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DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

instrucção do exercito é que se julgam indispensaveis 23:000 homens! (Apoiados.) O facto é conhecido por todos.

Diz s. ex.ª: «Nào posso de maneira nenhuma diminuir a força do exercito; preciso d'ella para a policia; e se destacar os homens necessarios para a policia, o que fica não chega para a instrucção o essa é completamente impossivel. »

S. ex.ª com a sua alta intelligencia e conhecimentos em assumptos militares, se quizesse entregarão um pouco ao estudo d'estas pequenas questões, s. ex.ª veria que ha modo facil de simplificar o serviço do exercito.

Aqui, como em tudo, não se podem fizer, bem o sei, reducções de pessoal sem estudo previo, mas o que é necessario é simplificar todos os ramos do serviço, porque é d'ahi, e só d'ahi, que hão de provir as economias. (Apoiados.)

Eu perguntaria a s. ex.ª, se quizesse entrar n'estas minuciosidade que dissesse j/ara que serve, esta immensidade de destacamentos que. estão distribuidos pelo paiz, o que são absolutamente inuteis, o principalmente hoje que lemos a grande facilidade de communicações, e que é facil, de um momento para outro, concentrar qualquer força aonde a ordem publica seja ameaçada.

Mas não só se conservam os destacamentos, mas augmentam-se.

Em Vizeu havia d'antes 6 soldados de cavallaria destacados, que bastavam para o serviço do quartel general; agora estão 40; em Santarem está um regimento de artilheria, pois tambem para hl se mandou um destacamento de outra arma.

Estes destacamentos multiplicam se por toda a parte, inuteis, e pesam sobre o orçamento do para.

E hoje estes destacamentos, com o subsidio de residencia dado aos officiaes, tornam-se mais onerosos para o estado do que d'antes se tornavam.

A primeira cousa que o sr. ministro da guerra devia fazer era ver, quaes os estabelecimentos que podia supprimir, 1 e assim se podia reduzir o serviço do exercito, de fórma j que ficasse prejudicada a sua instrucção. j

A diminuição da força que a opposição propõe é justificada, porque realmente a situação do thesouro nos está a j aconselhar todas as reformas o todas as economias. j

Nós tomos um exercito em Lisboa, e em Lisboa s. ex.ª não póde dizer que é para policia; porque em Lisboa o exercito tem ordem, e muito justa, para se afastar d'esse serviço.

Em Lisboa nós temos 5 regimentos de infantaria, 2 batalhões do caçadores, 2 regimentos de cavallaria, 1 regimento de artilheria, 1 batalhão de sapadores; ao todo 11.

A força do exercito é a seguinte: 18 regimentos de infanteria, 12 batalhões de caçadores, 0 regimentos du artilheria, 8 de cavallaria, o 1 do sapadores, ao todo 42 regimentos e batalhões. Temos a quarta parte do exercito na capital!

A camara sabe que não ha paiz nenhum no mundo que j tenha na sua capital concentrada a quarta parte do seu exercito.

E imagina v. ex.ª que isto é indifferente? Pois não é, mesmo porque os soldados em Lisboa lêem uma gratificação diaria de 20 réis, e isso em 11 regimentos já representa uma certa quantia.

Mas ainda abstrahindo da questão de despeza, o estar concentrada em Lisboa uma tão grande parte da força do exercito, é inconveniente, porque o serviço da guarnição é desmoralisador e desorganisador; este serviço compõe-se de guardas imiteis, sem proveito para os officiaes, nem para os soldados. Este serviço da guarnição de Lisboa immobilisa esterilmente 11 regimentos que podiam auxiliar o serviço da policia do paiz, onde é indispensavel que o exercito a faca tem prejuizo da sua instrucção. Dizia outro dia o sr. ministro da guerra: « Apontae as

economias que se podem fazer n'este ministério». Pois não temos duvida em apontai as; e no orçamento do ministerio da guerra é uma cousa facilima.

Eu não quero entrar agora na discussão do outro capitulo do orçamento do ministerio da guerra, e mostrar que ha muitas outros economias que já deviam estar realisadas, porque tinhamos por isso a promessa positiva do sr. ministro;da guerra.

E para este ponto essencialmente que eu desejava que O sr. ministro da guerra olhasse; é para este ponto que eu chamava a sua attenção antes de nos vir dizer que o parlamento não póde diminuir a força que existe em armas, porque isso prejudica a instrucção militar..

Esta rasão é insufficiente, porque a instrucção do exercito já se provou que não existe.

Eu não quero de;:conceituar o exercito portuguez a que tenho ainda a honra de pertencer, nem ferir uma classe que respeito; mas a culpa não é do exercito, o o sr. ministro póde ter a certeza de que se entrou no ministerio da guerra rodeado do um grande prestigio o de uma grande popularidade, essa popularidade e prestigio desappareceram completamente, porque o exercito vê que não tem alcançado cousa alguma d'aquillo a que tinha direito a esporar, e o exercito que tem brio, vê com profunda vergonha que se está consumindo ao paiz a sexta parte dos seus rendimentos, sem lho poder prestar os serviços que lhe podia e lhe desejava prestar. (Apoiados.)

Não é necessario só que se mantenham em armas 23:000 homens, masque se estudem os assumptos serios que dizem respeito ao exercito.

E eu para combater o orçamento da guerra e a politica do sr. Fontes, e não só n'este como em muitos outros ponto», quasi que não preciso senão de referir-lhe ás proprias theorias do sr. Fonte, porque possuindo s. ex.ª uni talento de primeira ordem, as suas idéas são magnifica», os seus programmas são muitos excellentes, mas o que nós lamentamos é que nunca os realise. (Apoiados)

Ha. já muito tempo, como disse com muita graça o sr.. Adriano Machado, que os relatorios dos srs. ministros passam quasi para a opposição. Já lá temos uns poucos do relatorios, e as palavras dos srs. ministros estão constantemente comnosco.

Pois quando o anno passado eu fiz sentir ao sr. Fontes quanto era prejudicial o actual systema de promoções estabelecimento exercito portuguez, s. ex.ª não concordou commigo, e não dizia que folgava com isso, porque poucas vezes acontecia estar de accordo commigo V E com esta consolação do estar de accordo commigo, tive de me contentar, porque das suas promessas e theorias nenhuma se tem realisando na. pratica.

Eu dizia aqui com relação a uma classe, que apontei como merecendo muito a attenção, não só pelo serviço que presta, como porque na actual organisação dos exercitos é d'aquellas a que mais se. attende pela sua extrema importancia na administração e na tactica militar, a classe dos sargentos; s. ex.ª concordou commigo e prometteu que na proxima sessão Iraria á camara uma proposta de lei pela qual a (.tenderia á sorte dos sargentos, de modo que houvesse um certo numero de empregos civis que só a sargentos podesse dar-se; o eu pergunto agora onde está a proposta que -attenda ao futuro dos sargentos?

Mais. Com relação aos officiaes s. ex.ª sabe que as armas de infanteria e cavallaria estão sacrificadas de um modo incrivel; a promoção nestas armas está completamente paralysada, porque o alargamento do quadro das armas scientificas o outras cousas a que não posso agora referir-me têem feito com que o generalato esteja quasi completamente cerrado aos officiaes de infanteria o cavallaria. D'ahi provera que realmente ha uma estagnação incrivel na promoção da infanteria e cavallaria, e os officiaes d'estas armas vêem com profundo desgosto o seu futuro impossivel.

Sessão de 10 de maio de 1879