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DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

amigos, das sympathias proprias e das do sua familia, do um de cujos membros sou amigo sincero ha muito, foi vencido por uma consideravel maioria na luta eleitoral no circulo de Aveiro, terra da sua naturalidade. Esta derrota não foi obra das auctoridades do governo, pois nem o sr. conselheiro José Luciano diz que o governo o tenha guerreado n'essa eleição, ou lhe haja negado o apoio necessario para respeitar a liberdade do voto. Ainda assim, esta derrota não significa falta de sympalhia ou de consideração. (Susurro.)

O sr. Presidente: — Antes da ordem do dia, os srs. deputados têem o direito de apresentar as considerações que quizerem; mas não ácerca de eleições approvadas, sobre as quaes a camara já interpoz a sua opinião (apoiados).

O sr. deputado mandou a sua proposta para a mesa e póde justifica-la como quizer, tuas não divagar tão largamente.

O Orador: — Reclamo para mim a ampltude da discussão que tem sido concedida aos meus illustres collegas,

O pr. visconde do Moreira do Rey ainda ha poucos (lias fez mui largas considerações de natureza analoga. Pertence-me necessariamente o mesmo direito (apoiados).

Na occasião opportuna direi a v. ex.ª a rasão por que sou forçado a seguir este caminho. Se eu não levantatse aqui esta questão, sr. presidente, deixaria de cumprir um dever imperioso, como já indiquei aqui, e não seria digno de representar n'esta camara o circulo que me elegeu.

Agora vou continuar as minhas observações, justificando a minha proposta, que se refere especialmente ao circulo de Monsão.

N'este circulo ha duas familias muito influentes, respeitaveis e consideradas, a de Pias e a de Rhodas. Conquistaram a estima, a consideração e os affectos de num grande parte do circulo, pelas ruas grandes fortunas, pelos seus caracteres honestos e virtuosos, e pulos favores e serviços que hão prestado a particulares e no estado sem remuneração.

Estas duas familias deram o seu apoio ao candidato adverso ao partido historico, a um dos cavalheiros mais distinctos do meu districto, e representante de um dos nomes mais veneráveis do nosso paiz.

O sr. Presidente do Conselho de Ministros: — Apoiado.

O Orador: — Este cavalheiro, que é o nosso illustrado collega o sr. dr. Correia Caldeira, já havia representado aquelle circulo n'esta camara.

O partido historico foi á uma com o nomede um dos seus membros, de um cavalheiro de Vianna do Castello. Este candidato era protegido por uma das parcialidades do circulo. Travou-se a luta, e o partido historico foi vencido ainda n'este circulo.

O illustre deputado por Abrantes alludiu hontem a um facto occorrido na assembleia eleitoral de Moreira, assembléa em que e altamente importante a influencia da casa de Tias. Se eu não conhecesse já o caracter honrado do illustre deputado, poderia persuadir-se de que e. ex.ª não havia sido leal na exposição do facto; mas felizmente conheço-o, e bem, e posso então affirmar que foram inexactas e incompletas as informações que s. ex.ª recebeu.

Leu hontem o illustre deputado uma sentença, que não fera a importancia que s. ex.ª lhe attribue, e provavelmente lhe deseja. Esta sentença não transitou ainda em julgado, porque o agente do ministerio publico recorreu para a relação do Porto, de cuja decisão está pendente a questão.

Vou agora narrar muito succintamente o facto que occorreu.

Na assembléa de Moreira, na occasião do acto eleitoral, entraram tres homens que não estavam recenseados nali e perturbaram a ordem devida ao logar e ao acto. O presidente chamou-os á ordem pela primeira vez e elles sentiram-se então animados por um vivo fervor religioso, declarando que estavam fazendo oração.

Era muito tumultuosa esta oração, o com ella impossivel a regularidade do acto eleitoral, e o presidente, querendo fazer respeitar a lei, chamou-os á ordem pela segunda vez. O tumulto tomou então o caracter de ludibrio contra o presidente da assemblea, e este, depois de have-los chamado á ordem pela terceira vez, requisitou a sua privão em respeito á lei e á dignidade do povo.

Sem esta precaução a ordem publica seria alterada, pois era sabido que taes eram os intuitos d'estes 1res cidadãos.

Eis o facto gravo, sem mais commentarios, de que nos fallou o pr. Santos e Silva. Foi um acto de necessaria previdencia, ou antes prevenção.

O sr. Presidente: — Eu tenho necessidade de chamar ainda outra vez o sr. deputado á ordem, por estar discutindo os actos eleitoraes que não estão em discussão.

Mandou para a mesa, embora com o nome de proposta, um requerimento que não póde estar fundamentando por tanto tempo, porque o que s. ex.ª diz n'elle é (leu). Isto e exactamente um requerimento. O sr. deputado tem estado foliando durante vinte minutos sobre materia eleitoral, e n'esta occasião não me parece conveniente que continue n'esse assumpto.

O Orador: — Estou justificando a minha proposta como devo.

Entendo que qualquer de nós tem direito a que das repartições publicas lho sejam reméttidos certos documentos que lhe sejam necessarios, mas sómente os necessarios. Estou mostrando a necessidade do documento a que se refere a minha proposta.

O sr. Presidente: —O sr. deputado concluiu?..

O Orador: — Não conclui ainda, como v. ex.ª sabe pelo que tenho dito, excepto se a auctoridade de v. ex.ª me retira a palavra.

O sr. Presidente: — Já disso ao sr. deputado os limites dentro dos quaes se devo circumscrever. Não quero conectar a sua liberdade, mas devo declarar que tem estado fallando durante vinte minutos ácerca de uma eleição que ha muito tempo está approvada, e cujo representante está n'esta casa.

O Orador: — Não fui eu quem levantou esta questão.

O sr. Presidente: — Pela terceira vez peço ao sr. deputado que não interropem, e que tenha a bondade de circunscrever as suas observações, para não ficarem de todo privados outros srs. deputados que têem pedido a palavra para antes da ordem do dia. D'aqui a pouco dão as duas horas, o eu corto-lhe de certo a palavra pura se entrar na ordem do dia.

O Orador: — Continuarei as observações que ía fazendo, procurando ser breve, mas sem ceder qualquer dos meus direitos. E dever meu defende-los a todos.

Agora vou narrar á camara um facto muito importante, para que chamo a sua-attenção.

Vozes: Ouçam, ouçam.

O Orador: — As jnnellas da casa de um cidadão muito respeita vil, do reverendo padre João Nunes, reitor de Riba de Mouro, foram atravessadas por balas na vespera do dia da eleição, porque este cavalheiro protegia com a sua influencia, que é importante, o candidato adverso ao partido historico!..

Uma voz: — Quem foi que deu os tiros?..

O Orador: — Não sei quem deu os tiros, nem desejo saber, nem quero conhecer esses benemeritas cidadãos; mas se o illustre deputado deseja saber os seus nomes, dirija-se alguem de Monsão, que os seus desejos sei ao assim satisfeitos.

As janelas do respeitavel sacerdote foram assim atravessadas por balas, e os auctores d'este crime, como se estives? em certos da impunidade, não pararam n'elle.

Passados dias depois da eleição, foram por elles destruidas paredes, vinhas e hortas, propriedades do mesmo sacerdote.

Constando que o cavalheiro assim offendido queria re-