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SESSÃO DE 3 DE JUNHO DE 1885 1067

responsabilidade nos representantes do governo nas curtes estrangeiras.
Repetirei o que já disse summariamente, mas que hoje procurarei desenvolver um pouco mais; nesta parte estou em desaccordo com o illustre deputado e entendo que os factos lhe negam completamente a rasão. (Muitos apoiados.)
A iniciação das negociações para o tratado do Zaire.
Como foi iniciada esta negociação?
Ella não foi mais do que a reproducção de todos os ensaios que se tinham feito anteriormente, mas reproducção em condições mais favoráveis, e tão favoraveis que a esta primeira tentativa succedeu desde logo o que nunca havia succedido: a annuencia da Inglaterra.
Nego ao meu illustre predecessor nesta pasta, o sr. António de Serpa, a originalidade ao iniciar as negociações; dou o seu a seu dono e affirmo que o sr. António de Serpa iniciou as negociações pela maneira porque vários dos seus antecessores as tinham iniciado com êxito muito diverso.
Para acabar de todo com os obstáculos que se encontravam ao nosso direito do Zaire, foi o marquez de Sá da Bandeira o primeiro que instou por uma negociação com a Inglaterra.
O illustre deputado que é tão versado na nossa historia diplomática deve conhecer bem o documento a que vou referir-me.
É a nota do marquez de Sá a sir Charles Murray, de 5 de janeiro de 1869, em que se dizia o seguinte:
(Leu.)
Foi o marquez de Sá o primeiro que indicou o caminho a seguir; o seu espirito comprehendeu claramente que da Inglaterra dependia a cessação de uma situação violenta, que só esta creára e mantinha.
Seguiu-se depois o sr. Corvo, nosso representante em Paris e cujo nome tem sempre de ser citado com louvor, quando nos occupâmos de recordar os esforços tentados pelo governo do paiz em favor dos nossos direitos.
O sr. Corvo numa nota dirigida em 4 de dezembro do 1870 ao duque de Saldanha nosso plenipotenciário em Londres, instava por negociações e seguia o alvitre indicado pela primeira vez pelo marquez de Sá.
Eis o que o sr. Corvo dizia:
(Leu.)
E eu tenho mais uma citação a fazer.
Posteriormente o chefe do partido progressista o sr. Anselmo Braamcamp em 23 de novembro de 1879, dirigia a sir Charles Morier, ministro inglez nesta curte uma nota que respondia quasi á nota do sr. Corvo.
Esta nota, como as outras a que precedentemente me referi, não teve êxito favorável.
Abster-me hei de ler a resposta porque não desejo trazer para o debate questões irritantes.
Mais tarde, em novembro de 1882, o sr. António de Serpa teve a fortuna de renovar a mesma tentativa em melhor ensejo, vendo a sua proposta acolhida desde logo favoravelmente pelo governo britannico, o que nunca succedera aos seu predecessores.
Não me esquivo a analysar com verdade e sinceridade o resultado obtido pelo governo nas diversas negociações; mas exijo que se proceda para commigo de igual forma. Pergunto eu: a esse tempo teria o governo motivo, como pareceu affirmar se aqui, teria o governo informações seguras em que se fundasse para acreditar que a negociação com a Inglaterra encontraria em outros paizes obstáculos taes que inutilisassem o resultado de um accordo qualquer com a Inglaterra? Eu affirmo, sem receio de contradicção fundamentada, que n'aquella epocha não havia cousa alguma que justificasse o receio de que a Allemanha quizesse assumir um papel importante na resolução das questões africanas, e assumir repentinamente o papel do nação colonisadora; pelo contrario, conheceu-se, e não era necessario acompanhar diariamente as publicações periódicas da Allemanha para o conhecer, que havia um certo movimento promovido pelos armadores de navios e pelos fabricantes e negociantes de grosso trato, movimento tendente a compettir o governo d'aquella grande nação a tomar a si, a proteger directamente, a assumir uma acção mais efficaz na colonisação em diversas regiões, e expressamente na co-lonisfiçài) africana. Essa exigência começava apenas a manifestar se, e só mais tarde é que se fora pronunciando um pouco mais; mas encontrara sempre da parte do governo allemão uma completa resistência, e essa resistência foi affirmada por todos os actos públicos d'esse governo.
Só muito mais tarde, em junho do anno passado, é que o governo allemão tomou deliberadamente uma attitude diversa.
Quando o sr. Augusto de Andrade, a cujas informações só quer dar importância excessiva, comquanto eu seja o primeiro a conhecer o zelo e a capacidade deste cavalheiro, dava as informações, que não eram n'aquella epocha um segredo, dizia o que constava ácerca das diligencias e instancias das diversas corporações da Allemanha para que o governo allemão interviesse na colonisação.
Ao mesmo tempo, a par disto, havia informações claras e terminantes de que essas diligencias tinham sido, estavam sendo e seriam infructuosas, e que a vontade do chanceller do imperio allemão apresentava-se firme e prompta a combatel-as.
Essas informações chegavam não só á nossa chancellaria, mas a todas as chancellarias da Europa; eram as informações que tinha a chancellaria ingleza, e creio que esta chancellaria tinha seguros informadores.
Só muito mais tarde é que a chancellaria allema se resolveu a acceder às instancias das corporações allemãs e a tomar uma parte importante, activa e manifesta na colonisação africana. Esta opinião funda se nas informações dos nossos funccionarios e está perfeitamente de accordo com todos os factos. Aqui devo notar que me causa uma certa estranheza que o governo tivesse sido accusado ao mesmo tempo de que os seus representantes não o informavam com bastante diligencia do que occorria na Allemanha, e se analysasse com uma certa ironia as provas patentes da diligencia e do zelo com que um dos nossos representantes na Ailemanha, o sr. bário de S. Pedro, nos informava dia a dia do que occorria com relação às diligencias empregadas para se tornar o governo allemão favorável á colonisação, e procurava, por todos os meios, haver informações exactas.
Pareceu-me que se duvidava de que podesse ser consistente a asserção que de fonte segura obtivera aquellas informações, mas posso dizer que de fonte segura obtinha o sr. barão de S. Pedro as informações que mandava ao governo portuguez, e para provar que os mais bem informados na curte de Berlim entendiam que a questão da colonisação não estava nem seria resolvida favoravelmente, vou citar um documento, cujo valor me parece que o illustre deputado o sr. Barros Gomes não poderá contestar.
S. exa. de certo conhece o Livro azul inglez onde se encontram os documentos relativos às ilhas do Pacifico occidental. N'esta collocção de documentos encontram-se a pag. 125 e 153 dois documentos importantes, mas lerei apenas o extracto do segundo, que é a resposta do conde de Gramville a um cilicio confidencial de sir Edward Hoalet.
(Leu.)
Por consequencia, lord Ampthill, aquelle mesmo lord Ampthill que o sr. Barros Gomes citou há tempos, e cujos meritos s. exa. exaltou com toda a rasão, a quem se referiu como sendo um dos plenipotenciários escolhidos pela Inglaterra, pela sua illustração e pelo seu respeitável caracter para a representar em Berlim, onde occupava uma posição eminente, lord Ampthill mantinha as mesmas illusões que o nosso representante.
Peço á camara me permitia que eu não faça um discurso, porque preciso tratar de varios assumptos successi-

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