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4 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

Alem d'isto, ainda o sr. presidente do conselho mandou ouvir a repartição de beneficencia ácerca da representação das Cuidas, e aquella repartição foi de parecer quu a representação não devia ser attendida.

O governo não fez, por consequencia, mais do que conformar-se com as informações officiaes de quem tinha competencia para as dar, e, por isso, toma por completo a responsabilidade do seu acto.

à questão está n'estes termos. Não sabe se foram apresentadas algumas propostas. Se o foram, o governo estudal-as-ha, e não deixará de ter em vista os interesses do estado.

(O discurso será publicado na integra quando s. exa. restituir.)

O sr. Arthur Montenegro: - Mando para mesa um parecer das commissões de administração publica e de legislação civil, sobre o projecto do lei n.° 48-A, desanexando para os effeitos civis o administrativos a povoação do canal da Pelota da freguezia do Louriçal do Campo concelho e districto de Castello Branco, e annexando-a freguezia de Soalheiro, concelho do Fundão.

Foi a imprimir.

O sr. Paulo de Barros: - Manda para a mesa um projecto de lei auctorisando o governo a crear na escola do exercito e na academia polytechnica uma cadeira de estatica graphica, obrigatoria para os cursos de engenheria militar e civil.

Continuando, enaltece a pessoa do sr. presidente, como uma das figuras mais respeitaveis da camara, pedindo-lhe licença para, antes do justificar o projecto de lei, que aça ha de apresentar ao parlamento, fazer umas ligeiras considerações, a que a sua condição de deputado o obriga, embora novo ainda, mas sentindo orgulho pelo circulo, que representa, e por fazer parte de um parlamento, onde as suas figuras proeminentes são honra do paiz.

Declara em seguida, que o seu discurso não é politico; visa u profissão de uma sciencia, que é nova, proveitosa para o engenheiro moderno, e que tem tido um grande incremento nas nações mais cultas da Europa e da America.

No emtanto, affirma que, apesar d'isso, não deixará de entrar com as suas forças nas questões politicas, com aquelle interesse, e mesmo euthusiasmo, que ellas merecerem, e forem de verdadeira utilidade para o seu paiz e para o circulo que representa.

O orador sustenta depois que a prosperidade e a verdadeira opulencia de um povo reside no seu desenvolvimento scientifico, que illustram e apregoam os seus homens mais notaveis.

Prosegue o orador, confiando ha benevolencia e generosidade da camara, que o amparará nos seus braços, e esperando que no coração de todos cairá a dadiva, ainda que pobre, d'aquelle que só no trabalho encontrou os mais illustres brazões do cidadão, que lhe deram ingresso na camara.

Justificando depois o seu projecto de lei, da creaç&o da cadeira da estáticagraphica, nos dois reputados estabelecimentos da escola do exercito e da academia polytechnica, faz resumidamente a historia do movimento scientifico pela Europa e pela America, e o incremento assombroso que tem tomado a profissão d'esta sciencia, nova, em todas m universidades o estabelecimentos scientificos do mundo civilisado.

Cita na Italia as universidades de Padua, Piza e Pavia, e ou estabelecimentos superiores de Roma, Napoles, Turim, Bolonha e Palermo, onde só ensina esta sciencia a tal altura, que assombra o mundo sabio.

Na França, accresconta o orador, refulge esta sciencia em numerosos cursos, professados pelos seus geometras mais illustres.

Na Suissa cita a escola de Zurich, o que ha de mais monumental. Na Austria ha cursos obrigatorios em Praga e Gratzz, e facultativos em Vienna.

Na Allemanha levantam-se aulas de estática graphica nos estabelecimentos superiores de Berlim, Aix-la-Chapelle, Mumch, Hanover e Stugartt, o ainda na escola de pontes e de caminhos de ferro de Dresde. E ainda o orador cita com elogio a Russia, Dinamarca e a propria America do Norte, onde na sua universidade do Riga, Copenhague e Cincinatti se ensina com renome tão bella sciencia.

O orador lamenta que Portugal seja, talvez, o unico paiz do mundo civilisado, aonde nos seus reputados estabelecimentos scientificos se não professa esta sciencia; e, lamenta-o, tanto mais, quanto Portugal tem avançado sempre no movimento scientifico e intellectual dos povos, aonde os seus homens de saber honram os annaes do mundo scientifico. (Apoiados.)

Não julga encargo posado para o estado a despeza feita com a creação d'esta cadeira nos dois estabelecimentos scientificos.

O seu resultado pratico é enorme. Recorda o sacrificio que faz um pae em lucta com a escassez de meios para educar o filho, e lembra ao sr. ministro da fazenda que seja o protector tambem dos nossos estabelecimentos scientificos, aonde se fazem heroes e cidadãos. (Apoiados.)

O orador traça o movimento scientifico e intellectual dos povos desde a antiguidade, e faz resaltar que as grandes conquistas da oivilisação se assignalam sempre pelo progresso do espirito humano, nas luctas da escola e da instrucção, e cita na antiguidade que a opulencia da Germania, de Tyro e de Cartbago, cairam quando os raios luminosos da sciencia e da instrucção se distingiram do seu brilho e mergulharam nas trevas da ignorancia.

O orador confia no alto valor intellectual o no patriotismo de toda a camara, esforçando-se por converter em lei um projecto tão proveitoso; á espera que a nossa situação financeira melhore dentro em breve, tendo desapparecido as sombras de uma crise, que nos tem trazido esmagado, e appella para o patriotismo de progessistas e regeneradores, e para a vitalidade do povo portuguez, na qual confia, e tanto e tanto se tem manifestado em actos de verdadeiro heroismo, como aconteceu nas ultimas guerras africanas.

E lembrando o heroismo do povo portuguez, recorda o tumulo de Santa Cruz, aonde repousam os ossos venerandos do fundador da monarchia, que estão ali, ha oito seculos, a attestar a vitalidade de uma poderosa raça, que será sempre grande. E na hora de perigo, o orador lembra que o povo portuguez mesmo assim morrerá portuguez, cobrindo-o a bandeira da sua querida patria, e entoando as estrophes sublimes dos nossos queridos Lusiadas, como os ultimos canticos da alma portugueza.

O projecto de lei ficou para segunda leitura.

(O discurso será publicado na integra quando s. exa. devolver as notas tachygraphicas.)

O sr. Presidente: - Vae passar-se á ordem do dia.

Os srs. deputados que tiverem papeis a mandar para a mesa podem fazel-o.

O sr. Fuschini: - Manda para a mesa, e peço que seja publicada no Diario do governo, uma representação da camara municipal do concelho de S. Thiago do Cacem, pedindo que seja alterada a lei de 17 de agosto de 1S99, na parte em que obriga os municipios a contribuirem de uma maneira exagerada e desigual para o fundo da assistencia nacional aos tuberculosos.

Foi mandada publicar, e teve o destino indicado no respectivo extracto, que, voe no fim da sessão.

O sr. Barbosa de Magalhães: - Mando para a mesa uma proposta renovando a iniciativa do projecto de lei n.° 45-A, apresentado em sessão de 19 de maio de 1899, pelo sr. deputado Queiroz Ribeiro, determinando que o serviço de arbitramento a que se prefere o decreto