O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

1672

DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

seria, de 18:000 homens, entende a opposição que esta cifra não póde ser augmentada.

Esta cifra, sr. presidente, augmenta conforme as necessidades do serviço o exigem.

Eu tenho ouvido, sr. presidente, accusar o sr. ministro da guerra por não ter organisado o exercito o a reserva; pela rainha parte eu não percebo o que a opposição quer. Quer economias a todo o transe, e eu tambem as quero; para realisar economias exigem a reducção do exercito; mas ao mesmo tempo censura o governo por não ter organisado o exercito e a reserva. Ora a opposição, que sabe que reorganisação de exercito e organisaçao da reserva imporia augmento de despeza, e que insiste na sua accusação, ou não diz o que sente, ou é incoberente. O sr. ministro é accusado pelo que fez, e pelo que deixou de fazer, talvez em attenção ás nossas finanças, que se não são desesperadas não são prosperas.

Fallou tambem nas despezas feitas com as fortificações, systema de defeza com que não sympathiso, porque eu não gosto de fortificações nos arrabaldes da povoação que ge pretende defender.

Mas quem iniciou o actual systema de fortificações foi o sr. marquez de Sá, e porventura queria a opposição que parassem as obras do defeza? N'este caso o dinheiro já consumido nas fortificações ficaria inutilisado!

Como disse, eu não gosto do systema do fortificações que se acham em construcçâo, e (le certo á mento do sr, Sá da Bandeira não podia vir a idéa de uma fortificação que servirá apenas para tratar do uma capitulação.

A defeza pelo lado de terra está nas linhas do Torres Vedras, que todos os escriptores militares denominam do famosas.

O engenheiro mais distincto da Europa, o sr. Brialmont, n'um livro que publicou em 1876 — A defeza dos estados e os campos intrincheirados— a paginas 9, compara a posição de Annibal na Italia em Binutium, com as linhas de Torres Vedras. -

A idéa pois do sr. Sá da Bandeira, não prejudicou as linhas do Torres Vedras, que seria a primeira linha.

Sr. presidente, voltando á questão da reducção do exercito, não posso convencer-me que deputados tão illustrados e tão patriotas proponham essa reducção, não se lembrando que as reservas era que tanto fallam o que tanto desejam, se recrutam no exercito, porque reserva que não saísse do exercito do linha de bem pouco serviria na maneira do fazer a guerra na actualidade.

Quanto ao recrutamento obrigatorio pessoal, eu sou apologista d'este systema, assim como sou contrario ao systema da promoção do almanach; quero que se considere antiguidade, mas de entre os mais antigos, que se pretira o merito á antiguidade.

O sr. Dias Ferreira diz que havendo boas finanças, ha exercito; ha tudo, eu concordo com o illustre deputado, mas o dinheiro que é tudo, póde inutilisar-se.

Carthago podia cobrir os mares com as suas esquadras e levantar exercitos, e assim que mandou um exercito á Italia, Annibal atravessou o Mediterraneo, a Hespanha, o Rbodano, e os Alpes, derrotou os romanos em tres batalhas successivas no Trebia, no Tesino, e proximo ao lago Trasimene, e n'uma quarta batalha completamente em Cannas, mas os romanos com a boa lei do recrutamento que tinham, poderam levantar novos exercitos, e conseguiram expulsar Annibal da Italia, no fim de treze annos.

Pois a historia não nos mostra nações ricas subjugadas a despeito das suas riquezas?

Os persas e os chins, os primeiros mestres da civilisação, não perderam a sua independencia a despeito do seu commercio, do seu luxo e da sua riqueza?

Pelas mesmas causas o pelos mesmos effeitos o que resta do Egypto? As pyramides para attestarem á posteridade a grandeza d'aquelle povo.

De que serviram a Perseu os thesouros fabulosos que tinha amontoados em Pella contra o ferro dos soldados romanos, que despedaçaram as armas douradas, e os escudos do prata da legião-agema?

De que serviu aos francezes na guerra de 1870-1871 a sua prosperidade financeira? Serviu lhes para que os estrangeiros abandonassem mais cedo o territorio francez?

Dinheiro, dinheiro e mais dinheiro para a guerra; mas se apesar do muito dinheiro, nós não nos prepararmos a tempo para resistirmos aos estrangeiros, que attentarem contra a nossa independencia, as nossas boas finanças servirão mais para os estrangeiros miseraveis, mas vencedores, que para os ricos vencidos.

As opposições, negando ao exercito os meios pedidos para a força publica, têem em differentes epochas comprometido a independencia da patria.

O marechal Niel pediu ao corpo legislativo meio3 para reparar as praças, armal-as e muitos melhoramentos que era, necessario effectuar na guarda movei.

E provavel que o corpo legislativo se arrependesse em 1870 do ter negado ao sr. marechal Niel os meios que lho pedíra, mas então o arrependimento foi tardio.

Sr. presidente, eu lamento não estar de accordo com a opposição, sobre os meios de provarmos o nosso commum patriotismo, com relação ás cousas do exercito; mas como o fim que todos nós desejámos é o mesmo, eu espero que a opposição dentro em pouco modificará as suas opiniões ácerca do que mais convem á força publica do nosso paiz, de que todos queremos a integridade acima do tudo.

O sr. Luciano de Castro: — Desejava poder dispor de bastantes recursos physicos para entrar n'cs(e debate; mas v. ex.ª sabe que um incommodo, posto que ligeiro, mas que ainda assim me fez soffrer bastante, não consentiu que eu estudasse tão profundamente, como desejava, este assumpto, nem me deixou as forças necessarias para uma larga discussão; todavia, julgo-me compromettido a dar a minha opinião sobre alguns pontos de organisaçao militar que têem sido debatidos esta casa, sem me considerar desobrigado do dizer tambem algumas palavras sobre o assumpto principal que está em discussão, que é o capitulo 4.° do orçamento do ministerio da, guerra, que diz respeito ás praças de guerra e pontos fortificados.

Começarei por fazer um reparo, ácerca do qual o sr. ministro da guerra dará explicações, se julgar que as merece; e é que, no relatorio que s. ex.ª apresentou á camara como ministro da guerra, em 1874, considerava como praças de primeira ordem, como praças principaes do reino, Elvas e Almeida, entro outras. Maravilha-mo ver que a praça de Almeida figura no orçamento como praça de segunda ordem, para se dar uma gratificação de 72$OOO réis a um commandante!

Se s. ex.ª considerava em 1874 como uma das principaes praças do reino a do Almeida, parecia natural que fizesse elevar no orçamento, esta praça a praça de guerra do primeira ordem. Não acontece porém assim Almeida, que s. ex.ª considerava como praça de primeira ordem, figura apenas no orçamento como praça de segunda ordem e para o effeito de se dar a gratificação de 72$000 réis!

Em segundo logar, nota se que a dotação das praças de guerra apparece este anno com um augmento do 8:600$000 réis sobre o anno anterior. Fui procurar as rasões d'este augmento, e acabei-as na despeza com a nova praça do guerra do Monsanto. Não digo isto para censurar o sr. presidente do conselho. Desde que se tuba votado que a fortaleza de Monsanto fosse elevada a praça de guerra do primeira ordem, era justo que a dotassem convenientemente e em harmonia com a sua nova situação militar.

V. ex.ª ha de estar lembrado de que eu, na sessão do anno passado, futurei o que havia do acontecer com esta fortaleza.

Eu disse que nos viria a custar cerca de 4:000$000 réis.