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DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

culdades, amançando ou adoçando toda a irritabilidade que podia, momentos mais tarde, tornar-se perigosa.

Creio que n'este assumpto a3 reticencias não prejudicam, e hei de ser entendido.

Q nobre presidente do conselho tem até imitado os tyrannos da antiguidade, os déspotas antigos que deportavam os seus adversarios, exilando-os ou desviando-os das funcções publicas no paiz.

O sr. Fontes melhorou, porém, muito, e isso era de esperar dos seus recursos, este systema, na sua moderna execução, o teve a bondade de crear exílios agradaveis aos exilados.

Creio que isto agora é sufficientemente claro, mas, se for necessaria mais alguma explicação, não tenho duvida em a dar, porque não ha nada que eu não diga quando tenho a consciencia do que o que digo é a verdade, o a exposição d'ella é util ao paiz.

O sr. presidente do conselho abdicou de todo os seus grandes recursos; prescindiu de tudo que podia fazer e estava habilitado a fazer e obrigado a executar, para prolongar por mais tempo tranquillamente a sua conservação ministerial. D'ahi é que tem vindo ao governo actual a accusação de corromper os seus adversarios.

Eu devo ser justo; creio piamente que o governo actual, e especialmente o sr. presidente do conselho, com quem discuto n'este momento, nunca procurou amigo, nem adversario, para o corromper; estou mesmo convencido de que terá deixado de corromper muito3 que se dedicaram e offereceram á corrupção.

A este respeito lembra me a resposta clara o incisiva do meu distincto amigo, o nobre prelado de Vizeu, que arguido ha annos, quando estava no ministerio, de fazer muitos commendadores, respondia simplesmente: «Que diriam os que me arguem, se vissem o numero d'aquelles a quem eu tenho dito que não; são muitos mais do que áquelles a quem tenho dito que sim».

Portanto estes meios de que o nobre presidente do conselho tem tirado tantos recursos, são menos procurados por este ou outro qualquer governo, do que offerecidos por áquelles em quem a acção se verifica e que recebem como premio, em vez de castigo, o afastamento ou exilio retribuido que em todo o caso provocaram, pediram e solicitaram.

Mas será para isto que se governa? Será para não se resolver difficuldade nenhuma, para adiar todas as questões importantes, para atravessar com mais ou menos habilidade, e ás vezes com incontestavel sagacidade, os perigos e difficuldades que, se não forem perfeitamente resolvidas, podem trazer graves complicações ao paiz?

Creio que não é esta a missão, nem póde ser o fim de nenhum governo, e muito menos póde ser a missão e o fim de um homem que tem os merito3 incontestaveis e incontestados do sr. Fontes Pereira de Mello.

Sejam francos.

Porque é que s. ex.ª abandonou a sua promessa do equilibrio do orçamento? É porque viu que não podia tornar effectivo esse equilibrio sem tornar effectivas na pratica as leis de impostos.

E s. ex.ª, com a experiencia de 18G7, em que viu levantar-se no paiz uma grande resistencia, e receiando, não sei se justa ou injustamente, que essa resistencia fosso explorada pelos seus adversarios, prescindiu de equilibrar o orçamento, em proveito da duração do actual governo e em beneficio dos seus amigos e dos seus partidarios.

Porque é que s. ex.ª não tem reorganisado o exercito?

As difficuldades são as mesmas para todos estes casos, e não póde ser defeza a demonstração de que os adversarios politicos do sr. presidente do conselho faziam tão mal ou peior.

Isto não póde ser defeza. Se nós havemos de continuar com este systema, constantemente e desgraçadamente; se não podemos ter a esperança de um governo que se proponha unicamente a emendar os erros de todas as administrações anteriores e a fazer melhor do que ellas fizeram, é forçoso perder a esperança de qualquer possibilidade do rehabilitação para este paiz.

Não sei se deu a hora.

O sr. Presidente: — A sessão devia terminar ás seis horas menos dez minutos, mas, como ha sessão nocturna, desejava fechar esta sessão mais cedo.

O Orador: — N'esse caso peço a v. ex.ª que me reserve a palavra para a sessão nocturna.

%0 sr. Presidente: — Ha hoje sessão nocturna. A ordem da noite é a continuação da que estava dada.

Está levantada a sessão.

Eram cinco horas e meia da tarde.