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DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS 1574-N

Sr. presidente, chegamos a um periodo em que o partido progressista esqueceu completamente as tradições de economia e moralidade, que apregoava como divisa gloriosa da sua bandeira. (Apoiados.)O partido progressista parece apostado a renegar, de todo em todo, o programa politico que elaborara nas amarguras da opposição para ser o norte da sua carreira governamental, quando fosse chamado aos conselhos da corôa. (Apoiados.) Os homens que, sentados hoje nas cadeiras do poder, ousam queixar-se, com palavras descompostas, das injurias e das calumnias da imprensa periodica, não se lembram dos tempos, que não vão longe, em que atiraram punhados de lama aos mais prestimosos e honrados homens publicos do paiz e em que não pouparam a esta guerra de diffamação a propria pessoa do Rei irresponsavel. (Apoiados.)

E têem a coragem de se apresentar agora como juizes da imprensa e como martyres dos seus desvarios, elles que deviam sentir vergar os hombros ás mais tremendas responsabilidades da palavra. (Apoiados) Não respeitaram o manto real, e queixam-se agora de que lhes não respeitem as fardas agaloadas. (Apoiados.)

Queixam-se do que lhes apraz chamar campanha de diffamação pela imprensa, e esquecem-se de que envenenaram esta instituição, convertendo-a em patibulo de todas as reputações honestas desde o mais humilde funccionario do estado até ao supremo magistrado da nação. (Apoiados.) Levantaram até o throno a onda da diffamação. (Apoiados.) Não se pejaram de escrever que o braço da monarchia, que fundara a nossa nacionalidade e reconquistara a nossa independencia, se estendia agora para assignar o pacto de escravidão com o estrangeiro e para pesar sobre as folhas de um processo infamante. (Apoiados.) A figura magestosa e pura da monarchia portugueza, adorada pelos chefes mais eminentes do partido progressista, pelo duque de Loulé, marquez de Sá e bispo de Vizeu, foi desprestigiada e aviltada pelos novos representantes d'esse partido de tradições honestas.

E agora coroam a sua obra de descredito, aconselhando ao chefe do estado, que têem procurado enxovalhar, a assignar o seu nome venerando nos diplomas escandalosos do porto de Lisboa. (Apoiados.)

Enganam-se, todavia, se pensam que não ha de terminar esta politica de calumnia e de negociata. Ha ainda n'este paiz braços sufficientes e robustos para os expulsar das cadeiras do poder e abrir um caminho de legalidade e de moralidade. (Apoiados.)

A figura nobre e altiva de Fontes, que os progressistas tanto se esforçaram por abater em vida, surgirá do tumulo em que dorme a paz dos justos, para animar o coração dos verdadeiros patriotas. E quando o partido regenerador, inspirando-se nos ensinamentos do grande mestre, restabelecer o imperio da lei, da moralidade e da economia nas regiões do poder, o sr. Emygdio Navarro, irritado pelo confronto que fizer a consciencia publica entre a nossa administração e a sua, ha de resuscitar os velhos processos da calumnia, que foram e hão do ser o caracteristico da sua indole politica. Mas nós, conscios da nossa força moral, responderemos ao diffamador impenitente que se levantar no nosso caminho, com a antiga phrase do sr. Navarro, no tempo da vida nova: "Os cães ladram, mas a caravana passa".

Vozes: - Muito bem, muito bem.

(O orador foi muito comprimentado.)

(O orador não reviu o seu discurso.)