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DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

me que eu lhe diga que, quaesquer divergencias que possa 1 haver entre o governo e um ou outro deputado da maioria! sobre a sua gerencia do dez annos, não me parecem motivo para se dizer que estão rotas as boas relações que existiam entre o governo e a sua maioria. E, se assim é, que tenho eu com a opinião do illustre deputado sobre a gerencia do sr. Dias Ferreira?

Nem eu podia, digo francamente, n'este ponto, partilhar as idéas do illustre deputado e meu amigo, o sr. Lopo Vaz, porque já n'esta casa eu tinha fallado no sentido de muitas das apreciações apresentadas pelo illustre deputado, o sr. Dias Ferreira, emquanto á sua propria gerencia. Os calculos que s. ex.ª citou de que os seus emprestimos sáiam | a' 8 1/2 por cento, termo medio, já eu os fiz, e fil-os para; mostrar que sois mezes ou um anno depois os emprestimos, j em logar de sairem, termo medio, a 8 '/a por cento, saíram a 24.

Se alguem tem de responder ao illustre deputado, não sou eu. (Apoiados.)

Levantei-me unicamente para dizer estas palavras, para mostrar que não tinha obrigação alguma, como ministro da corôa, do responder ao illustre deputado, nem ora occasião para isso. (Apoiados.)

Se alguem transformou esta discussão n'uma discussão de resposta ao discurso da corôa, de certo que não fui eu.

Sou accusado de dizer pouco, mas parece-me que tenho dito o sufficiente. Mesmo em relação á arguição que me fez o illustre deputado, do que não respondia quando me perguntava quaes eram os meios e quaes as medidas que contava apresentar ao parlamento para acabar com o deficit, respondi precisamente; do que me não lisonjeio é de ter satisfeito o illustre deputado.

Tambem não sou culpado de algumas vezes não poder assistir ás sessões d'esta casa e ter de responder a s. ex.ª na sua ausencia.

Nada mais tenho a dizer.

Vozes: — Muito bera.

(O sr. 'ministro não reviu este discurso.)

O sr. Visconde de Moreira de Rey. Com o discurso do nobre ministro da fazenda desanimei e arrefeci. (Apoiados.)

Todavia, ainda me faltava a experiencia pratica d'esta nova desauctorisacão do systema parlamentar. (Apoiados.)

A maioria acaba de ver executado pela alta justiça do unico ministro presente um dos seus membros de maior talento e de maior merito, e a maioria assistiu, impassivel ou contente, a esta execução!

Argue-se um deputado governamental de, em defeza do governo, ter feito accusações manifestamente contrarias á verdade dos factos, e tão contrarias, que lhe seria absolutamente impossivel provar o que affirmou!

Arguido por esta fórma, ainda que com as cautelas ou restricções que impõe aos mais habeis a manifestação do pensamento n'esta casa, o nobre ministro da fazenda, chamado á autoria como responsavel pelas doutrinas da maioria que o defendo, não só declina toda a responsabilidade, mas junta-se aos seus adversarios, o não hesita em declarar que um dos seus mais esforçados guerreiros não só foi condemnado, e bem condemnado, pelo sr. Dias Ferreira, mas até já tinha sido previamente condemnado pelo proprio ministro, quando n'esta casa expoz o mesmo que o sr. Dias Ferreira acaba do allegar e de provar em sua defeza.

Quando o governo assim trata a maioria, e quando ella applaudo esse tratamento, o espectaculo é triste para quem considera o abatimento a que chegou o systema parlamentar.

Eu lembro aos meus collegas, que constituem a maioria, que o que aconteceu hoje ao sr. Lopo Vaz póde ámanhã acontecer a todos os outros.

E desde que um governo impunemente faz isto á cama ra dos representantes do paiz, é doloroso, mas é forçado concluir, que > nação não tom representação verdadeira,

porque quem aqui está, ou o sangue se lhe gelou nas veias, ou representará tudo, menos aquelle patriotismo portuguez, natural nos filhos d'este paiz, generoso e ardente, que não deixa, nem consente, a nenhum dos que o sentem, ser tratado era publico por esta fórma. (Apoiados.)

Que auctoridade terão as leis votadas n'esta casa, com esta solidariedade do idéas, com esta uniformidade de pensamento, com esta responsabilidade commum, tal qual acaba de ser definida pelo representante do governo, unico que nos faz o favor de apparecer n'esta casa, durante a discussão da mais importante das medidas de fazenda? (Apoiados.)

Na questão de facto o nobre ministro, discordando do sr. Lopo Vaz, concordou com o sr. Dias Ferreira.

Porém, mostraria apenas o sr. Dias Ferreira no seu discurso, que eram injustas, contrarias á verdade dos factos, as accusações que lhe tinham sido feitas?!

O discurso do meu illustre amigo não precisaria de resposta immediata e categorica sobre outros pontos, e pontos muito importantes, precisos e designados?! (Apoiados)

Não só o discurso precisava de resposta, mas não a podia dispensar; e o governo só se dispensaria de responder no caso unico, que julgo possivel o proximo, de estar na perspectiva do adoecer ou de abandonar o seu posto, não segundo o systema parlamentar, mas segundo o systema ultimamente descoberto, de se retirar por doença, ou para tomar ares e convalescer. (Apoiados.)

Apparece-nos por parte do governo, para discutir o orçamento um ministro, que resolveu não fallar, que resolveu não discutir, não responder! (Apoiados.) E que ao mesmo tempo, quando se levanta forçado a dizer poucas palavras, em vez de responder ás questões que se discutem, procura ensejo manifesto para deslocar a questão para um campo irritante e completamente separado da apreciação da gerencia financeira do governo. (Apoiados.)

Pois o que fez o outro dia o nobre ministro da fazenda quando respondeu ás arguições que eu lhe dirigi, porque deixou de tomar o logar que lhe competia, perante uma proposta tendente a preferir o systema republicano ao systema monarchico-representativo?!

O que fez o sr. ministro da fazenda? Levantou-se e declarou por tal fórma, que eu confesso a v. ex.ª que estivo bastante tempo sem entender o que s. ex.ª queria dizer, que eu tinha sentido mais o discurso e a declaração do sr. Luciano de Castro do que a falta do resposta por parto do governo.

Ora, para v. ex.ª poder julgar quanto foi infundada e injusta a declaração do sr. ministro da fazenda, eu declaro que muito antes de o sr. Luciano do Castro pedir a palavra, muito antes de eu a pedir tambem, quando o sr. Rodrigues de Freitas expunha as suas idéas e o governo deixava de responder, levantei-me do meu logar e fui ter com o sr. Luciano de Castro o ponderar-lhe quanto me parecia conveniente e indispensavel não deixar sem resposta o sem impugnação o discurso a que o governo não respondera; e invoco 'o testemunho do sr. Luciano de Castro.

O sr. Luciano de Castro: — Apoiado.

O Orador: — Maguou-me o discurso do sr. Luciano de Castro! Emquanto elle não tinha pedido a palavra, eu pro-curava-o e expunha-lhe a conveniencia de fazer um discurso que me havia do incommodar! Era um incommodo de genero novo, que eu tinha o cuidado de ir promover, procurando-o por iniciativa propria!

Mas o que esperava o sr. ministro da fazenda tirar d'aqui? Os fados o demonstram. O systema seguido por um dos mais illustres oradores da maioria em uma das ultimas sessões, não é, a meu ver, mais que o desenvolvimento do systema iniciado pelo sr. ministro da fazenda.

E o systema, a que me referi n'esta casa logo no principio das sessões de que o governo, para poder viver, procurava lançar a discordia o chamar á lucta os grupos da