SESSÃO N.º 74 DE 14 JULHO DE 1893 9
accusação do que fossem os republicanos que foram a Badajoz pactuar com relação a soluções positivas, isto é, com relação a saber se o futuro da peninsula ha de ser a união, federação ou confederação.
Nem uma palavra se trocou a esse respeito.
Fomos a Badajoz concertar com os republicanos hespanhoes ácerca dos melhores meios de combater as monarchias. Se não pensassemos n'isto, éramos incoherentes, porque, sendo republicanos, devíamos empregar os meios de fazer vingar os nossos principios.
(S. exa. não reviu.)
O sr. Ministro do Reino (Franco Castello Branco): - Pedi a palavra, porque só como membro do governo e que faço a affirmação que vou fazer, o que não fiz, ha pouco por esquecimento.
sr. Jacinto Nunes disso que El-Rei tinha ido a Hespanha para concertar na forma de combater os republicanos.
Eu posso dizer que a visita de El-Rei a Hespanha foi uma visita do pura e mera cortezia e cordialidade, como ns que tem feito os diversos soberanos da Europa, como a que o rei de Hespanha fez ao imperador da Allemanha, e como as que á rainha de Inglaterra têem feito varios soberanos (Apoiados.); e que não ha, nem houve pacto, contrato, tratado ou concerto feito entro as duas nações relativamente a questões politicas, e que não só alludiu por fórma alguma as questões internas das duas nações. (Apoiados.)
Quero fazer esta affirmação bem clara e bem terminante, porque é necessario que as affirmações do illustre deputado não tenham, para se cobrir, este sophisma transparente e falso. (Apoiados.)
(S. exa. não reviu as notas tachygraphicas.)
O sr. Frederico Laranjo: - O illustre deputado, o sr. Jacinto Nunes, começou por dizer que esta scena estava preparada. Não sei se o estava ou não; mas se o illustre deputado o os seus correligionários prepararam a ida a Badajoz, não seria nada para admirar que o governo e os representantes do paiz só preparassem para darem a s. exa. e aos seus correligionarios a resposta que s. exa. e os seus correligionarios merecem, (Apoiados.) para contraporem aquella manifestação um terra alheia esta manifestação pela unidade e pela independencia da torra em que nascemos, findando a sessão legislativa com a expressão d´este sentimento que nos penetra a todos. (Apoiados. )
Disse s. exa. que foi a Badajoz; que d'isso se mio arrependo; que d'isso se vangloria. Vangloria é, na verdade, a palavra própria, a palavra exacta, a palavra unica. (Apoiados.) Vangloria, com effeito, é a unica cousa que póde ficar n'uma alma, n'um coração ou n'um espirito, d'essa jornada, d'essa desacato, em que ao mesmo tempo se faltou ao quo se deve ao proprio paiz, transportando para um outro questões quo só entro portuguezes se devem debater, e ao que se devo a uma nação amiga, era cujas questões politicas não podemos de modo nenhum intrometter-nos. (Apoiados.)
Disse s. exa. que foi a Badajoz com os sons correligionários para concertarem com os republicanos da Hespanha a maneira de derribarem as instituições monarchicas em ambas as nações, o que foram e procederam com o mesmo direito com que ha pouco os Reis de Portugal tinham ido a Madrid concertar com o governo hespanhol o modo do resistirem aos povoa.
A esta parto do discurso do illustre deputado deu já uma resposta terminante e victoriosa o sr. ministro do reino, asseverando que a visita dos líeis de Portugal a Hespanha fora de pura e simples cortesia; (Apoiados.) direi por isso apenas que essas visitas que os chefes do um paiz, os representantes mais elevados da sua soberania, fazem aos chefes de outro paiz, quer os estados sejam monarchicas ou republicas, visitas que o partido republicano tem o mau sestro de apreciar simplesmente pelo dinheiro que custam, dão muitas vezes em resultado estreitarem-se amigavelmente as relações entre dois povos, desfazerem-se attritos o desviarem-se perigos. (Apoiados.) E se esta sessão permittisse que eu fizesse a historia da influencia de algumas d´essas visitas, eu poderia mostrar quo, se as do, alguns chefes da potencias de primeira ordem têem assegurado a paz, as de Reis portuguezes, mesmo contemporaneos, têem contribuido ás vezes para o respeito do nosso nome e para a salvaguarda do nosso direito. (Apoiados.) Não é, porem, esta a hora de se fazer historia; ella se fará mais tardo, mostrando a sem rasão de muitas declamações. (Apoiados.)
O illustre deputado continuou dizendo;
«Nós fomos a Badajoz, o eu dou a minha palavra da honra (o essa palavra de honra todos nós a acceitâmos) do que lá não se tratou de soluções positivas; só se concortaram soluções negativas; só se concertou procurar derribar-se o que está.»
Loucos! Loucos e levianos, quo no estreito horisonte das suas pequenas ambições, com a vista engolfada e absorvida no mesquinho intuito do trocarem um rei por mim presidente, uns ministros por outros ministros, não só lembram do dia de ámanhã da patria, não querem saber do sou futuro, (Apoiados.) nem perguntam a si mesmos que premio darão aos auxiliares que procuram, qual é o intuito que elles têem, porque é que elles os coadjuvam! (Apoiados.) Loucos e levianos, que se contentam com a destruição o com a anarchia, sem quererem saber o que sairá do uma e de outra. (Apoiados.)
(Interrupção do sr. Jacinto Nunes.)
Diz-me o illustre deputado que podiam pousar em soluções positivas, mas que não fallaram n'isso. Pois era o que estava no pensamento o não se dizia quo deviam ter escrutado; era mais a intenção dos actos que ás palavras que tinham obrigação de attender. (Apoiados.) E as palavras mesmo quaes são e quaes foram? Não acabou o illustre deputado de dizer que é municipalista o federalista? Mo disso que Pi y Margall não queria a confederação, uns a federação? Da parte dos hespnnhoes não se fallou sempre nos brindes, nos telegrammas, nas curtas em confideração ou federação? (Apoiados.) Nilo era esta a solução positiva'?
D´esta ultima solução disse o meu amigo e illustre leader do partido progressista, o sr. Buirão, recordando os girondinos, que ella terá apenas ficado n'algumas escolas e n'algumas academias como uma theoria. Mas ruim theoria, acrescento eu, refutada pela sciencia em nome dos seus methodos, pela historia em nome dos seus factos. (Apoiados.)
Houve na França um homem de genio, por certo, mas de instrucção irregularissima; de espirito fecundo e que corria a escrever um livro, mal lhe alvorecia na mente o diluculo de uma idéa; que fazia outro, que refutava o primeiro, quando essa mesma idéa, aclarando-se, só modificava, e assim successivamente, de modo que sempre sincero, mas sempre precipitado, a sua obra, mais brilhante que solida, é toda incoherente e contradictoria. O seu methodo é n'uns livros, o metaphysico, puramente abstracto; é n'outros o methodo artificial hegeliano da these, anti-these e sinthese; é n'outros o da escola positivista.
O sr. Sergio de Castro: - É Proudhon.
O Orador: - É effectivamente Proudhon. Individualista até á medulla dos ossos, imbuído da idéa do Contrato social, escreveu pelo methodo metaphysico um livro falso Do Principio Fedarativo. É do immerecido prestigio d'esse livro e do exemplo da Suissa e dos Estudos Unidos da America do norte que deriva a expansão actual das idéas federalistas. Para Proudhon o municipio é a molecula social; cada municipio é um estudo, que só deve ligar a outros pela federação; mas porque o individuo é uma autonomia, onda individuo só póde associar-se a outros por