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SESSÃO DE l DE MAIO DE 1888 1343

de quem era, organisado o julgado municipal lançaram para a rua meia duzia de musicas, promoveram outros tantos meetings, protestavam contra a creação do julgado, do julgado não se creou!

Isto não é governar, é ser governado!

Isto não é poder, é a fraqueza â mercê dos que tumultuam e sopram ás gaitas das philarmonicas. (Riso.)

Póde dizer-se que com o governo actual, desde que lá fóra se amotinam e fazem reclamações em voz alta, essas reclamações são attendidas e traduzidas em factos!!

Ora, posso asseverar a v. exa. que, como o exemplo está dado, creio que esta linha do Tamega ha de tambem ter meetings a patrocinar a sua construcção.

E se v. exa. precisa, como meio estimulante, a força coercitiva dos meetings, ha de tel-os; e isto não é uma idéa que não esteja em via do realisação. Consta me que no domingo passado se realisaram dois meetings nos concelhos de Mondim e Gelorico do Basto, com o fim de protestar contra o adiamento da construcção da linha do Tamega, e a estes meetings seguir-se-hão outros, que se hão de realisar em Amarante e em Marco de Canavezes.

Quando os povos têem por si a justiça e o direito, difficil é contel-os antes de lhe ser dada satisfação plena e completa aos seus interesses.

E, n'este caso, creia o illustre ministro que os povos ribeirinhos ao Tamega não permittirão que os seus direitos sejam menosprezados, para regalia e gaudio de uma companhia que vê dependente do traçado de Braga a sua prosperidade e a remuneração dos seus capitães.

E n'esta lucta de Uma companhia e o estado duvido que s. exa. esqueça os seus deveres de ministro, collocando-se ao lado d´aquella.

Emfim não creio que s. exa. tome sobre si a responsabilidade de favorecer uma linha particular á custa de uma linha do estado, do uma linha que ficou carissima ao paiz, e que é necessario que os seus encargos vão diminuindo com a construcção de outras linhas subsidiarias, que augmentem e enriqueçam o seu trafego.

Fundado n'estas considerações, espero que o illustre ministro me dê uma resposta que me satisfaça como representante de um concelho que interessa directamente com essa linha, e sobre tudo que me satisfaça como representante do paiz, cujos interesses eu tenho dever e obrigação de defender aqui a todo o transe.

Vozes: - Muito bem.

O sr. Ministro das Obras Publicas (Emygdio Navarro): - Responde ao orador precedente, affirmando, como já n'outra occasião o fizera, que tinha na maior consideração a linha ferrea do valle do Tamega; e tanto assim que a mandara estudar de via larga, como fóra a sua primeira idéa.

Dá explicações relativamente ao plano geral da rede das linhas ferreas ao norte do Mondego e depois de declarar que a sua opinião era favoravel ás idéas manifestadas pelo sr. Teixeira de Vasconcellos, tendo comtudo de a subordinar ás considerações dos seus collegas do ministerio, termina pedindo que se espere mais algum tempo pela resolução d'este negocio, que vae ser submettido a conselho de ministros, onde elle, orador, advogará os interesses a que se referira o illustre deputado.

(O discurso será publicado em appendice a esta sessão, quando s. exa. o restituir.)

O sr. Brito Fernandes: - Mando para a mesa o parecer da commissão de guerra, fixando, ácerca da proposta de lei n.° 17-H, o contingente para o exercito, armada, guarda municipal e guarda fiscal em 1888.

Visto estar com a palavra, renovo a iniciativa do projecto de lei n.° 145 de 30 de abril de 1885 e que teve parecer das commissões de fazenda e do ultramar na sessão legislativa d'aquelle anno, pata melhorar no posto de major a reforma do capitão Miguel Augusto de Oliveira, com o soldo correspondente.

O parecer foi a imprimir.

A proposta de renovação ficou para segunda leitura.

O sr. Carrilho: - Mando para a mesa um parecer da commissão de fazenda, augmentando os vencimentos para comedorias aos officiaes da armada, concordando assim com o parecer da commissão de marinha.

Mando tambem o parecer da mesma commissão de fazenda, relativo ao contrato de navegação para a Africa.

Foram a imprimir.

O sr. Barbosa de Magalhães: - Quando eu entrava hontem n'esta sala, echoavam as ultimas palavras do discurso do sr. deputado Arroyo.

Não tive portanto occasião de as ouvir. Mas fui então informado, e vejo agora pelo extracto das sessões, que s. exa. se referiu, com o costumado desfavor, ao circulo que tenho a honra de representar.

Careço de restabelecer a verdade dos factos, de desfazer de uma vez para sempre essa lenda phantastica de atrocidades e horrores que alguns membros da opposição jornalistica e parlamentar inventaram e avolumam para seu uso rhetorico e partidario, e de arredar as injurias repetidamente dirigidas áquella laboriosissima e honesta povoação. (Apoiados.)

Acabemos do uma vez com essa fastidiosa cantata sobre Ovar, que teria sido, o está sendo, o trecho forçado de todas se operas comicas do repertorio da opposição. (Riso.- Apoiados.)

Sr. presidente, eu sou o primeiro a sentir que as luctas dos partidos se não limitem em toda a parte ao campo legal e digno da uma, da imprensa e da tribuna.

Eu sou o primeiro a lamentar que as campanhas eleitoraes se convertam em caçada feroz aos eleitores, que as pugnas jornalisticas se transformem em duello sangrento de calumnias, e que as discussões parlamentares desçam da região serena e levantada dos principios ao lodaçal infamante das invectivas pessoaes.

Eu quereria, como de certo querem todos os que amam deveras o seu paiz, que as paixões politicas se não tornassem paixões partidarias, que as divergencias partidarias se não tornassem odios de facções, e que as facções se não tornassem, por sua vez, bandos de salteadores da honra e até da propriedade individual.

Mas, sr. presidente, se isso nem sempre infelizmente acontece, a culpa é dos que, devendo pelo seu grau de illustração civica, educar, dirigir e bem encaminhar a opinião, andam, pelo contrario, a toda a hora, a desvairal-a o pervertel-a, por um falso proveito de occasião.

Em Ovar, sinceramente o confesso, são em verdade profundas, e por vezes cruentas as dissenções partidarias.

Mas é porque tambem a lucta politica teve de ser ali travada em condições excepcionaes.

A camara sabe que durante mais de vinte annos os destinos d'aquella terra estiveram entregues ao rancoroso e desenfreado capricho de um homem, que absorvia em si todos os poderes politicos civis e judiciaes, e que tinha na sua mão todas as molas da administração local. (Apoiados.)

Escuso de avivar agora na memoria dos que me escutam as vinganças ferozes, as prepotencias selvagens, as tropelias escandalosas, as illegalidades, abusos e atrocidades de toda a ordem que por tão largo periodo martyrisaram áquella infeliz terra. (Apoiados.)

Um bello dia, porém, haverá tres annos, o povo de Ovar acordou, sacudiu aquelle jugo de ferro, e proclamou energicamente a sua emancipação.

Ora eu vou dizer á camara, em duas palavras, qual foi a gotta de agua que fez trasbordar a taça de tantas iniquidades. E digo-a, porque ella dá a medida exacta de todas as outras.

Ha em Ovar um homem que, pela illustração do seu es-