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DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS
accordo, e estamos nós todos. (Apoiados.) E d'ahi vem a minha guerra ao gabinete.
Eu não quero condemnar o paiz á immobilidade, e desadoraria tos governos que julgassem que o paiz havia de progredir parando com os melhoramentos publicos, e deixando de desenvolver as forças productivas da nação. (Apoiados.)
Mas eu quero governar o meu paiz, tanto quanto possivel, como governo os bons dos meus filhos.
Eu desejo que os meus filhos vivam com todas as commodidades e com todas as vantagens do mundo.
Mas, apesar do amor que lhes dedico, e dos extremos com que os trato, não posso proporcionar-lhes todos os commodos o todos os confortos da vida.
Antes do tudo averiguo se posso pagar as despezas que custa a carreira a que os destino.
Não tenha o governo mais cuidado pela civilisaçào do paiz, do que eu tenho pela sorte dos meus filhos.
Eu fiquei tão surprehendido com a asseveração de que por minha causa começara a duvidar-se lá fóra dá seriedade do governo portuguez, que li e reli uma e muitas vozes o extracto do Jornal do commercio sem poder acreditar o que lia.
Eu não podia esperar da parte do partido regenerador uma arguição tão inexacta, como iníqua'.
Era o partido regenerador o ultimo de quem eu esperava uma accusação tão injusta.
Mas creia o governo, que as settas, que me dirigiram, hâo de cravar-se profundamente no peito do partido regenerador. (Apoiados.)
Não gosto de fallar de mim; evito, quanto possivel, os nomes proprios, até com respeito aos meus collegas. Mas não posso deixar correr a minha defeza á revelia, principalmente tendo sido aggredido do um modo tão insolito, tão iníquo o tão cruel. (Apoiados.)
Sr. presidente, não eram decorridos dois annos depois que eu, no dizer da situação, havia arrastado o credito publico pelas praças do Londres, o tinha praticado taes attentados na gerencia da fazenda publica, que se começava a suspeitar lá fera da seriedade do governo portuguez: não eram decorridos dois annos, repito, quando o marechal Saldanha fazia uma revolta militar, e era encarregado de organisar um ministerio.
Convidou-me aquelle distincto general para sou collega no gabinete que lá formar. Recusei-me abertamente a fazer parte de um governo, em substituição de outro que eu não tinha ajudado a derribar.
Entravam, horas depois, em minha casa, honrando me com essa prova de consideração, muitos dos homens mais importantes do partido regenerador, e convidavam-me a entrar no ministerio, tomando a meu cargo a pasta da fazenda, o declarando-me que o meu sacrificio n'aquelle momento era indispensavel ao governo da nação... (Vozes: — Ouçam, ouçam.)
D'esses cavalheiros não tem hoje voz n'esta casa senão o meu antigo amigo o sr. visconde da Arriaga, e o sr. ministro do reino, que n'esse tempo era ainda deputado, e que hoje tem assento na outra casa do parlamento.
Ponderei todas as circumstancias que me impediam de fazer parto do novo gabinete, sendo uma d'ellas o não ter derribado o ministerio demissionário, porque foi sempre minha opinião que os ministerios devem ser substituidos por quem os derribar. (Apoiados.)
E aquelles cavalheiros, que procuravam o meu concurso, não por motivos de ambição, mas por estarem inquietos com a situação, e receiosos de quaesquer consequencias ulteriores, julgavam indispensavel a minha entrada para a pasta da fazenda n'um momento que reputavam do perigo para a patria.
Pois eu era tão indispensavel para tomar conta da pasta da fazenda n'uma situação que inquietava o partido regenerador, e que muitos reputavam perigosa, não sei se com rasão, se sem ella (porque não discuto agora esse ponto), com as unicas habilitações previas de ter desorganisado a fazenda publica no 1.° semestre do anno civil do 1868? (Apoiados.) Pois n'um momento de perigo para a patria reputava se indispensavel que tomasse conta da pasta da fazenda exactamente o homem que, não eram decorridos dois annos, tinha arrastado o credito da nação nos mercados do Londres, e feito suspeitar da seriedade do governo portuguez? (Muitos e repetidos apoiados.)
Não sabem todos porque foi publico no parlamento que ainda no anno passado recebi os mais importantes testemunhos de consideração da parte do chefe do governo? (Apoiados.)
Quereria o illustre chefe do partido regenerador associar o seu nome ás responsabilidades de um homem, que tinha arrastado nas praças de Londres o credito da nação portugueza? (Apoiados)
Nunca esperei que da parto do partido regenerador, que tenho sempre respeitado, a quem tenho prestado com a maior abnegação os serviços que tenho podido, e que nunca calumniei (nem eu costumo calumniar ninguem), me viesse uma accusação tão acerba, tão iniqua, e tão revoltante contra a verdade dos factos. (Muitos apoiados.) Mas a unica garantia da administração financeira do 1.° semestre do anno civil de 1868 não era só eu.
Não fallo só por mim.
Fui o ministro da fazenda nos primeiros mezes de 1868, e fui ministro sem vontade de o ser. Cheguei a indicar ao nobre chefe d'aquelle gabinete o nome de um cavalheiro respeitavel, que já não vive, para tomar o meu logar.
Eu não gosto de posições ostentosas e elevadas, quando a minha consciencia me brada que não poderei desempenhar cabalmente a minha missão. Mas, como eu ía dizendo, fui ministro da fazenda na primeira metade do anno de 1868, contando apenas trinta annos de idade, e sem grande familiaridade com os negocios financeiros. Portanto, o meu nome e a minha capacidade não seriam penhores seguros de uma gerencia prudente.
Estava, porém, á frente do governo o sr. conde d'Avila, que todos conhecem pela sua respeitabilidade dentro e fóra do paiz. (Apoiados.) Pôde porventura dizer-se que um homem coberto do honras e de distincções por todos os governos, peles seus serviços assignalados á nação, no desempenho das mais elevadas e difficeis commissões, quizesse tambem deixar arrastar o credito da nação portugueza nos mercados de Londres? (Apoiados.)
Pois as grandes operações financeiras, que era necessario realisar frequentes vozes, podiam ser estranhas a um homem d'aquella competencia, que tinha sido tantas vezes ministro da fazenda, e que occupava então o logar do presidente do conselho? (Apoiados.)
Pois o sr. duque d'Avila, que não podia deixar de sabor o de intervir nos negocios mais delicados, da situação melindrosa em que então nos achavamos, poderia conservar-se durante todo aquelle ministerio cem um collega que. deixava arrastar nos mercados estrangeiros o credito da nação? (Muitos apoiados.) Sem fazer injuria aquelle cavalheiro, e ao proprio paiz, que tantas vezes o tem honrado com os mais valiosos testemunhos de consideração, não póde -dizer-se que foi exactamente a primeira administração, que elle presidiu, que deixou, arrastar o credito dá nação "portugueza no mercado de Londres, e que deu causa a que ss começasse a suspeitar lá fóra da seriedade do governo portuguez?
Se o sr. duque d'Avila estava implicado em tão gravo responsabilidade, como é que o partido regenerador o apoiou em 1871? Pois apoia-se a situação presidida por um homem que tres annos antes deixara arrastar o credito do paiz nos mercados estrangeiros! (Apoiados.)
Como eu os vi aqui em 1877, diante do sr. duque d'Avila, apesar do contrapeso, que elle tinha comsigo, que
Sessão de 30 do abril do 1879