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SESSÃO DE l DE JUNHO DE 1888 1815

São os paizes justamente apontados como exemplos de uma illustrada actividade commercial os que mostram uma sujeição mais persistente ás normas, que acabâmos de apontar. Assim e que a Belgica, a França, a Inglaterra e a Italia, que possuem redes muito extensas, nem por isso as dão por completas, continuando ininterrompidamente a alargal-as, acrescentando-lhes novas linhas em cada anno.

Alguns d'elles não hesitaram em fazer n'um momento dado um esforço prodigioso para ganharem o terreno perdido em relação a outras nações. Merece citar-se o exemplo da Suecia que, tendo em 1871 só 1:723 kilometros de caminho de ferro em exploração, apparece em 1878 com 4:898 kilometros, tendo construido n'esse breve periodo 3:175 kilometros, e que ainda no anno seguinte abre á exploração mais 707 kilometros, continuando depois d'isso a alargar a sua rede, embora mais moderadamente por ter feito de uma vez aquelle esforço de construcção. Não é a Suecia paiz que, pela sua população e riqueza, e por outras condições economicas, deva distanciar-se de Portugal em rasoavel confronto; antes n'alguns pontos preponderam com maior força para nós as rasões, que aconselham o desenvolvimento da nossa rede de caminhos de ferro.

A Italia offerece outro exemplo do alargamento da rede ferroviaria por um trabalho continuado e persistente, que muito convem registar, porque elle constitue uma lição proveitosa para todos os que estudam os factores dos elementos da riqueza publica. Por isso vos apresentâmos o seguinte mappa com esclarecimentos officiaes directamente obtidos d'aquelle paiz e que representa o desenvolvimento da sua rede ferroviaria, desde 1839, anno em que se abriram no Piemonte os primeiros kilometros de caminho de ferro, até 30 de junho de 1887.

Italia

Caminhos de ferro

Quadro da situação da rede explorada e acrescimo annual de 1839 a 1887

[Ver tabela na imagem ]

Vê-se d'este mappa que a Italia só n'um anno, o de 1841, deixou de augmentar a zona de exploração dos seus caminhos de ferro. Uma vez iniciado o movimento, não parou nem o retardou. Aquelle paiz, que atravessou tantas e tão complicadas crises, nunca, nem mesmo nos periodos mais angustiosos, deixou de trabalhar no desenvolvimento da sua rede. Em consequencia d'essas crises tão complexas, das guerras que as provocaram e que d'ellas resultaram, e das enormes despezas militares que exigiu a sua unificação, a Italia foi obrigada a apertos financeiros e a encargos tributarios como nenhum paiz os supportou mais angustiosos e mais pesados nos modernos tempos. E, todavia, no meio d'essas angustias, e opprimida por esses gravames, nunca deixou de luctar afincadamente pelo alargamento da sua rede de caminhos de ferro, comprehendendo que estava n'elle um dos principaes senão o principal agente da sua restauração economica e commercial. Assenta em frageis bases a independencia politica de um povo, se não tem para apoio a sua independencia economica. Os que hoje invocam a Italia como um dos modelos que convem imitar no renascimento de forças productoras, não podem, para ser justos, desconhecer a influencia dos meios, com que esse paiz chegou aos resultados, que hoje a todos maravilham.

Se decompozermos em períodos decennaes o mappa do desenvolvimento ferroviario da Italia, achâmos o seguinte:

Italia

Caminhos de ferro

[Ver tabela na imagem ]

A leitura d'este mappa mostra, que é depois de consolidada a unificação politica da Italia, que a media annual do desenvolvimento das suas linhas ferreas se apresenta mais forte. Por tão eloquente temos este exemplo, que julgâmos desnecessario alargarmo-nos em commentarios.

O nosso paiz não tem ficado estacionario na construcção de caminhos de ferro; mas se é certo que em relação á rede principal pouco ha a construir, não é menos certo que, a respeito da rede complementar, temos quasi tudo ainda por fazer.

O mappa, que damos em seguida, serve para se apreciar a importancia da rede ferroviaria de cada um dos paizes em relação á população e superficie de cada um d'elles.