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DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

Ha mais, sr. presidente. Houve um general que, sem ser para isso auctorisado, foi em uma noite a uma das duas corvetas inglezas, que, durante o sitio do Porto, estiveram ancoradas no rio Douro, conferenciar com um general do D. Miguel; o que, por alguns dias, produziu a desconfiança em todos os defensores do Porto que tiveram conhecimento d'este facto.

Sr. presidente, a revolução de 1846 foi a sequencia da scisão promovida no estrangeiro. O pretexto da revolução foi o ministerio d'essa epocha, com que eu, por minha parte, não sympathisava; tanto que, sendo eu mandado da divisão do norte a Lisboa, com o fim do arranjar dinheiro, calçado para os soldados, o polvora, ao entrar no Tojo o paquete inglez em que eu vinha, foram buscar-me abordo, quando o paquete ainda navegava, não deixando de admirar-me como é que se tinha sabido da chegada de pessoa de tão pequena importancia; fui conduzido em continento ao paço das Necessidades, aonde, á pergunta que me fez o sr. D. Fernando, ácerca do espirito da divisão em operações, respondi, que optimo o assim se conservaria, a não ser que aos conselhos da corôa fosse chamado o ministerio a que o actual succedera.

Direi tambem ao sr. Rodrigues do Freitas, que não foi a obediencia passiva do soldado que me levou As fileiras da rainha em 1846, porque; n'essa epocha, estava eu na 3.ª secção, pelo pedir; fui, pois, espontaneamente apresentar-me 'para combater a revolução, contribuindo, assim, com o pequeno contingente dos meus esforços, a acabar com a guerra civil, a maior 'das calamidades de uma nação; e devo declarar, por esta occasião, que os meus camaradas, com quem me achava mais ligado pelos laços da amisade, estavam, em geral, no campo opposto ao meu; e tambem vem' a proposito dizer, que tão desagradavelmente me impressionou a revolução da Maria da Fonte, como a de 6 do outubro de 1846.

Sr. presidente, o que provam os factos que narrei, sobre a scisão que lavrou nos liberaes portuguezes, é que, se não fosse o sr. D. Pedro, os 7:500 que desembarcaram no Mindello teriam acabado por uma hecatombe.

O sr: Presidente: — Hoje ha sessão ás oito horas da noite, mas começar-se-ha pela discussão dos projectos n.ºs 78 e 95, entrando-se depois na continuação da discussão do orçamento, se houver tempo.

Está levantada a sessão.

Eram cinco horas e meia da tarde.

E N.° 60

Senhores deputados da nação portugueza. — A camara municipal do concelho de Villa do Conde, tendo conhecimento de que em sessão de 24 de março passado foi apresentado um projecto do lei para que o governo de Sua Magestade ficasse auctorisado a contratar a construcção de tres linhas ferreas de bitola reduzida, uma de Famalicão a Chaves por Guimarães, Cavez e Villa Real; outra de Cavez por Amarante á linha do Douro; e outra da Regua a Villa Real por Villa Pouca, entroncando na primeira, todas na extensão total approximada de 280 kilometros, garantindo o governo o juro de 6 por cento ao anno sobre o custo das linhas construidas até ao limite maximo de 24:000$000 réis por kilometro de extensão, vem representar-vos e pedir-vos que similhante projecto seja convertido em lei, por ser da maxima conveniencia e interesse para os povos que este municipio representa.

Pede a vossas excellencias se dignem assim o haver por bem. — E R. M.

Villa do Conde, em sessão do 21 de abril de 1879. — (Seguem as assignaturas.)

E N.º 61

Senhores deputados da nação portugueza. — A camara municipal da Povoa do Varzim vem representar a esta camara para que seja convertido era lei o projecto apresentado na sessão de 24 do março, auctorisando o governo a contratar a construcção de tres linhas ferreas de bitolla reduzida, uma do Famalicão a Chaves por Guimarães, Cavez e Villa Real; outra de Cavez por Amarante á linha do Douro e outra da Regua a Villa Real por Villa Pouca entroncando na primeira e na extensão total approximada de 280 kilometros, garantindo o governo o juro de 6 por cento ao anno sobre o custo das linhas construidas até ao limite maximo do 24:000$000 réis por kilometro de extensão.'

São importantissimas o bem conhecidas d'esta camara as relações commerciaes que existem entre esta parte do Minho e toda a provincia de Traz os Montes com esta villa que é uma das mais importantes praias do banhos d'este paiz o um dos primeiros mercados do peixe de todo o litoral, e por isso vae no pedido que faz a supplicante a maxima conveniencia e interesse para os povos d'este municipio que administra. — P. a V. ex.as se dignem assim o haver por bem. — E. R. M.

Povoado Varzim, em sessão de 21 de abril de 1879. — (Seguem as assignaturas.)