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podem augmentar-se extraordinariamente, porque não ha duvida nenhuma de que a Russia póde ser um mercado amplissimo para os nossos vinhos (Apoiados) se por ventura o Governo fôr feliz nas negociações que tem já principiadas sobre este objecto, e que ha de constantemente seguir; mas tambem ha o principio dessa reciprocidade que no animo do nobre Deputado não paga cousa nenhuma; mas que deve certamente pagar no animo do Governo, e da Camara (Apoiados).

Sr. Presidente, esta Proposta tende á creação de uma missão de segunda ordem na Russia, e é necessario attender á fórma de Governo que existe naquelle grande Imperio. É necessario ter um conhecimento da maneira porque se dirigem os negocios naquelles Paizes, aonde ha Monarchas Absolutos, para se ver que um simples Encarregado de Negocios não é aquelle que é mais proprio para tractar dos negocios, rarissimas vezes um Encarregado de Negocios tem accesso junto ao Soberana ( Apoiados) e sabe-se muito bem que nestas fórmas de Governo é sempre a opinião, e voto do Soberano que principalmente influe para se poderem decidir os negocios, e que o Agente de qualquer Nação que não tiver accesso junto delle, difficultoso lhe será o conseguir qualquer cousa. Conhecem isto todos os que teem estado na carreira Diplomatica, os que teem lido a Historia Diplomatica dos differentes Paizes, e que conhecem pelos factos a verdade do que acabo do dizer. Além disto o Imperador da Russia tem tido na realidade uma grande consideração para com este Paiz, tendo desde que foi restaurado o Governo de Sua Magestade Fidelissima um Enviado Extraordinario aqui, e não obstante terem as Côrtes o anno passado deixado de votar a somma para uma missão de segunda ordem em S. Petersburgo, comtudo tal foi a consideração que o Imperador da Russia continuou a ter com este Paiz que assim mesmo continuou a ter aqui a sua missão de segunda ordem. Pergunto agora eu, deve Portugal deixar de ter igual consideração com o Imperador da Russia? Deve Portugal deixar de corresponder igualmente creando uma missão de segunda ordem em S. Petersburgo, ou seja por este motivo, ou por aquelle que já disse de ter effectivamente um Enviado Extraordinario sempre mais accesso para poder tractar de negocios, e negocios tão grandes como os que hoje se devem tractar entre as Côrtes de Portugal e da Russia?

Sr. Presidente, o argumento que apresentam os nobres Deputados de que um Encarregado de Negocios é tão apto para tractar os negocios Diplomaticos como um Enviado Extraordinario, e que os negocios commerciaes de qualquer Nação são tractados mais facilmente pelos Consules do que pelos Enviados Extraordinarios, e pelos Encarregados de Negocios, na realidade prova de mais; porque se isto é verdade, os nobres Deputados deviam começar não por combater esta Proposta, mas por propôr a abolição de todas as missões de segunda ordem, e mesmo dos de terceira, e deviam unicamente propôr os Consules, para serem logicos deviam começar por propôr a suppressão de todas as missões de segunda e terceira ordem (O Sr. ferreira Pontes: - Apoiado) Eu peço licença ao nobre Deputado para lhe dizer que quando eu fallar em negocios Ecciesiasticos me diga que não entendo nada disso; mas peço-lhe tambem licença para dizer que nestes negocios Diplomaticos pela maneira porque fallou, mostra que não tem todos os conhecimentos especiaes da materia, porque não considerou estes negocios com relação a todas as circumstancias de que estão revestidos. Na verdade é muito facil dizer - ha augmento de despeza, logo deve ser rejeitado - as Nações, e os Governos teem alguma cousa mais a considerar do que o augmento de despeza de 3 ou 4 contos de reis (Apoiados) e estas cousas que teem a considerar, é que espero que a Camara haja do tomar na devida contemplação, quando avaliar este Projecto. Eu, Sr. Presidente, pela practica que já tenho, não muito longa, do modo porque se tractam estes negocios Diplomaticos, não posso deixar de reconhecer que um Ministro de segunda ordem tem sempre muito maiores vantagens para tractar dos negocios de que o incumbe a sua Côrte, do que um Encarregado de Negocios; e por consequencia, quando se tracta da creação de uma missão de segunda ordem para a Russia, Nação que nos póde fornecer uma grande saida para os nossos productos, especialmente para os productos vinhateiros, é necessario tomar isto em consideração, para que a Camara vote esta Proposta.

O Governo pede á Camara acredite que senão tivesse uma convicção profunda de com isto se ganhar para a Causa Nacional, senão tivesse uma convicção profunda o Ministerio de que assim facilitava melhor a conclusão de negocios importantes que se acham pendentes, senão tivesse a convicção de que é necessario corresponder além disto a esta grande; prova de consideração, e delicadeza que a Côrte de S. Petersburgo tem tido com a de Portugal, não viria aqui trazer esta Proposta; mas foi só depois de meditar muito sobre todas estas circumstancias que se decidiu a apresenta-la, e tem toda a convicção de que a Camara tendo cm consideração o que acaba de dizer, ha de approva-la (Apoiados)).

O Sr. Carlos Bento: - Sr. Presidente, eu bem sei que não é a importancia de uma verba qualquer de despeza a consideração unica que deve decidir os Legisladores de um Paiz a approvar; mas, Sr. Presidente, sei egualmente que, nas circumstancias em que se acha Portugal, todas as vezes que se tracta de um augmento de despeza, não ha duvida nenhuma de que o modo de considerar um similhante objecto, como o considera no seu Relatorio o Sr. Ministro dos Negocios Estrangeiros, não é o modo conveniente. " É uma maior despeza." Mas é por não podermos satisfazer as maiores despezas que o estado tem a satisfazer, que nós nos achamos na situação em que effectivamente estamos.

Sr. Presidente, ha pouco tempo disse-se em uma Academia Franceza, na Academia das Sciencias Moraes em Fiança, nos fins de 1849, alludindo-se ás Finanças de Portugal, por occasião do estar presente um Mappa das nossas Finanças: " É curioso ente Mappa, porque as Finanças de Portugal são tão pouco conhecidas, como desgraçadas. " A opinião popular na Europa não se engana a este respeito, todos sabem em toda a parte a situação em que nós estamos (O Sr. Agostinho Albano: - É o Claudio Adriano). Ora o Claudio Adriano! Peço perdão ao illustre Deputado, a Academia das Sciencias Politicas e Moraes em França não é um corpo de tão pouca importancia que se possa dizer o que o illustre Deputado diz. Não é o Sr. Claudio Adriano, que assim mesmo tem muitissimos trabalhos, e muito me-