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1876 DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

e o seu dever n'esta occasião é fallar largamente, muito largamente, para que o paiz não ignore que elles desempenham uma missão patriotica, analysando circumstanciadamente assumptos de tanta magnitude como são, repito, os que o sr. Avellar Machado tratou; (Apoiados.) refiro-me ás matrizes e ás questões de guerra. (Apoiados.) O que se devia lastimar não é isto. (Apoiados.) O que, pela minha parte, lamento é que um discurso tão notavel como o que foi proferido pelo decano dos deputados regeneradores, e meu respeitavel amigo o sr. Guilherme de Abreu, que deixou a escorrer sangue o governo, pela fórma por que esse distincto orador avaliou o serviço das matrizes, mio merecesse uma palavra sequer de resposta. (Apoiados.) Ao sr. Guilherme de Abreu seguiu-se o illustre deputado, e tambem meu amigo e correligionario, o sr. Avellar Machado, que não foi menos cruel e menos justo, apreciando esse mesmo serviço, e o illustre relator limita-se a responder-lhe com o requerimento, que acaba de fazer as delicias da camara. (Muitos apoiados.) Bom é que isto tique consignado. (Apoiados.)

Alimentará o sr. Carrilho a pretensão de ser o unico a inscrever se a favor, quando se trata da discussão do orçamento? (Riso.)

É certo que eu de ha longos annos estou habituado a vel-o proceder por essa fórma, quaesquer que sejam os partidos que occupem o poder (Hilaridade.); mas aspirar a ter privilegio exclusivo na materia, afigura-se-me um pouco forte! (Riso prolongado.)

Julgo por consequencia conveniente que s. exa. se mostre menos exclusivista, e tanto mais que o sr. Avellar Machado foi até bastante benevolo, largamente benevolente, quando se occupou da questão militar, (Apoiados.) como eu terei occasião de demonstrar á camara, no decorrer das considerações que me proponho fazer. Antes d'isso, porém, vou referir-me a outros assumptos.

Aproveitando a presença do illustre presidente do conselho, que raras vezes temos tido o gosto de ver entre nós, durante- esta discussão, vou dirigir me a s. exa. Para isso occupar-me-hei de hospitaes, que serão os meus intermediarios para chegar até junto de s. exa. E v. exa. e a camara não estranharão, por certo, esta minha digressão por esses dominios mais ou menos insalubres, inficionados até, especialmente os intermediarios, que constituem na actualidade um factor valioso na administração dos negocios publicos. (Apoiados.)

Uns e outros, isto é, intermediarios e hospitaes estão hoje muito em voga. (Apoiados.)

Um hospicio de alienados, por emquanto em projecto, chega mesmo a ser o ideal de muitos homens que militam na politica.

Mais tarde, porventura muito mais tarde, serei mais explicito a este respeito, como o serei igualmente com relação aos intermediarios e agentes de especulações pouco lisas, dois verdadeiros cancros sociaes. (Apoiados.)

Por emquanto, e para começar na minha ordem de considerações, recordarei que li n'um jornal que o director do hospital das Caldas da Rainha tinha pedido a sua aposentação.

E eu devo dizer desde já a v. exa. e á camara que, se effectivamente é certa esta noticia, eu só tenho a felicitar-me e a felicitar todas as pessoas que frequentam aquella estação balnear, onde não se cumprem nem se satisfazem os preceitos que devem servir de norma em estabelecimentos d'essa natureza. (Apoiados.)

As causas principaes, se não as unicas, d'este estado de cousas, que não póde continuar, são a incompetencia do actual director e a teimosia senil, a peior de todas, com que se recusa a engeitar os processos rotineiros, que são O seu enlevo, e a acceitar as auctorisadas indicações reformadoras que lhe têem sido indigitadas pelos homens de sciencia mais competentes.

Eu vou adduzir alguns factos para provar as minhas asserções.

Quando, em 1884, exercia o cargo de governador civil de Leiria o fallecido Affonso de Castro, foi nomeada uma commissão de que era presidente, se bem me recordo, o eminente parlamentar e meu velho amigo, o sr. Pinheiro Chagas, e de que faziam parte os medicos de maior reputação no paiz.

Esta commissão formulou e propoz uma certa ordem de instrucções relativamente não só ao regimen d'aquelle estabelecimento, mas ainda a melhoramentos que era preciso introduzir-lhe.

D'essas instrucções poucas ou nenhumas foram attendidas.

Ora a verdade é que a illustrada commissão, a que me refiro, condemnára, com sobeja rasão, entre outras cousas, a pessima situação em que estavam as enfermarias, por isso que recebiam as emanações deleterias das piscinas.

A despeito d'isso, não me consta que, até hoje, tivessem sido adoptadas as indispensaveis providencias pela direcção, ou a requisição d'ella. Como se observa, a commissão viu malogrados os seus esforços, tendentes á realisação de uma reforma que se impunha a todos os respeitos, e não foi mais feliz, como igualmente se vae ver, aconselhando o emprego de uma machina a vapor para elevação das aguas para as tinas dos banhos reservados - operação esta que ainda se effectua pelo modo mais primitivo, e bem assim indicando a adopção de apparelhos, no variado emprego tambem das aguas aos doentes, o que ha muito tempo são usados, nos estabelecimentos similares do estrangeiro.

É certo que, n'este ponto, a direcção procurou afastar-se, mau grado seu, dos processos rotineiros, satisfazendo d'essa maneira os desejos da commissão. N'este intuito, encommendou no estrangeiro alguns apparelhos; mas a escolha feita e sua applicação foram tão desastradas, que elles ou estão já inutilisados, ou pelo menos deteriorados. O quadro que deixo descripto, nada tem, como se nota, de lisonjeiro. (Apoiados.)

A commissão de 1884, que, como tive occasião de dizer, era composta dos facultativos mais conspicuos o abalisados, seguiu-se, já durante a gerencia do actual governo, uma visita de estudo, feita pelo sr. dr. Manuel Gomes, do Cartaxo, aos estabelecimentos da mesma indole no estrangeiro.

Não conheço pessoalmente este cavalheiro. Asseguram-me, porém, que é competentissimo na especialidade, assim como me affirmaram que elle fez a sua viagem de estudo sem receber subsidio algum do governo.

Este acto, por extraordinario entre nós, é digno de ser registado e, faz honra ao seu auctor. (Apoiados.)

Do que observou e analysou no estrangeiro elaborou, segundo me consta, o sr. dr. Manuel Gomes, extenso relatorio, indicando as medidas que devem adoptar-se, a fim de que o estabelecimento balnear das Caldas seja elevado á altura em que já devia achar-se, tanto perante as exigencias da sciencia, como perante o conforto, commodidades e distracções, que devem ser proporcionados, no interesse de todos, aos frequentadores de estações thermaes.

Em presença d'estes factos, o que se propõe fazer o governo? Continuar a desprezar as sensatas e auctorisadas indicações que lhe têem sido feitas? Adiar indefinidamente a reforma, que as mais rudimentares conveniencias aconselham?

Se é este o seu proposito, eu desde já protesto contra elle. (Apoiados.)

É indispensavel, é inadiavel que a reforma se faça e em sentido radical. (Apoiados.)

Um estabelecimento, cujos encargos para o thesouro avultam acima de l5:000$000 réis annuaes, não pôde continuar no estado cahotico em que se encontra, e tanto mais que não é preciso ser nenhum Argus para prever que a despega de hoje converter-se ha em receita, logo que se