1650
DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS
um exercito de 13:000 homens com 4:000 a 5:000 recrutas ficaria reduzido a 9:000 homens sem a instrucçâo necessaria, e satisfazer ás exigencias, do serviço com este numero era absolutamente impossivel.
Esse desejo é muito louvavel debaixo do ponto de vista financeiro; restrictamente filiando não póde ser exequivel; era completamente impossivel.
"Não tenho feito nada, diz o illustre deputado, tenho sido esteril, tenho descurado completamente a pasta dá guerra, não tenho satisfeito as minhas promessas, tenho perdido toda a popularidade no exercito.
Do passagem direi que nunca procurei ter popularidade do exercito nem em parto nenhuma. Vou direito ao meu fim, cumpro o meu dever como posso o sei, os outros que me julguem como quizerem. (Apoiados.)
respeito a maioria, inclino me perante as suas manifestações.. -
• Se por qualquer modo me significar que não devo estar aqui não tenho empenho nenhum n'isso.
Não procuro seduzir ninguem por nenhum modo a não ser pela cortezia para com todos, porque desejei que todos sejam cortezes para commigo. (Apoiados.) Nada mais.
Por consequencia, não procurei nunca popularisar-me no exercito.
Entendo que o exercito não é de nenhum partido e muito menos de uni homem. O exercito é do paiz. (Muitos apoiados.) Ha de obedecer a todos os governos, qualquer que seja o partido a que pertençam; é essa a sua gloria, o seu timbre e a sua honra, (Apoiados.) porque é exercito do paiz o não de nenhum partido. (Apoiados.) Deus me livre do dar um passo, de proferir uma palavra que fosse contraria a esta idéa. (Apoiados. Poses: — Muito bem,)
Por consequencia, não sei se perdi a popularidade no exercito, não sei mesmo que a tivesse.
Se a tive, provavelmente, era quando o illustre deputado me honrava com o seu apoio. (Apoiados.)
Mas o que sei é que a consciencia me diz que tenho feito alguma cousa em beneficio, não do exercito, mas do paiz representado n'estas questões do exercito. (Muitos apoiados.)
Não trato de lazer beneficios, nem o governo lera a seu cargo fazer beneficios em relação a classe nenhuma do estado. (Apoiados.)
Os poderes publicos administram justiça pelo melhor modo que entendem; fazem justiça a todos como é de direito o, do seu dever.
Eu procuro satisfazer ás necessidades e indicações do paiz.
Não me agrada fazer a enumeração dos meus proprios factos, que são bem pequenos; mas emfim algumas medidas tenho tomado, ou cuja iniciativa me é devida, em beneficio da instituição, a que me honro de pertencer. (Apoiados.)
Mas deixo isso de parte.
Deixo ao sentimento publico o apreciar a justiça com que o illustre deputado declara que tenho passado inutilmente nos bancos do poder a respeito das cousas militares. (Apoiados. — Vozes: — Muito bem.)
Não quero entrar n'esse exame.
Pelo que respeita, a alguns pontos mais especiaes de, que se occupou o illustre deputado, sendo um d'elles, por exemplo, a falta da gratificação a uns officiaes estudantes.
Não sei se os officiaes a que se referiu são alferes alumnos.
O sr. Pinheiro Chagas: — São effectivos.
O Orador: — Não sei se algum d'elles deixa de a ler; parece-me que a têem todos; mas, a não ser assim, é objecto que eu resolvo logo que me seja apresentado.
O que eu resolvi foi contra os alferes graduados, porque me pareceu que a lei não os comprehendia e eu não podia comprehendel-os.
Tambem o illustre deputado se queixou do que viesse
descripto no orçamento um general de divisão commandando a 2.3 divisão militar, que está sendo commandada por ' um general do brigada.
A circumstancia de. a estar commandando hoje um general de brigada não obsta a que ámanhã a commande um general de divisão.
A outros assumptos de menor importancia, ou que me escapam n'este momento, e a respeito dos quaes se for preciso o illustre deputado não deixará de me avivar a memoria, responderei em outra occasião.
São estas simples explicações as que eu dou simultaneamente aos dois illustres deputados que tomaram a palavra n'este assumpto.
Despejaria muito que podessem satisfazer s. ex.ªs e ao mesmo tempo a camara.
Vozes: — Muito bem, muito bem.
(S. ex.ª não rei ia os seus discursos.)
O sr Pinheiro Chagas: — Acabou do dizer o sr. ministro da guerra, que s. ex.ª naturalmente tinha popularidade no exercito e no paiz quando eu tive a honra de o acompanhar e a perdeu agora. Tem talvez mais rasão do que imagina.
O sr. Presidente do Conselho de Ministros: —
O que eu tenho é muitas saudades d'esse tempo.
O Orador: — Effectivamente o sr. presidente do conselho tinha muita popularidade no exercito e no paiz quando as suas promessas e o seu programma satisfaziam as aspirações da opinião publica; perdeu a quando se viu que os factos não correspondiam ás promessas.
Eu podia termo enganado, emquanto acompanhei o sr. presidente do conselho na sua politica, como posso enganar-me agora, mas o que assevero é que o acompanhei porque tive confiança nas suas promessas brilhantes, solemnes, pomposas, e que só me afastei quando vi que não se traduziam em factos.
A popularidade que s. ex.ª teve no paiz deveu-a aquella sua phrase de que o orçamento com deficit era um rol de receita e. despeza e nada mais. (Apoiados:)
O sr. presidente do conselho teve popularidade no exercito. E não rejeita esta phrase que não póde significar idéas subversivas. A popularidade no exercito e no paiz é legitima, e s. ex.ª faz muito mal em a rejeitar tão desdenhosamente. S. ex.ª reconheceu-o em tempo, e se não o reconheça. como é o primeiro a dizer que tem muitas vezes sacrificado a sua idéa pessoal ás exigencias da opinião e ás necessidades da popularidade?
S. ex.ª começou per dizer que lamentava que eu lho tivesse dirigido accusações pungentes. E singular! Essas accusações reduziram-se a eu ler as palavras do s. ex.ª Os srs. ministros já consideram como accusações pungentes o lembrar-lhes simplesmente as suas promessas! (Apoiados.)
E foi isso simplesmente o que eu fiz, porque dou a camara como testemunha, limitei-mo a repetir as promessas do w. ministro; e caí das nuvens, fiquei surprehendido, quando vi o sr. ministro da guerra negar agora que tivesse feito promessas positivas. Aqui está consignado, e eu já li á camara, um trecho em que o sr. ministro da guerra dizia que apresentaria este anno uma proposta para reformar o exercito, e «goro diz-nos que não prometteu nada, e acrescenta: «Quo havemos nós de reformar? Pois as leis orgânicas do exercito referendadas por homens tão illustres podem ser reformadas por mim?»
isto é a negação de todo o progresso. (Apoiados.)
D'esta fórma parece que se o inventor dos telegraphos electricos tivesse a mesma idéa do sr. ministro da guerra, não ousaria tocar na idéa do um homem tão illustre como foi Claudio Chappe, o continuaríamos a ter os telegraphos de signaes, Ora, desde que as antigas reformas do exercito estão referendadas por homens tão illustres como marquez de Sá, Saldanha e Passos, julga-se a. ex.ª inhabilitado para as substituir. - - '
Ora, é singular que isto se diga á camara, quando s. ex.ª