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1370 DIARIO DA CAMARA DOS ENHORES DEPUTADOS

outro foi meu contemporaneo em Coimbra, e com elle tenho algumas relações. Mas posso affirmar igualmente a s. exa. que nem de um nem de outro tive a mais leve indicação no sentido de apresentar similhante proposta.
O sr. Ferreira de Almeida: - Eu não disse que houvesse intenção do levar de assalto esta questão, mas que o facto podia dar-se; era uma simples presumpção. Para se dar ao facto todo o caracter de respeitabilidade, entendia eu que a proposto devia ser estudada por uma commissão.
O Orador: - Agradeço a s. exa. a explicação que vem confirmar mais a idéa em que eu já estava de que s. exa., por maneira alguma, era capaz de julgar que da minha parte houvesse qualquer intenção reservada. Realmente não houve, nem mesmo podia haver. Sabe s. exa. porque? Eu propuz um voto de louvor assentando as bases d'elle n'um trabalho que foi distribuido n'esta camara, ha talvez dois mezes; trabalho que eu tive mesmo o cuidado de dizer que provavelmente já estava devidamente apreciado por esta camara. Alem de que o voto de louvor era uma maneira de agradecer uma offerta tão generosa e de corresponder á extrema delicadeza de quem a fez.
Eis-aqui explicada a rasão por que eu entendi não se poder considerar isto uma questão de assalto. A idéa do sr. Ferreira de Almeida poderá ser aproveitada de futuro, mas, no caso presente, não póde ser, por isso que a questão do assalto está prejudicada, visto que os trabalhos d'aquelles dois distinctos professores foram já apreciados devidamente pela camara. (Apoiados.)
O sr. Arthur Hintze Ribeiro: - Pedi a palavra para declarar que me associo do melhor grado á proposta em discussão, pelo conhecimento particular que tenho dos illustres professores de que se trata, e pelos dotes scientificos que os ornam.
Certamente, estando em discussão um voto de louvor dado áquelles dois meus collegas, faltaria aos bons deveres de camaradagem se não fizesse esta declaração nos termos mais amigaveis.
O sr. José de Azevedo Castello Branco: - Associo-me igualmente, com muito prazer a esta manifestação da camara pelo trabalho d'aquelles dois distinctissimos professores da escola de Coimbra, trabalho que, ao mesmo tempo que honra a sua auctoridade, é um primor, pela consciencia e pela exactidão scientifica e rigor com que está feito. (Apoiados.)
Entendo que deve haver sempre algum escrupulo em votar estes louvores, mas quando haja para os abonar trabalhos d'esta natureza, entendo que a camara se honra, honrando-os. (Apoiados.)
O sr. Ferreira de Almeida: - Nunca são de mais todas as explicações que tenham por fim definir e accentuar bem a intenção com que tratâmos qualquer assumpto.
Pareceu-me que o meu illustre collega o sr. Fernandes Vaz, se preoccupou com a idéa de que eu quizesse attribuir á sua proposta, uma intenção de assalto. Não, senhor. Repito o que disse para firmar bem as minhas idéas.
Eu entendo que para a respeitabilidade, consideração e gravidade de votos d'esta ordem, elles não perdem nada, pela demora de um ou dois dias na sua apreciação ou resolução; e que o facto de uma commissão qualquer a apreciar e resolver, em nada deprimia nem a iniciativa do indivíduo que faz a proposta, nem a importância do voto que depois a camara sobre ella emitte, por isso que todos os assumptos mais ou menos importantes de que a camara se occupa costumam ser apreciados primeiro por commissões especiaes.
Tive a satisfação de ouvir os meus collegas d'este lado da camara, que são medicos, darem pela parte technica, em que são versados e habilitados, a sua opinião, mas não se pronunciaram, nem contra nem a favor do voto que eu emitti, e foi na generalidade que fallei, de que todas estas questões tinham a ganhar sempre, em ser apreciadas por commissões primitivamente, e não serem apresentadas de momento, para serem votadas. (Apoiados.)
Bem sei que a intenção não é levar as questões de assalto; assim o devo suppor, porque é esta a doutrina, emquanto se não demonstrar o contrario, que a intenção de todos nós é não levar nada de assalto nem de surpreza; mas desde que ha possibilidade de que o facto se póde dar, e sobre tudo om cousas d'esta ordem, que são sempre melindrosas, porque só este está completamente claro, outros poderão não esstar, é conveniente para a responsabilidade do voto, cercal-o de todas as manifestações de estudo de consideração e de apreciação, muito embora esse estudo, não seja senão na apparencia, mas essa apparencia, sabemos nós que é necessario guardal-a.
A qui está a explicação do facto, não significando da minha parte opposição ao voto, porque não tenho competencia para o apreciar.
(S. exa. não reviu as notas tachygraphicas.)
O sr. Ruivo Godinho: - Sr. presidente, pedi a palavra principalmente para conquistar uma occasião de fallar, porque, apesar da grande diligencia que fiz, para que v. exa. me desse a palavra n'esta sessão, não o pude conseguir; e como o sr. presidente do conselho...
(Interrupção do sr. Oliveira Maios.)
O sr. Presidente: - O que está em discussão é a proposta.
O Orador: - Eu vou entrar na matéria. Mas admiro-me muito que o meu collega o sr. Oliveira Matos me chame á ordem, quando já é costume, cada um fallar do que quer, e não d'aquillo que está discussão. (Apoiados.)
O sr. Arouca: - De mais a mais, estão sempre fóra da ordem.
O Orador: - Eu preciso dar esta explicação ao sr. presidente do conselho. Pedi hontem a s. exa. a fineza de comparecer n'esta casa, porque tinha que fazer algumas considerações sobre negocios de administração.
Póde ser que s. exa. só vivesse por deferencia ao meu pedido, e por isso não queria que suppuzesse que eu, depois de ter feito esse pedido, não empregara todas as diligencias para tratar do assumpto, para o qual pedira a presença do sr. presidente do conselho.
Ora parece-me que esta explicação podia dar-se, a proposito de qualquer assumpto.
Quanto á proposta que está em discussão, associo me tambem a ella, porque reconheço igualmente os relevantes serviços prestados pelas pessoas a quem essa proposta se refere.
Ninguem mais pedindo a palavra, foi lida e approvada a proposta.
O sr. Presidente: - Vae passar-se á ordem do dia.
O sr. Fuschini: - Peço a palavra para antes de se encerrar a sessão.
O sr. Franco Castello Branco: - Peço tambem a palavra para antes de se encerrar a sessão, rogando ao sr. presidente do conselho a fineza de não se ausentar.

ORDEM DO DIA

Continuação da interpellação doa srs. Dias Ferreira e Pedro Victor, ácerca da execução da lei que auctorisou as obras do porto de Lisboa

O sr. Pedro Victor: - Sr. presidente, como não está presente o sr. ministro das obras publicas, podia talvez v. exa. ir dando a palavra aos srs. deputados que a pediram antes da ordem do dia, até que s. exa. chegue.
O sr. Presidente: - O governo está representado pelo sr. presidente do concelho. (Apoiados da direita.)
Vozes da esquerda: - Isto não póde ser.(Pausa.)