O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

1958

DIARIO DA CAMARA DOS SENHORES DEPUTADOS

portugueza, esse homem sempre desenrolou a sua bandeira e jamais a colheu vergonhosamente ainda nas circumstancias mais difficeis; esse homem nascido em berço humilde, transitou pelo exilio e morreu exactamente como nasceu; esse homem era um espirito de eleição, um d'aquelles espiritos resplandecentes que illuminaram a scena portugueza. Pois bem, esse homem, que possuia tambem a ironia finíssima, fallando de um ministerio para o qual despontava a aurora da longa vida, de todas as riquezas, de todas as influencias, e opulências dizia: «na vespera todas as letras se acceitam, no dia seguinte todas, ou quasi todas, se protestam,»

A auctoridade é insuspeita para todos nós.

Eu faço completa justiça ao governo, que é composto de cavalheiros cujo caracter respeito e considero, mas a sentença é verdadeira»

Aproveitem n'a todos, e aproveite-a sobretudo o governo. (Apoiados.)

O governo acceitou muitas letras, e desgraçado d'elle se as deixar protestar, em parte que seja. (Apoiados.)

Já começou. E elle proprio quem protesta e deshonra a firma. (Apoiados)

Os encargos que tomou são enormes, são pesadissimos, e desde o momento em que deixar correr a sua firma sem a honrar, o gabinete, está perdido. (Apoiados) Já está perdido. (Apoiados)

Mas, dizia eu, o governo não quer por modo algum intervir na lucta eleitoral que naturalmente se vae seguir, que é a consequencia logica da approvação da moção que está na mesa? (Apoiados)

Não nos illudamos; o conflicto nasce necessariamente da approvação d'essa moção. (Apoiados)

Devemos dizer as cousas com uma nobre isenção, não devemos estar a enganamos uns aos outros. (Apoiados.)

O governo n'uma affirmativa platónica quer respeitar intemeratamente a liberdade da urna, não quer influir de nenhuma maneira na eleição, não quer sophismar por modo algum a genuidade e liberdade de voto?

Então qual a rasão por que o governo se arreceia d'esse machinismo eleitoral a que alludiu? (Apoiados.)

Qual a rasão por que se arreceia de vir á urna luctar comnosco? (Apoiados.)

Unia VOZ: — Não se arreceia.

O Orador: — Não se arreceia?!... Então é um amor platonico que tem por esta maioria desauctorisada? (Apoiados)

Ou então esta maioria sem auctoridade serve, estando aqui, para o governo montar de novo essa machina administrativa, que parece desconfiar de que funccione a nosso favor? (Apoiados)

Eu nunca precisei do favor ou do auxilio da entidade administrativa do concelho para vir aqui; e creio que posso tomar o compromisso, em nome dos meus livres e independentes eleitores, de tornar a vir cá exactamente com o mesmo mandato que me tem sido dado até hoje. (Apoiados.)

Emfim, sr. presidente, o governo tem medo da machina administrativa e quer ganhar tempo. (Muitos apoiados.) ¦ E tudo em nome da liberdade!

Não quero progredir, porque a hora está adiantada.

Nós podiamos discretear largamente sobre estas vastissimas campinas em que tantas assumptos se levantam e exigem a nossa attenção, mas temos de derimir o pleito que existe entre nós, e pela minha parte só me resta agradecer á assembléa a benevolencia com que me escutou.

Vozes: — Muito bem, muito bem.

(O orador foi comprimentado.)

O Sr. Adolpho Pimentel (para um requerimento): — Requeiro a v. ex.ª que consulte a camara sobre se julga a materia sufficientemente discutida; e, no caso que a materia seja julgada discutida, que consulto tambem a camara sobre se quer que haja votação nominal sobre a moção do sr. Lopo Vaz.

Resolveu-se que a materia estava sufficientemente discutida, e que houvesse votação nominal sobre a moção do sr. Lopo Vaz.

Feita a chamada:

Disseram approvo os srs.: Adolpho Pimentel, Fonseca Pinto, Osorio de Vasconcellos, Rocha Peixoto (Alfredo), Gonçalves Crespo, Lopes Mendes, A. J. Teixeira, Pedroso dos Santos, Pinto de Magalhães, Fuschini, Pereira Leite, Neves Carneiro, Barão de Ferreira dos Santos, Sanches de Castro, Cazimiro Ribeiro, Moreira Freire, Costa Moraes, Hintze Ribeiro, Filippe de Carvalho, Vieira das Neves, Pinheiro Osorio, Mouta e Vasconcellos, Gomes Teixeira, Rebello Pavão, Frederico Arouca, Guilherme de Abreu, Palma, Silveira da Mota, Freitas Oliveira, Costa Pinto, Jeronymo Pimentel, Osorio de Albuquerque, Anastacio de Carvalho, Brandão e Albuquerque, Scarnichia, João Ferrão, Sousa Machado, J. A. Neves, Pires de Sousa Gomes, Pereira da Costa, Figueiredo de Faria, Namorado, Ferreira Freire, J. M. Borges, J. M. dos Santos, Pereira Rodrigues, Sousa Monteiro, Sá Carneiro, Julio de Vilhena, Lopo Vaz, Lourenço do Carvalho, Luiz de Lencastre, Bivar, Freitas Branco, Luiz Garrido, Faria e Mello, Manuel d’Assumpção, Rocha Peixoto, Correia de Oliveira, Macedo Souto Maior, Aralla o Costa, Miguel Dantas, Miguel Tudella, Pedro Correia, Pedro Barroso, Pedro Jacomo, Rodrigo de Menezes, Visconde de Andaluz, Visconde da Arriaga, Visconde da Azarujinha, Visconde do Rio Sado, Visconde de Sieuve de Menezes, Francisco Costa, Ferreira de Mesquita, Carrilho.

Disseram rejeito os srs.: Alfredo de Oliveira, Torres Carneiro, Pereira de Miranda, Avila, Mendes Duarte, Victor dos Santos, Avelino de Sousa, Emygdio Navarro, Goes Pinto, Francisco de Albuquerque, Van-Zeller, Paula Medeiros, Melicio, Barros e Cunha, Almeida e Costa, Dias Ferreira, Tavares de Pontes, Laranjo, Teixeira de Queiroz, Mello Gouveia, Pires do Lima, M. J. Gomes, M. 3. Vieira, Pinheiro Chagas, Nobre de Carvalho, Mariano de Carvalho, Miranda Montenegro, Visconde da Aguieira, Visconde de Alemquer.

Foi, portanto, approvada a moção do sr. Lopo Vaz por 75 votos contra 29.

O sr. Barros e Cunha: — Mando para a mesa o seguinte projecto de lei.

(Leu.)

Peço a urgencia d'este projecto, para ser desde já enviado á commissão respectiva.

Foi declarado urgente.

Será publicado n'uma das proximas sessões.

O sr. Presidente: — Amanhã ha trabalhos em commissões; e depois de ámanhã a ordem do dia é a discussão da lei de receita e despeza do estado,

Está levantada a sessão.

Eram seis horas e um quarto da tarde.