O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

APPENDICE Á SESSÃO DE 7 DE JUNHO DE 1888 1898-1

Que ratões allegaram os adjudicatarios para que lhes fosse concedida prorogação de praso?

Em que ordem de considerações se inspirou o illustre ministro para graciosamente annuir ao pedido que lhe foi feito?

Creio que estas minhas perguntas não podem ser taxadas de indiscretas. (Apoiados.) Mas supponho igualmente que ellas ficarão sem resposta. Ainda não será n'este assumpto que o mysterio e a reserva deixarão de adejar sobre o ministerio da guerra. Ver-se-ha.

E para cumulo de tudo isto, o sr. ministro da guerra não se acha presente, como o não está tambem o illustre presidente do conselho; e pôde v. exa., sr. presidente, e a camara acreditar que eu sinto profundamente a sua ausencia. Alem de me ter occupado de actos, que reputo graves, (Apoiados.) das respectivas gerencias de s. exas., o que aconselhava a presença, n'esta casa, dos dois illustres conselheiros da corôa, a assistencia de s. exas. aos debates parlamentares é sempre muito apreciada, pelo menos, pela opposição. (Apoiados.)
E n'este momento, pelo que me respeita, ser-me-ia mais agradavel do que nunca. Desejava vel-os, na bancada ministerial, hombro com hombro, com o sr. ministro da fazenda, porque ficariam assim ao lado uns dos outros, estando na questão dos fornecimentos, cada um para seu lado. (Riso. - Apoiados.)

Mas como não me é dado desfructar essa ventura, direi, pondo por este modo termo ás minhas observações sobre fornecimentos, que n'esta questão ha nas regiões officiaes tres opiniões: a do sr. ministro da fazenda, que é a orthodoxa; a do sr. ministro da guerra, que é a schismatica; e a do sr. presidente do conselho, que não é uma nem outra cousa. (Apoiados.) N'esta materia s. exa. não se filia em seita alguma definida. É pelos amigos. (Riso. - Apoiados.)

E feita a classificação de opiniões, em conformidade com o procedimento dos tres illustres ministros, passo a occupar-me da defeza geral do reino.

A defeza do reino é seguramente um dos serviços que mais deve prender a attenção do paiz e do parlamento, principalmente a defeza de certos pontos capitães, como a de Lisboa e seu porto, (Apoiados.) de que mais tardo especialmente me occuparei.

E entretanto, triste é confessal-o, não ha um plano geral estabelecido, tudo n'esta parte está por fazer, a despeito das varias tentativas que ha mais de trinta annos se fazem, no sentido de remediar tão grande mal, de preencher tão condemnavel lacuna! (Apoiados.)

E não é por falta de commissões que o problema não tem sido resolvido. Têem-se ellas succedido, com pequenos intervallos, umas ás outras, desde 1857 até hoje, em que vivemos sob o signo da commissão superior de guerra, recentemente nomeada.

Será ella mais feliz do que as suas antecessoras?

Sinceramente o desejo, como o devem desejar todos os que se interessam pela manutenção da nossa autonomia, - questão esta que deve estar fóra da alçada da politica partidaria, e em que deve haver completa uniformidade de pareceres. (Apoiados.)

Para isso bastaria que ella se conduzisse como as suas homonymas, existentes na Allemanha, porque foi ali que se foi buscar a denominação com que foi baptisada a neophyta. Oxalá se importassem, ou antes se podessem importar d'aquelle poderoso paiz as latissimas attribuições de que ellas ali desfructam e - porque não o hei de dizer - os homens experientes e superiores que d'ellas fazem ou têem feito parte. (Apoiados.)

Na Allemanha, a commissão superior de guerra é sempre presidida por um dos vultos mais proeminentes do imperio. Nos ultimos annos da vida do imperador Guilherme I, exerciam as funcções, de presidente, o herdeiro do throno, que depois foi o imperador Frederico III, e de vogaes, o marechal Moltke, chefe do estado maior general, o ministro da guerra e alguns dos mais abalisados commandantes de corpos de exercito.

Para se fazer idéa da largueza e extenção das suas attribuições, basta dizer que nenhum caminho de ferro é construido sem que os respectivos planos sejam submettidos á apreciação da commissão superior de guerra que, sem appellação de especie alguma, os modifica, altera ou rejeita, como melhor entende.

Por isto se vê, quanto estamos distanciados d'aquelle grande paiz! (Apoiados.) Aqui, as commissões de defeza, se pouco trabalham, como é facil provar, e eu provarei com documentos publicos, não são tambem por via de regra, attendidas nas suas consultas, a que se sobrepõem as influencias das companhias e dos boyardos financeiros melhor cotados, como o demonstrarei igualmente quando me occupar do caminho de ferro de Cascaes. Parece até que são exclusivamente ouvidas, para servirem do ludibrio e serem escarnecidas, pelos syndicatos de negocios, paternalmente apadrinhados por este governo. (Apoiados.)

N'estas condições seria melhor, mais conveniente e menos affrontoso não as consultar. (Apoiados.) Pelo menos lucraria com isso o decoro publico. (Apoiados.)

Á decadencia de costumes, que estes factos revelam, á ineficacia com que, ha mais de trinta annos, as varias commissões têem procurado assentar n'um plano geral de defeza do reino, corresponde naturalmente o estado miseravel em que nos encontrâmos sob o ponto do vista defensivo, a começar pelas nossas praças de guerra. (Apoiados.)

A respeito d'estas praças, emitti eu a minha opinião no anno passado, quando aqui appareceu um projecto com enxertia de officiaes superiores para a engenheria e para a artilheria. O projecto, diga-se de passagem, foi approvado; mas os enxertos não pegaram.

Uma voz: - Eram de garfo.

O Orador: - Exactamente, eram de garfo, (Riso.) como podiam ser de borbulha, (Riso.) porque é o que não escasseia. (Apoiados.) Mas como não pegaram, como disse, ninguem medrou com elles. (Riso. - Apoiados.)

Dizia eu, pois, sr. presidente, que no anno passado emittira a minha opinião sobre as nossas praças de guerra. Não irei agora repetir á camara os argumentos que então expuz, porque, mais uma vez o asseguro, desejo ser breve quanto possivel. Limitar-me-hei, portanto, a consignar que, se então considerava inuteis quasi todas ellas, hoje não tenho que fazer excepções. Assim as reputo a todas, depois das experiencias feitas ultimamente no estrangeiro com os novos explosivos. (Apoiados.)

D'essas experiencias concluiu-se que, até as blindagens metallicas de maior espessura não resistiam, por muito tempo, á melinito. Por isto se pôde avaliar o que resistirão as nossas praças, desmanteladas, construidas com antigos materiaes, dos mais primitivos, deveria eu dizer. Na sua maioria não resistem a um quarto de hora de investimento. (Apoiados.)

E é por isso que, no estrangeiro na França, por exemplo, as praças que se acham n'essas condições vão ser arrazadas.

Conserval-as em tal estado é mais prejudicial do que as não ter. Obrigam a despezas improductivas, embaraçam o desenvolvimento das edificações ordinarias, e até submettem, em caso de guerra, a população a provações perfeitamente estereis, e a que poderia não estar sujeita se não estivesse n'um recinto fechado. (Apoiados.)

Do que deixo exposto conclue-se: que nenhuma das nossas praças de guerra, incluindo a de S. Julião e a de Monsanto, está nas circumstancias de offerecer resistencia que tal nome mereça, logo que o inimigo empregue contra ellas os novos explosivos; e que, a par d'isso, não ha um plano, nem sequer um projecto de plano geral de defeza do reino, o que prova que as commissões nomeadas para esse fim pão têem encontrado o indispensavel apoio nas altas