1642
DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS
linas ou em letras sobre as praças do Lisboa ou do Montevideu respectivamente.
Art. 11.° Para a melhor execução d'este convénio, as direcções geraes dos correios das partes contratantes farão de commum accordo um regulamento, o qual poderá ser modificado sempre que se julgue necessario.
Art. 12.° Este convénio será posto em execução no dia que for designado por ambas as direcções geraes de correios, de Portugal e da republica orientai do Uruguay, e continuará em vigor até que uma das duas partes contratantes notifique á outra com um anno do antecedencia sua intenção de lho ror termo.
Art. 13.° A presente convenção será. ratificada, e a troca das ratificações terá logar em Montevideu o mais breve que for possivel.
Em fé de que os plenipotenciarios respectivos assignaram em duplicado a presente convenção e lhe pozeram o sêllo de suas armas.
Feita em Montevideu, aos 21 dias do moa de setembro do anno de 1878. = Visconde da S. Januario = Gualberto Mendez. — (Logar do sêllo.)
Está conforme. — Secretaria (Votado dos negocios estrangeiros, em 18 de março de 1879. = O conselheiro subdirector, Jorge Cerar de Figanière.
Foram enviadas ás commissões.
O sr. Visconde de Sieuve de Menezes: — Mando para a mesa uma proposta com respeito ao methodo do João de Deus.
ORDEM DO DIA
Entrou em discussão o orçamento do ministerio da guerra
Capitulo 1.° — Secretaria d'estado....... 47:267$870
Foi approvado. Capitulo 2.° — Estado maior do exercito o
commandos militares................ 100:491$768
Foi approvado. Capitulo 3.° — Corpos das diversas armas 2.827:318$303
O sr. Adriano Machado: —... (O sr. deputado não restituiu o seu discurso a tempo de ser publicado n'este logar.)
Leu-se na mesa a seguinte
Proposta
Proponho que a força publica no proximo anno economico seja reduzida a 13:000 praças de pret. = Adriano Machado.
Foi admittida.
O sr. Sá Carneiro: — Como o illustre deputado que acaba de fallar declarou que tinha pedido a palavra para entreter o tempo até que chegassem os athletas da opposiçâo para combater o orçamento do ministerio da guerra, prescindo da palavra n'este momento, e reservo-me, depois de ouvir as mais illustrações da opposiçâo, para responder como poder.
O sr. Pinheiro Chagas: — V. ex.ª deve comprehender que a declaração acabada de fazer pelo nosso illustre collega o sr. José Paulino do Sá Carneiro colloca-me n'uma situação extremamente desagradavel.
Não sou de maneira alguma athleta da opposiçâo, e estou convencido que o sr. Adriano Machado com a proficiencia com que costuma tratar todos os assumptos devia ter tratado excelentemente esta questão.
Não tive o gosto senão de ouvir uma pequena parte do
seu discurso, mas estou convencido de que merecia, como merecem sempre todos os sons discursos, uma resposta da maioria, e asseguro a s. ex.ª que se por acaso não julgou dever responder ás observações do sr. Adriano Machado, do certo as minhas não merecem ter essa elevada honra.
O sr. Sã Gameiro: — Conheço perfeitamente o sr. Adriano Machado, sei que é um homem de sciencia o do muito
estudo, um dos primeiros ornamentos d'esta casa; mas como s. ex.ª. declarou que estava fallando para entreter tempo, que não queria alargar a discussão; que esperava apenas os seus collegas da opposiçâo, que sabia que queriam tratar d'esta materia, depois d'esta franca declaração, toda a camara comprehenderá, que não era por menos consideração para com o illustre deputado nem para com o seu talento que não respondia.
Sei quaes são os altos conhecimentos de s. ex.ª
O Orador: - Sei bem que o nobre deputado e illustre general o sr. Sá Carneiro, com a cortezia que o caracterisa e com o seu elevado espirito, não podia ter em menos couta as observações do sr. Adriano Machado; mas o que posso affirmar á camara é que de maneira alguma me considero como athleta da opposiçâo para tratar este assumpto, 'O que, se o trato agora, é porque ha muito tempo tenho instado com o sr. ministro da guerra para fazer uma redacção no effectivo do nosso exercito, reducção que s. ex.ª se obstina a não querer fazer sem comtudo apresentar rasões que me convençam e á camara.
A camara estará de certo lembrada de que ainda não ha muito tempo s. ex.ª disse que não achava mais rasões com que podesse defender a manutenção d'estes 23:000 homens em armas; mas eu é que posso dizer á camara e a v. ex.ª, que não encontro rasão alguma que nos obrigue a manter em armas esses 23:000 homens; porque todos os motivos que, se têem allegado até agora são destituidos do fundamento o contraproducentes.
O illustre ministro precisa d'esses 23:000 homens para ter um exercito instruido, e comtudo sabe que infelizmente o exercito está longo e muito longo de ter a instrucçâo de que carece. (Apoiados.)
Sabe que apesar do termos 23:000 homens se não consegue evitar um facto, que a camara toda conheço, o que é deploravel, e vem a ser que a maior parte doa nossos soldados passam para a reserva, sem terem conhecimento, ao menos superficial, da arma que se lhes entrega.
Sabe toda a camara que muito soldados portuguezes passam para a reserva sem terem atirado um tiro com as armas novas, do fórma que estas lhes não inspiram a minima confiança.
Mas quando á questão essencial na moderna transformação dos exercitos é a certeza do tiro, póde dizer-me a camara, póde dizer-me o sr. ministro da guerra, onde ha uma escola de tiro, para os soldados -portuguezes; onde ha a carreira de. tiro para os regimentos, onde ha emfim um systema, que os habilito a sabor atirar com as armas o a servirem-se das alças, segundo as differentes distancias, e a saber inclusivamente limpar essas armas?!
Citarei agora um facto já aqui apresentado por um dos nossos collegas: ha um regimento, onde pelo mau systema de limpeza das armas, systema antigo, desappareceram as estrias o as arma» estavam transformadas em armas lisas!
E quer a camara saber como isto acontece?
Consta-mo, por informações do pessoas competentes, porque estou, afastado ha muito tempo de assumptos militares o tenho de recorrer a informações; consta-mo, que, com relação ao modo como os soldados devem limpar as armas que lhes estão confiadas, ainda hoje vigora o que está disposto na ordem do exercito n.º 17 do 12 de maio de 1863; que não ha instrucçâo alguma official que revogue esta, e comtudo a transformação da arma exige um systema de limpeza muito diverso.
Pois é possivel que o soldado ainda hoje cuide da sua arma como determinava a ordem do exercito de 1863'? Desde então para cá se transformou o systema e é indispensavel tratar d'ella de um modo diversíssimo.
Aqui está como se cuida da instrucçâo do exercito o se aproveitam as enormes sommas que se gastam no armamento. O armamento vem, bom ou mau, não o discuto agora, mas caro de certo; entrega-se ao soldado sem se lhe ensinar nem a cuidar d'elle nem a usar d'elle! E para esta