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1169 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

da attitude que, em minha consciencia, entendi dever tomar em frente do ministerio que ultimamente subiu ao poder. Quando n'esta casa, em virtude da recente mudança de gabinete, se discutiu a questão politica, eu achava-me inscripto para tomar parte n'ella, e aproveitaria então o ensejo de explicar á camara, qual a minha posição a respeito do actual ministerio. Fechou se porém aquella discussão, sem que houvesse logrado usar da palavra, assim a camara permittir-me-ha hoje, quando apparece de novo a questão politica, que eu deu algumas explicações a tal respeito (apoiados).
Eu sei que é uso inveterado e antiga praxe parlamentar o entrarem n'estas altas questões politicas só aquelles que por um nome já conhecido, por uma palavra eloquente ou por uma elevada posição, como que consquistaram o privilegio de discutirem tão graves e momentosos assumptos. Esta considerações, junta ao conhecimento que tenho da minha inhabilidade, prendia-me por assim dizer d minha cadeira, e embargava-me o accesso a esta tribuna, em torno da qual a minha imaginação só via vaguear as sombras de grandes e illustres oradores. Mas acima de qualquer consideração, e mais alto do que tudo, fallou em mim a voz imperiosa do dever, e desde esse momento curvei a cabeça, dispuz-me ao seu officio affrontei o perigo, e subi a esta tribuna.
Os homens publicos, cujos nomes todos conhecem, aquelles cujas biographias todos sabem de cor, aquelles cujos actos politicos são outros tantos capitulos da historia contemporanea, esses podem furtar-se a dar explicações n'estes momentos solemnes, porque aos que pretenderem saber quaes as idéas e os principios que elles defendem podem responder evocando um longo passado, que é garante, e deve ser o espelho do seu futuro.
Mas os homens novos, aquelles cujos nomes ninguem conhece, aquelles que tem por unico passado o dia da hontem, esses devem a si mesmo, d dignidade da camara, é a consideração pelo paiz, a explicação franca e leal do seu procedimento (apoiados). É que ha momentos em que o silencio é uma covardia, e occasião era que a ninguem é licito esconder ainda da humildade de um nome o symbolo
da sua fé politica. Julguei que a hora para taes explicações tinha soado para mim, e foi por isso que pedi a palavra na ultima questão politica, e é por isso que hoje entro n'esta discussão. E tanto mais me convenci da opportunidade da occasião quanto hoje se senta nos bancos do ministerio um cavalheiro respeitavel, cuja fronte cinge a triplice corôa de poeta, de orador e de dramaturgo. S. ex.ª n'um discurso que pronunciou n'esta casa, descreveu em phrase poetica e elegante, a mocidade como uma aurora por ser aspiração á luz, como uma primavera por ser estação das flores, e emfim como uma idade priviligiada aberta aos grandes sentimentos e isenta de paixões pequenas e mesquinhas. E logo era seguida voltando-se para a maioria quo apoiava o ministerio transacto, e apostrophando-a do alto d'aquella tribuna, perguntou lhe onde estava essa mocidade?
Sr. presidente, a humildade do meu nome e da minha posição não me permittiu que eu respondesse logo á aprostrophe de s. ex.ª, mas agora que estou usando da palavra em frente de um ministerio de que s. ex.ª faz parte, não posso deixar de levantar aquellas expressões era meu nome, e creio que em nome de todos os meus collegas que formavam a phalange de homens novos que apoiavam o ministerio passado. Eu não sei se esta mocidade pode ser comparada a uma aurora por não brilharem n'ella os explendores de luz de cambiantes e de matizes que são outros tantos apanagios d'aquella hora poetica. Eu não sei se esta mocidade deve assimilhar-se a uma primavera por não lhe ver a fronte cingida da verdura e das flores que se brotam na estado dos amores. Mas o que eu sei, e o que posso affiançar á camara em nome d'esta mocidade é que não ha n'ella nem paixões mesquinhas nem rancores injustos (apoiados) que o seu coração está aberto aos mais generosos sentimentos, e que se no seu espirito existe a memoria dos erros passados, para tratar de os evitar, não está no seu animo o mais leve resentimento contra pessoa alguma. O que eu posso emfim assegurar é que estes homens novos hão de ir unidos e compactos occupar o posto de honra, onde o dever e a patria os chamarem (apoiados. - Vozes:- Muito bem.)
Eu entrei n'esta camara apoiando uma situação que tinha um certo credo politico. Para mim esse credo resumia se nas seguintes palavras: em politica a mais ampla liberdade, na gerencia dos fundos publicos a mais severa economia, na administração a mais rigorosa moralidade.
Para mim a liberdade é a unica forma de governo digna de um povo que preza a sua rasão e a sua dignidade. N'esta parte estou de accordo com as palavras eloquentes que ha dias proferiu o sr. Corvo a tal respeito. E para mim a liberdade, como forma de governo, é não só um principio filho d'este instincto natural que a tal respeito todos temos, mas é mais do que isso o resultado de algum estudo que tenho feito, e da pouca experiencia que já possuo. Assim posso dizer, que para mim a liberdade é mais do que um sentimento porque é uma convicção. Se porem me parece facil inscrever n'um codigo politico a liberdade como principio, parece-me mais difficil faze-la manter como instituição, o respeitar como culto. De facto no inicio de um d'esses grandes cataclysmos sociaes, chamados revoluções, quando a onda popular, galgando acima de tudo, submerge n'um vortice tenebroso as leis, os neos, os habitos e as instituições do passado, quando n'essa abysmo rolam muitas vezes as corôas dos reis e os privilegios dos grandes, e facil que um homem, levantando-se acima de tudo e de todos, e erguendo aos ceus os braços de que ainda pendem as algemas da servidão, solte a palavra liberdade como unico remedio para tantos males; e aponto para ella como estrella polar no meio da cerração! Mas quando a sociedade volveu ao estado normal, quando as vozes das paixões generosas e das grandes coleras emudeceram perante as dos interesses pequenos e das ambições mesquinhas, quando os tribunos cederam o logar nos negociantes, quando o foram se transformou em mercado, no meio em fim d'este viver regular, monotono e, por assim dizer, prosaico, é preciso que o povo tenha uma grande energia de caracter, uma iniciativa incansavel e uma alta probidade, para que a liberdade seja não a divisa de um partido, mas a bandeira de toda uma nação. Por isso entendo eu que ao governo cumpre tratar de elevar o nível moral e intellectual do povo, porque d medida que a illustração for subindo, ha de ir tambem crescendo o amor á liberdade.
E esta missão comprehende-se entre os deveres do estado, porque lhe compete proteger a sociedade contra todos os ataques, não só na ordem material, mas sobretudo na ordem moral, contra as más paixões, contra a ignorancia e contra a [...]. E tudo isto se obtem, dando o governo o exemplo do respeito ás leis, cumprindo escrupulosamente todos os princípios constitucionais, derramando-se a instrucção publica, desenvolvendo-se a educação popular, descentralisando-se os serviços, para que cada um cumpra os deveres sociaes que lhe competem, collabore com os seus actos para a governação do paiz, e tome emfim a responsabilidade moral e legal, que n'um regimen adiantado, a todos deve caber (apoiados).
A economia, para mim, é o unico systema financeiro digno de tal nome. E note a camara que eu digo economia, e não economias. É que para mim a economia é um princípio de governo, emquanto as economias como cortes nas redundancias e nas excrescencias de orçamento, não são mais de que manifestações d'aquelle princípio. Para mim a economia é o governo limitando a sua acção aos seus fins proprios, proteger e administrar justiça - é a iniciativa individual substituindo a intervenção do estado - é o capital