simplesmente a v. ex.ª que estas questões de theatro que podem, á primeira vista, parecer futeis, não o são, porque prendem immediata o intimamente com a arte, que é uma das mais esplendidas affirmações da nacionalidade do um paiz. Julgo, portanto, muito digna de ser considerada pela camara a representação que foi mandada para a mesa e que não será fóra de proposito pensar sobre esta questão.

Homens, eximo o visconde do Almeida Garrett, que foi de certo um dos grandes reforma dure da nossa litteratura e um dos mais prestantes evangelisadores da arte dramatica, dedicaram a sua actividade e a sua intelligencia em beneficiar e fazer progredir o theatro nacional, Sigamos-lhe o exemplo, que é bem auctorisado.

Nada mais direi por agora, repito, e reservo me para em occasião opportuna fazer as largas considerações que o assumpto naturalmente suggere.

O sr. Visconde do Moreira de Rey: — Mando para

a mesa uma representação da camara municipal de Fafe.. Esta municipalidade, tendo já representado ao governo

para que a via ferrea do Porto á Povoa de Varzim passasse por__ Villa Nova de Famalicão, Guimarães, Fafe, Basto e mais concelhos importantes até Vidago e Chave, alem das' rasões que estão consignadas na representação para se preferir uma similhante directriz, vem hoje allegar que, attenta a productividade dos solos por onde ella tem de passar, e as differentes industrias que em grande escala existem em algumas d'essas terras, é indubitavel que uma similhante via, seguindo esta directriz, vá animar e dar vida á sua industria e agricultura.

Peço a v. ex.ª que lhe mande dar o competente destino.' O sr. Alves Passos:- Mando para a mesa uma representação da camara municipal de Villa Verde, pedindo A camara do3 senhores deputados que não seja feita nenhuma concessão de caminhos de ferro, em seguimento das linhas do Minho a Chaves, sem que primeiro sejam estudadas todas as variantes pelos valles do Tamega e do Cavado, para depois da comparação se escolher qual é a mais curta, mais conveniente e economica.

Peço a v. ex.ª que, uma vez que as representações não possam ser publicadas no Diario da camara, pela muita despeza que se tem feito com publicações d'esta especie, consinta que ao menos seja publicado um extracto d'esta representação, no qual se declare que eu apresentei a representação da camara municipal de Villa Verde, reclamando contra a concessão do qualquer caminho do ferro em seguimento da linha do Minho a Chaves, antes de estarem estudadas todas as variantes a que me refiro.

O sr. Rodrigues do Freitas: — Desejo saber seja chegaram a esta casa os documentos que pedi pelo ministerio da fazenda, ácerca das gratificações abonadas na alfandega de Lisboa, tanto para serviço interno, como por externo.

O sr. Presidente: — Vou mandar saber á secretaria. O Orador: — Emquanto v. ex.ª manda saber se chegaram, "ou não, os documentos, declaro que desejava interrogar o sr. ministro da justiça, ou o sr. ministro do reino, ácerca de factos que recentemente se deram na cidade do

Porto.

Descobriu se ali um hospital secreto, em que se empregava, não sei se simultaneamente, ou separadamente, a pomada camphorada e a agua de Lourdes. A camara comprehende que eu não acredito nos milagres da agua do Lourdes. (Apoiados. Riso.) Estimo muito que mais de um membro á esta camara se pronuncie contra a especulação que se faz com essa agua, ou que julgue infundada a crença que n'ella tenham muitas pessoas; os proprios factos praticados n'aquelle hospital, mostram que as irmãs que applicaram a agua de Lourdes não acreditavam completamento n'ella, por isso que julgaram conveniente fazer lambe];] uso da pomada camphorada.

A pergunta que desejava fazer ao sr. ministro da justiça era, se as irmãs de caridade e as hospitaleiras, que existem na cidade do Porto, estão ou não sujeitas ás leis do reino.

Desejava tambem saber o que a este respeito se tom investigado, principalmente depois que a policia descobriu o referido hospital.

Não desejo trazer para a camara n'esse momento a questão religiosa, que é muito grave, muito séria; mas pretendo que o governo, embora muito tolerante para com todas as manifestações de pensamento, investigue se haverá ou não trama reaccionario na introducção do irmãs de caridade em Portugal.

Digo á camara que não me associo a todas as phrases que mais de uma vez se têem preferido contra as irmãs de caridade, cujos serviços a favor da humanidade eu reconheço o creio que a camara igualmente reconhece; mas por causa da historia, mais do uma vez gloriosa, (Vossa instituição, não deixemos que se introduza em Portugal o fanatismo. (Apoiados.)

Não estando presente nem o sr. ministro da justiça nem