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DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

opposiçâo uns contra os outros, para ver se evitava a guerra contra si. (Apoiados.)

Nós todos reconhecemos nos membros da maioria, e especialmente nos do governo, uma intelligencia superior; mas este reconhecimento não póde ser levado até ao ponto de nos acharmos dispostos a conferir a s. ex.ªs o exclusivo ou o monopolio de toda a intelligencia; e, quando o governo espera, em vez do dirigirmos todas as armas contra elle, a guerra entre os diversos deputados opposicionistas, corresponde ao reconhecimento que nós lho fazemos de uma intelligencia superior, com a suspeita de que, estando a intelligencia toda da parte do governo, do lado contrario está a imbecilidade ou a loucura. Desengane-se o nobre ministro de que não póde este meio produzir o resultado que o governo espera, e, ainda que podesse produzil-o, permitta-me que lhe diga que o emprego d'este meio, se porventura fosso licito, não era digno.

O governo deve manifestar as suas idéas, mostrar que está á altura da sua missão, explicar ao paiz como espera pagar uma despeza de 30 com uma receita de 27; não deve illudir as respostas a este respeito.

Eu, lendo uma das sessões, em que não estive presente, e publicadas ultimamente, vi que o sr. ministro da fazenda, não se tendo dignado responder-me, na occasião em que eu acabei de fallar, aproveitou depois para me dar resposta sobre certos e determinados pontos a occasião em que eu estava ausente d'esta casa; servindo-lhe tambem esse ensejo para lamentar a minha ausencia, o que eu deveras commovido sinceramente agradeço. (Riso.)

Então disse, e quasi era escusado dizer, que contava para salvar a deficiencia do orçamento com o recurso ao credito.

E á objecção que eu lhe punha, objecção justificadíssima, porque é fundada no estado actual não só do nosso paiz, mas da Europa; á objecção que eu lhe punha; fazendo-lhe sentir a possibilidade de encontrar difficuldades no recurso ao credito, respondeu s. ex.ª que esse argumento provava de mais; porque aquillo que impedisse o governo portuguez de recorrer ao credito, havia do impedir tambem os paizes estrangeiros que se acham nas mesmas circumstancias.

Ora, é para mim muito notavel este amor do governo pelas nações estrangeiras, amor excessivo, que só se explica pela falta de cuidado, pela falta de interesse, que lhe inspira este paiz.

O governo acha-se tão absorvido pelas finanças alheias, que a maior inquietação para o nobre ministro da fazenda, se não poder recorrer ao credito para saldar o desequilibrio do orçamento portuguez, não são as consequencias que para Portugal podem resultar da falta de cumprimento dos seus deveres, mas sim a apprehensão, o susto de que outro tanto aconteça aos paizes estrangeiros.

Sr. presidente, ao ver um tal sentimento, realmente notavel, nasce vontade de fazer exportar, com grande magua nossa, o sr. Antonio de Serpa para ministro da fazenda das nações estrangeiras, de um d'aquelles paizes que podem ver-se reduzidos á calamidade de talvez não saberem

como hão de resolver as suas difficuldades financeiras. (Riso.)

Eu desejava que s. ex.ª tratasse de resolver a questão do deficit no paiz em que governa, e desse a esse respeito á camara explicações completas e terminantes, declarando o modo como espera realisar o equilibrio do orçamento, e se s. ex.ª o não quizer dizer durante a discussão do orçamento, depois que se tiver demonstrado que toda a sciencia do governo é impotente para conseguir, e mesmo para indicar o meio de chegarmos a esse resultado, depois do ou ver que essa sciencia nada produz e nada diz, em outra occasião direi tambem qual me parece o meio de chegarmos a esse resultado, que o sr. ministro da fazenda talvez não consiga, principalmente porque com todo o cuidado parece que evita conseguil-o.

Tenho dito.

Vozes: — Muito bem.

O sr. Lopo Vaz: —... (O sr. deputado não restituiu o seu discurso a tempo de ser publicado neste logar.)

O ir. Dias Ferreira: — Para mim o incidente está terminado.

O illustre deputado, convidado a dar as provas da accusação, que fizera, de ter sido arrastado o credito do paiz em Londres, respondeu apenas que tinha feito uma apreciação pessoal.

Discutiu depois uns assumptos que não percebi, parecendo-me que se referia á juncção de alfandegas, o á extincção de juntas de deposito publico, e acrescentou que não fallava n'outras cousas mais, não sei por que.

Pedi portanto a palavra só para rogar a s. ex.ª que, se alguma cousa mais tem a dizer, a não omitia, porque a peior cousa que se póde fazer n'um parlamento são as reticencias com o—-mas. (Apoiados.)

Eu não quero favores de ninguem n'este logar. Se s. ex.ª tem mais alguma cousa a dizer que o diga, porque eu lhe responderei como lho respondi a respeito do credito em Londres. Não fico no mas.

O sr. Julio de Vilhena: —...(O sr. deputado não restituiu o seu discurso a tempo de ser publicado n'este logar.)

O sr. Presidente: — A ordem do dia para ámanhã é trabalhos em commissão.

A noite haverá sessão, começando ás oito horas e sendo a ordem dos trabalhos a mesma que estava dada para a ultima sessão nocturna.

Está levantada a sessão.

Eram cinco e tres quartos horas da tarde.

Rectificações

No discurso do sr. Alfredo Peixoto, publicado na sessão de 2 de abril, a pag. 1083, col. 2.ª, linha 34, onde se lê = 6:7000000 réis==leia-se== 1:100$000 réis.

No discurso do sr. Bocage, a pag. 1439, onde se 10 = O sr. Pinheiro Osorio: — Em Lamego ha uma associação commercial = deve ler-se =O sr. Pinheiro Osorio: — Em Lamego ha uma sociedade agricola. =

Sessão de 30 de abril de 1879