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não é culpa sua as irregularidades que se apresentam, podendo ser que tambem o não seja do Governo; como digo, sobre estas irregularidades, que o Governo apresentou, tem de suscitar-se uma discussão, que se refere ao Orçamento, e dependente de uma circumstancia particular, tornando-se necessario que esse documento appareça, não posso deixar de sustentar o Adiamento, e voto por elle.

O Sr. Xavier da Silva: - Sr. Presidente, parece-me que depois, que o Sr. Ministro da Guerra concordou, e no meu entender fez bem, no Adiamento deste Projecto, até que o Orçamento do Ministerio da Guerra esteja impresso e distribuido nesta Camara, a questão está acabada (Apoiados). Quanto porém ao objecto a que o illustre Deputado que acabou de fatiar, se referiu, devo dizer a S. Sa., que o Sr. Ministro da Fazenda apresentou nesta Camara no dia 7 de Janeiro o Orçamento Geral da despeza do Estado, e foi S. Exa. o Ministro que mais cedo cumpriu esta obrigação marcada na Carta Constitucional, e como a organisação do Exercito foi publicada a 20 de Dezembro, o Orçamento da Guerra vinha confeccionado segundo a antiga organisação do Exercito, e das Repartições daquelle Ministerio, e não era possivel que em 17 dias, que tantos decorreram desde 20 de Dezembro ao dia 7 de Janeiro, se apresentasse o Orçamento segundo a nova organisação, e por isso, posteriormente o Sr. Ministro da Guerra remetteu o seu Orçamento confeccionado segundo a nova organisação; este Orçamento foi mandado imprimir a requerimento da Commissão de Orçamento d'accôrdo com o Governo, e é por esse Orçamento, comparado com o do anno anterior, que se ha de conhecer, se a cifra augmentou ou diminuiu pela nova organisação que se deu ao Exercito; a Camara não pode entrar na discussão do Projecto, sem fazer essa comparação, e para a fazer deve ter presentes os dois Orçamentos impressos, convém portanto esperar por essa impressão, que não deve levar muitos dias, a fim de esta Camara entrar em discussão com perfeito conhecimento de causa. Voto pelo Adiamento.

O Sr. Carlos Bento: - Sr. Presidente, estamos de accordo quanto á questão do Adiamento. Eu pedi a palavra para dizer ao illustre Deputado, que me precedeu, que não me satisfez a explicação por elle dada, quanto á demora que houve em se apresentar o Orçamento do Ministerio da Guerra, com relação á cifra necessaria, segundo a nova organisação: é obrigação restricta, marcada pela Carta, que o Sr. Ministro da Fazenda apresente o Orçamento da despeza geral do Estado, depois de haver obtido dos demais Ministerios os Orçamentos Parciaes; e era impossivel que o Ministro não soubesse qual a organisação que se pertendia dar ao Exercito; logo, para que o Orçamento Geral, esse que a Carta manda apresentar nesta Camara pelo Sr. Ministro da Fazenda, trouxesse a verdadeira cifra precisa para o Ministerio da Guerra, devia antes esperar que se realisasse a organisação, e apresentar se, ainda que com mais alguns dias de demora, o Orçamento Geral com a competente cifra relativa a cada Ministerio. Digo pois que me não satisfez a explicação que o illustre Deputado deu

O Sr. Castro Ferreri: - Sr. Presidente, sinto que o Sr. Ministro da Guerra approvasse o Adiamento; e bem que á vista da sua declaração o não impugne,

comtudo não posso deixar de levantar-me para observar, que os illustres Deputados da Esquerda não teem razão alguma em o apresentarem, e muito menos o seu illustre Auctor; porque tendo todos os dias acoimado a Commissão de Guerra do negligente e ommissa em trazer á Camara o Parecer sobre as medidas decretadas, vem agora adiar a discussão, pretextando não estar habilitado para entrar no debate.

Sr. Presidente, o Orçamento relativo á nova organisação do Exercito ha um mez que foi mandado para a Mesa, e d'alli remettido á Commissão de Guerra; e desde então até agora ainda nenhum Sr. Deputado da Esquerda o tem pedido para o examinar. O Parecer da Commissão de Guerra foi lido na Camara ha dias, impresso e distribuido, e maravilho-me de vêr que no momento de se pôr em discussão, quem tanto anciava por entrar publicamente no seu exame, fosse o primeiro a propor o Adiamento.

Sr. Presidente, o Sr. Ministro da Guerra usa da boa fé que o caracterisa, annuindo a similhante Proposta, porque conhece que a respeito de cifras não se pode divagar, e só analysando e comparando bem o seu novo Orçamento, e que se pode chegar á realidade do calculo; não quiz suprehender ninguem, porque não carecia disso, pelo contrario a occasião lhe é bem favoravel. O nobre Presidente do Conselho disse, no momento em que se leu o Parecer da Commissão de Guerra, que uma grave responsabilidade recaía sobre a Administração, á vista da leitura daquelle documento, sendo urgente que a Camara ácerca delle se pronunciasse, e pediu a brevidade da sua discussão. É por tanto com pesar que vejo se vai differir um debate tão importante; e peço a V. Exa. que ordene a impressão do Orçamento com toda a presteza, a fim de que o espaço do Adiamento seja o mais curto possivel.

O Sr. Ministro da Guerra: - Eu devo dar uma explicação a respeito do motivo que tive para apoiar o Adiamento. Como a accusação principal que se acha neste Parecer, se basêa em cifras, não podia o Governo contrariar o Adiamento, quando se diz, que só depois de ter conhecimento destas cifras é que bem se pode entrar na discussão do Parecer: e assim não se julgando a Camara habilitada para a discussão, sem ter presentes esses esclarecimentos, nada mais justo que esperar sejam impressos, mesmo para se não dizer que se queria occultar estas cifras, e que sem se poderem avaliar houve logar a discussão do Parecer. Entre tanto, repito, o Governo anciosamente deseja que este negocio seja discutido com brevidade.

Julgou-se logo a materia discutida. E pondo-se á votação a

Proposta de Adiamento - foi approvada por 58 votos contra 17.

O Sr. Presidente do Conselho: - Sr. Presidente, eu sinto que um ponto de delicadeza da parte do meu Collega o Sr. Ministro da Guerra o levasse a annuir ao Adiamento da discussão do Parecer da Commissão de Guerra; S. Exa. viu, que na sua posição, era necessario esclarecer muito esta questão, a ponto de não deixar a menor duvida á Opposição; mas, no estado em que se achava o negocio, e tendo eu pedido a discussão deste Projecto, para que o Governo se alliviasse da responsabilidade, que sobre elle pesava, em consequencia de um Parecer, que é uma verdadeira accusação ao Governo, como eu já expliquei em outra occasião, parece-me que em de abso-