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effeito um desejo da Camara, qual é o prover a um remedio que é altamente reclamado.

Agora entrou-se na discussão deste Projecto, e entrou-se na discussão delle com toda a boa vontade de conseguir os fins que se desejam: a discussão na sua plenitude, larga, e ampla, tem dado logar a que os Srs. Deputados que tem tomado parte nella, tenham feito todas as suas considerações, mandando ao mesmo tempo para a Mesa a este Projecto Emendas, Additamentos, e Propostas, que de qualquer natureza que ellas tenham sido, eu respeito-as, e considero-as áliás sensatas, conscienciosas, e judiciosas. Mas, Sr. Presidente, o que se colhe de tudo isto que tem dado extensão á discussão, e que, por assim dizer, a tem complicado? Colhe-se uma cousa que logo é obvia, e é, que o Projecto nesta Sessão, se o Adiamento for approvado, não tem a sua conclusão (Apoiados) e que os Parochos continuam a gemer, as desigualdades a prevalecer, e que por consequencia o mal fica sem remedio (Apoiados). Por tanto quero concluir com o que tenho dicto, e é que não convem na situação em que se acha esta discussão, adiar este Projecto, e que por consequencia voto contra o Adiamento, com quanto tambem entenda que este Projecto não tem a perfeitibilidade nem o optimismo, mas voto por elle, porque entendo que por esta Lei se vai dar algum remedio aos males que os Parochos actualmente estão soffrendo.

O Sr. Passos Pimentel: - Sr. Presidente, por duas razões voto contra o Adiamento: primeira, porque não vejo a possibilidade de se poder confeccionar uma obra que agrade á Camara, e não vejo esta possibilidade ainda mesmo admittindo que fosse approvada a Proposta feita pelo meu illustre Collega da Commissão, para que fossem convidados a comparecer na Commissão, a fim de ahi apresentarem as suas idéas, todos os illustres Deputados que tenham offerecido differentes Emendas: d´aqui não vejo que possa resultar o fim a que desejamos chegar; e o segundo motivo é porque estamos a 27 de Maio; e, pela mesma razão que o Sr. Augusto Xavier diz que as discussões custam muito dinheiro, por essa mesma razão é que eu outro dia tive a honra de mandar para a Mesa um Requerimento para que as Sessões se abrissem ás 11 horas, por isso que tambem desejo que os trabalhos se adiantem: e não será deste modo que se economize o tempo, adiando objectos de tanta magnitude.

A Commissão Ecclesiastica, Sr. Presidente, não quer que a Camara seja Chancellaria dos seus Pareceres, ella sabe respeitar as suas decisões, e não se diga que levou a mal as differentes Emendas e Additamentos que os nobres Deputados apresentaram, antes pelo contrario partilha de algumas de suas idéas, e não terá mesmo duvida approva-las.

Sr. Presidente, a Commissão sabe cumprir o seu dever, e faz quanto está ao seu alcance para desempenhar a confiança que mereceu da Camara, e tanto está ella convencida de que ainda não traíu a sua missão, que muito a penalisa ouvir dizer ao illustre Deputado pela Estremadura que ella não deve querer ser privilegiada, não admittindo Emendas nos seus Pareceres; esta censura é na verdade grave: talvez fosse a mim que ella se dirigisse, como um dos seus Membros mais mediocre e insignificante; e se assim foi, o que muito estimarei, fica a Commissão a coberto de tamanha affronta.

Sr. Presidente, não tenho orgulho, nem posso persuadir-me que aquillo que sae das minhas mãos, seja com tanta perfeição que não mereça ser emendado: não tenho essa vaidade, antes muito bem conheço as minhas poucas forças. Sabe-se muito bem que muitas vezes tem sido devolvidos ás differentes Commissões os seus respectivos Pareceres para serem alterados nesta ou naquella parte. Mas pergunto eu, e pergunto ao Sr. Augusto Xavier, terá acontecido um caso identico a este nesta Casa?... Ahi estão os nobres Deputados que respondam. Tres vezes, Sr. Presidente, tem vindo este Projecto á Camara, e outras tantas tem sido devolvido á Commissão! O art. 2.° ainda está por votar, discutindo-se já o 4.°; eram 2 horas quando se poz á votação, e já não havia numero para se votar o artigo! O motivo não o sei... mas é certo que só isto tem acontecido nesta importante discussão (O Sr. Xavier da Silva: - Vá dizendo para logo ouvir). O illustre Deputado póde tomar notas, estimo muito, porque se as minhas palavras não forem invertidas, o illustre Deputado verá que eu não pertendo offende-lo, pugno pela honra da Commissão, e finalmente ouvirei o que me diz, e creia que tambem ha de ouvir. É verdade que não se póde negar que os nobres Deputados todos querem a sustentação do Clero; tem dado muitas provas disso, e talvez que este acalorado debate que tem havido, seja pelo muito desejo que tem pelo seu bem, mas desgraçadamente todos se illudem, porque quanto mais querem aperfeiçoar esta obra, mais ella se complica. Aqui está uma carta que agora acabo de receber, de um Parocho muito conspicuo e muito digno que faz votos para que se lhe melhore, e segure a derrama; pois diz elle que o maior mal que soffre esta Classe, é não terem meios fortes e decisivos para cobrar a quota correspondente á sua Congrua; isto, Sr. Presidente, é uma verdade, os freguezes mais poderosos e influentes se não quizerem pagar, o Parocho não tem forças para os obrigar; e por isso aqui se vê neste Projecto que foi ao que mais se attendeu, e ao que unicamente se deve attender desde já.

Sr. Presidente, entenda-se bem, e peço ao nobre Deputado pela Estremadura, que acredite nas mais bellas intenções da Commissão, e do respeito que ella tem ás decisões desta Camara: nós somos os primeiros a respeita-las, e o nobre Deputado ha de fazer-me o favor nesta parte de tributar-me justiça. A Commissão tem um onus que muito poucas outras tem: nós temos a infelicidade de advogar a causa de uma Classe que foi grande e rica, e que hoje é pobre e desgraçada; é uma Classe muito importante que pede justiça e meios, e que sem elles, e na miseria e despreso em que se acha, por corto que não póde prestar á Religião e ao Estado aquelles bons serviços, que andam inherentes á sua nobre e alta cathegoria (Apoiados). E portanto, se os illustres Deputados conhecem a necessidade de melhorar a posição dos Parochos, acreditem que nas nossas actuaes circumstancias poucos meios haverá além daquelles exarados no Parecer. Renegar dos princioios! . . Sr. Presidente, acho que esta frase tem uma latitude tal, que não a sei deduzir, nem quero, porque talvez viesse aggravar mais a discussão, mesmo porque muito bem póde ser que o illustre Deputado pela Estremadura que a proferiu, a entendesse, sem ser no sentido offensivo (Apoiados). Portanto concluo votando con-

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