1738 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS
posta do sr. ministro do reino, respectiva ao hospital de alienados,
É a seguinte:
Antonio de Azevedo Castello Branco.
Eduardo de Abreu.
Eduardo José Coelho.
Fernandes Vaz.
Francisco Severino de Avellar.
Faustino dos Santos Crespo.
Julio Graça.
Poças Falcão.
Matheus Teixeira de Azevedo.
O sr. Serpa Pinto: - Sr. presidente, tem sido verdadeiramente notavel esta discussão, em que um dos membros mais eminentes do partido regenerador é apoiado no seu discurso pelos adversarios, e em que lhe responde um ministro do partido progressista, que muitas vezes foi apojado pelos seus adversarios.
É verdadeiramente notavel que, discutindo se o assumpto mais importante que póde haver para um paia, como é o seu orçamento, e uma das partes mais importantes d'esse orçamento, que é o que diz respeito ás suas colonias; é verdadeiramente notavel que, sem haver accordo, estejam do accordo opposição e governo.
Eu tambem Catou de accordo, sem fazer accordos, com os srs. Julio de Vilhena e Henrique de Macedo, em muitos pontos dos seus discursos.
Antes de entrar em materia, e sobre tudo na ordem de idéas que eu tinha traçado para o meu fraco e modesto discurso, não posso deixar de dizer duas palavras acerca das considerações do sr. ministro da marinha.
Disse a. exa. que o sr. Julio de Vilhena não tinha feito um discurso de opposição.
Talvez que sim e talvez que não.
O sr. Julio de Vilhena, mostrando o que as cousas do ultramar silo e o que ellas deviam ser; o sr. Julio da Vilhena, provando que as cousas do ultramar não estão como deviam estar, pareço-me que fez um discurso de opposição.
O sr. Julio de Vilhena, encontrando no sr. ministro da marinha, um dos homens que dirigem as cousas publicas em Portugal, da sua opinião, perfeitamente da sua opinião, não fez um discurso de opposição a s. exa.
Por consequencia o sr. Julio de Vilhena, por estes dois factos, fez um discurso de opposição e foz um discurso governamental.
Fez um discurso governamental, porque encontrou o sr. ministro da marinha da sua opinião.
No que s. exa. tem muita rasão e em que o sr. ministro da marinha, que gere a sua pasta ha dois annos e meio, não responda com actos em logar de responder com palavras. (Apoiados.)
O sr. Henrique de Macedo comprehende muito bem as cousas do ultramar.
Ha muito tempo effectivamente, como hontem muito bem disse o sr. Julio de Vilhena, que a questão colonial não é tratada n'esta casa.
Foi agora posta pela primeira vez depois de treze annos.
O que é facto, porém, é que poucas vezes temos ouvido idéas tão claras, tão positivas e tão boas como as que o sr. ministro da marinha aqui expendeu hoje.
Todavia as idéas são optimas, mas eu não vejo nada, absolutamente nada. (Apoiados.}
Disse s. exa. que estava perfeitamente de accordo com o sr. Julio de Vilhena, e isto anima-me muito a entrar n'esta discussão, pela forma que ella tomou, em discutir o problema colonial no orçamento rectificado.
Acho que as rasões que s. exa. adduziu para mostrar que concordava com o sr. Julio de Vilhena quando encetou a discussão do orçamento rectificado pela questão colonial, são muito justas.
Disse mais s. exa. repetindo as palavras do sr. Julio de Vilhena, porque ha um facto notavel, e é que parte do discurso do sr. ministro da marinha foi o discurso do sr. Julio de Vilhena, produzido com outras phrases, disse s. exa., como já, tinha dito o sr. Julio de Vilhena, era ha dez annos, antes de perdermos o Zaire, e depois de amanha quando tivermos perdido mais alguma cousa, é mais opportuno fazer alguma cousa para salvar o resto; a opportunidade para mim é maior do que era hontem e talvez mais pequena do que seja amanhã, por este motivo. (Apoiados.)
Toda a gente sabe, mas as idéas foram as mesmas.
Disse s. exa., como já tinha dito o sr. Julio de Vilhena, «que a questão financeira da metropole não se póde resolver sem a questão financial das colonias». Isto é perfeitamente justissimo.
Não estive um momento na sala e não pude ouvir parte do discurso de s. exa.; não sei se n'esta parte em que estive ausente, s. exa. se referiu a umas palavras que o sr. Julio de Vilhena proferiu na sessão de hontem a respeito do indifferentismo que havia em Portugal pelas colonias! Eu por mais de uma vez, referindo-me a assumptos coloniaes, tenho faltado n'esse indifferentismo!
Disse o sr. Julio de Vilhena n'esta camara, que, sendo ministro da marinha, fez uma tentativa de formar estações civilisadoras na Africa; essa tentativa tinha por fim principal, alem do fim a que essas estações são destinadas, combater as influencias estrangeiras que se queriam estabelecer na Africa por aquelle meio. Eu sei, conheço perfeitamente os esforços que o sr. Julio de Vilhena fez n'esse tempo para poder obter moios para estas estações civilisadoras.
S. exa. disse aqui hontem, com magua para aquelles que o ouviram, «que nunca póde obter na metropole mais de 10:000$000 réis para estas estações civilisadoras»! Mas s. exa. esqueceu-se de um facto.
Por essa occasião, quando s. exa. queria dar impulso a essa idéa gigantesca, eu estava no Brazil, e tive a honra de receber uma carta do sr. Julio de Vilhena, em que me pedia para ver se lhe obtinha no Brazil, aonde ha muito mais patriotismo nos portuguezes do que em Portugal, dinheiro para as estações civilisadoras. Tenho a dizer a v. exa., que no Brazil aonde se encontra muito facilmente dinheiro para tanta cousa, não pude obter absolutamente nada para as estações africanas!
Tal é o indifferentismo que está enraizado nos portuguezes para a questão colonial, indifferentismo de mais a mais por causa das questões mais importantes e mais palpitantes muitas vezes, da nossa governação. Mas infelizmente a questão colonial é aquella sobre a qual ha mais descrença, sem rasão nenhuma!
Disse s. exa. «que é preciso fazer tudo pelas colonias e que o momento é opportuno». Esta phrase é muito importante, e eu preciso dizer a v. exa., que a opportunidade do trabalho nacional cresce de dia para dia.
Toda a gente sabe que ha pouco tempo ainda tivemos e temos tido questões graves, já com paizes amigos, já com paizes indiferentes, que por todos os modos têem procurado cercear o nosso dominio colonial com o fundamento de que nada fazemos pelas colonias. Tem sido este o argumento principal.
Ainda agora n'esta questão infeliz que se levantou com a Inglaterra, uma das cousas que disse no seu discurso sir James Fergusson é que não reconhecia muitos direitos a quem nada fazia por paizes que chama seus. Não é exacto. Nós temos feito bastante, mas ainda muito pouco com relação áquillo que devemos e precisamos fazer. (Apoiados.)
É preciso dizer a s. exa. que a primeira vez que fui á Africa, em 1868, ignorava-se completamente em Portugal o que fosse o Zambeze.
Os sertanejos corriam o Zambeze, íam a muitos pontos