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DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

territorio que o seu, o civilisar os povos que estão debaixo do sou dominio. O estado, que não sabe ou não póde melhorar a sorte da população, diffundir a civilisação, promover a riqueza nos territorios que lhe pertencem, não póde exercer sobre essa3 territorios essa soberania.

É verdade. Quer isto dizer, porém, que taes rasões possam ser allegadas para, como o illustre deputado disse, nos expropriarem por utilidade publica?

Pois se o illustre deputado fosse um grande proprietario, e tivesse grande parte da sua propriedade por arrotear haveria direito de o expropriar por utilidade publica, a fim de arrotear outro as terras que fossem suas? De certo não.

Não temos padres nas colonias, disse o illustre deputado não temos tantos quantos elle deseja e eu tambem.

De mais, ha que contar com uma variação constante devida a uma causa poderosa, que faz diminuir o numero de padres nas colonias, assim como faz diminuir tambem o numero da empregados civis. Essa causa, contra a qual nada podemos, é a morte.

Quando em 1875 tomei as informações necessarias para apresentar um relatorio, á camara sobre o estado das nossas, colonias havia em Moçambique treze parochias, e ter das estavam providas.

N'essa occasião, prevalecendo-me de uma antiga prerogativa da corôa portugueza prerogativa unica que eu saiba de nomear prelado para. Moçambique sem confirmação de Roma, nomeei um virtuoso prelado, que ao "chegar a Moçambique, ardendo em desejos de melhorar a situação em que se achava a igreja ali, e de crear elementos de propaganda religiosa, instituiu um seminario, á propria custa. Esse seminario, depois, foi pobremente dotado pelo estado, porque o orçamento de Moçambique é pobríssimo

Q prelado, com santo zêlo, tomou uma casa para instituir a escola; onde elle proprio dava lições aos pequenos, alimentava-os, emfim, encaminhava-os ha sua educação. Conservou-se o seu seminario; até que ha pouco(tempo, e ao que parece por uma d'essas causas desgraçadas que nós difficilmente entendemos aqui, mas que nas colonias se repetem muitas vezes, o honrado prelado se achou em lucta com não sei que auctoridade não ecclesiastica. Creou-se então uma escola a que se chamou «escola de artes», segundo creio; e os discipulos saíram do seminario, para irem frequentar a nova escola.

Disse o illustre deputado' que não ha seminarios nas colonias. Digo-lhe que os ha; mas não se póde prender alumnos para os ir frequentar. (Apoiados.)

O seminario de Angola esteve aberto por, alguns annos, foi frequentado, depois fechou-se. A camara de certo me dispensará de contar as causas d'aquelle seminario de fechar já ha bastantes annos. Em minha consciencia entendo que quem mandou fechar o seminario fez bem. Fez um bom serviço á religião.

Posteriormente, fizeram-se grandes esforços para se tornar a abrir o seminario; e conseguiu-se, creio eu, que elle sé abrisse; e digo creio, porque não vi o relatorio do sr. bispo de Angola, a que o illustre deputado ha pouco se referiu..

O sr. Pires de Lima; — Noto s. ex.ª que ha differença entre seminario e escola.

O Orador: — É verdade; mas é uma escola» do estudo ç ensino ecclesiastico. -

O sr. Pires de Lima: — Pára o missionário não basta só a illustração, é preciso educal-o para isso.

O Orador: — Isso que diz o illustre deputado auctorisa uma opinião que tenho; talvez não concorde com as opiniões do sr. Pires de Lima.

Os verdadeiros missionarios, a meu ver, não serão nunca os educados nos seminarios das colonias. Os verdadeiros missionarios educam-se em estabelecimentos ecclesiasticos exclusivamente destinados para esse fim, como é o nosso seminario demissões do Sernache do Bomjardim.

As perfeições ou imperfeições d'este seminario não as discuto agora.

O local em que está não é suficiente, não tem as condições de que carece para educar, e educar bem, sufficiente numero de alumnos, e habilital-os para missionarios.

Entretanto, tem dado fructos o seminario das missões.

Esteve muitos annos sem produzir nada, ou quasi nada. Ultimamente tem d"ali saído numero consideravel de missionarios.'

Admirou-se o illustre deputado de que os missionarios que ultimamente saíram de Sernache, fossem em grande parte para Macau. »

Tem este facto uma explicação.

Sabe o illustre deputado e a camara, que ha muitos annos temos pendente uma complicada questão com a santa sé) é a conhecida questão do padroado do Oriente.

A questão do padroado do Oriente ainda não, se resolveu.

Na China, em relação á diocese de Macau, está em parte só resolvida.

Alargou-se por accordo Com a santa sê, a diocese de Macau, que era muito pequena; juntando-se-he Henan, nó territorio chinez.

Se me não engano, a diocese de Macau compõe-se actualmente do territorio de Macau, de Henan e de Timor.

Era preciso mandar missionarios para Henan, porque de outra maneira a concessão feita pela santa só não seria aproveitada' em benefício, não só da nossa influencia laquei-las longinquas regiões, mas tambem em proveito das nossas reclamações na curia.

O facto de se conseguir uma parte, ainda que pequena, das nossas reclamações na curia, era, a meu ver, condição essencial para melhorar a situação das negociações.

Obtendo em Macau essa concessão, e não a aproveitando, não cumprindo, quanto em nós cabe, os deveres de padroeiro, a curia romana ficaria com o direito de nos dizer, que pedimos uma cousa de que resultam obrigações que não podemos satisfazer, que pedimos as igrejas do padroado, não podendo satisfazer as obrigações inherentes mesmo n’aquelle pouco que nos foi. concedido; tratámos, pois, de mandar para Macau missionarios para as igrejas na ilha de Henan e em Timor..

Vozes: — Deu a hora.

O Orador: — Estou prompto a terminar quando acamara quizer.

Como deu a hora peço licença para continuar na sessão seguinte a fazer algumas breves reflexões essenciaes, a respeito d'esta questão,

Vozes: — Muito bem.

O sr. Presidente: — A ordem do dia para ámanhã é a continuação da que vinha para hoje.

Está levantada a sessão.

Eram cinco horas e tres quartos da tarde.