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SESSÃO NOCTURNA DE 9 DE JUNHO DE 1888

documento. Portanto, se os illustres deputados não discutiram os assumptos militares, foi porque não quizeram, e não por falta de tempo.

Se tivessem verdadeiro empenho em discutir os negocios que dizem respeito á pasta de guerra, podiam ter-se inscripto em altura conveniente, ou pedido aos seus collegas que não fossem tão prolixos.

Não fizeram nada d'isso, e depois vêem para aqui dizer que não lhes deram tempo de discutir os importantissimos problemas militares, quando n'este anno a resposta ao discurso da corôa teve um largo e desenvolvido debate muito superior aos outros annos.

Assim em:

1880, discutiu-se em l sessão

1881, em 8 »

1882, em 4 »

1883, em 3 »

1884, em 3 »

1835, em 12 »

1886, em 4 »

1887, em 9 »

1888, em 9 »

Portanto, se as questões militares não foram discutidas, a opposição e só a opposição foi a culpada.

(Interrupção que não se percebeu.)

Podem os illustres deputados crer que não omitto nada, e não desejo faltar á verdade, porque quero tirar as legitimas conclusões dos factos e dos meus raciocinios.

Mostrei eu, que de 1880 para cá só houve um anno, o de 1885, em que a resposta ao discurso da corôa teve mais amplo desenvolvimento, e d'ahi concluo que, se nos outros annos foram discutidos os assumptos respeitantes á pasta da guerra e este anno não, foi porque os illustres deputados assim quizeram e não por falta de tempo.

Creio ter amplamente demonstrado que nada justifica esta desenvolvida discussão, que já excede todos os limites, e não tem precedentes nos fastos parlamentares.

Apresento estes argumentos, porque desejo justificar-me perante v. exa., perante a camara e perante o paiz de não dar uma resposta desenvolvida aos pontos iniciados pelos meus illustres collegas os srs. Avellar Machado e Dantas Baracho.

Sr. presidente, eu tomei apontamentos em cinco folhas de papel e vejo-me embaraçadissimo sem saber por qual dos pontos hei de começar a responder aos meus illustres collegas, porque os assumptos que s. exas. trataram foram muitos, variados e importantes.

Mas, vamos fazer um esforço e comecemos por um ponto qualquer.

Podemos começar do principio para o fim ou do fim para o principio.

Sr. presidente, declaro a v. exa. e á camara, que o final do discurso do meu amigo o sr. Dantas Baracho me molestou profundamente e me causou uma dolorosa impressão.

Vou dizer porque.

O sr. Baracho foi de uma crueldade pungente, de uma injustiça flagrante, para a memoria do seu antigo chefe sr. Antonio Maria de Fontes Pereira de Mello, e foi talvez sem o querer, porque eu estou certo que s. exa. respeita a memoria do sr. Fontes, não só como seu chefe prestigioso mas como um dos homens que mais querido foi do seu partido.

E eu declaro a v. exa., que respeito a memoria do sr Fontes, porque este illustre estadista deixou de pertence só ao seu partido, para pertencer ao paiz e á historia.

Por isso digo, magoou-me profundamente o ver a crueldade com que s. exa. tratou a memoria d'este illustre estadista, que devia merecer-lhe outra consideração.

Quem me diria, sr. presidente, que havia de ser eu, que n'esta casa teria de levantar a minha voz humilde para efender a memoria de Fontes Pereira de Mello tão atacada pelos seus amigos?

Quem me diria, sr. presidente, que eu teria ainda de levantar a minha voz para combater os argumentos com que s amigos do sr. Fontes tentam denegrir-lhe a memoria e destruir-lhe a sua ultima obra - a reforma do exercito?

O illustre deputado o sr. Baracho, enumerando á camara os diversos ministros que têem gerido a pasta da guerra, mostrou que desde 1871 para cá essa pasta tem estado nas mãos de cavalheiros pertencentes ás armas especiaes, e que á preponderancia das armas especiaes no ministerio da guerra se devia a desgraça do exercito.

Disse s. exa., com sua voz mais emphatica, «a sciencia produz d'estes resultados!»

O sr. Baracho: - Eu disse que as acquisições do material se deviam ao sr. Fontes.

O Orador: - Eu demonstrarei a v. exa. que o illustre ministro da guerra o sr. visconde de S. Januario mais alguma cousa tem feito em favor do exercito.

Tenho pena de não poder dispor do tempo que seria necessario para tratar largamente d'esta questão, porque havia rebater como podesse e soubesse os argumentos dos illustres deputados que me precederam.

Todos sabem, que no largo periodo de quinze annos, de 1871 a 1886, foi o sr. Fontes que quasi exclusivamente geriu a pasta da guerra.

Portanto, se o exercito está no estado lastimavel que os illustres deputados apontaram, deve-se exclusivamente ao sr. Fontes.

Não foi certamente em dois annos, que tanto é o tempo que o sr. visconde de S. Januario gere esta pasta, que o exercito se estragou.

Espero demonstrar plenamente que o illustre ministro da guerra tem, como poucos, correspondido á sua missão.

Sr. presidente, eu respeitei sempre o talento, o caracter e a dignidade do sr. Fontes, divergindo comtudo dos seus procesos politicos, atacando-os muitas vezes na imprensa com a energia e o vigor de que podia dispor, mas respeitando sempre o homem e o cavalheiro, e hoje que elle pertence á historia, nunca deixarei do lhe prestar a minha homenagem de consideração, e por isso me senti profundamente maguado ao ver que os illustres deputados nem ao menos respeitam a memoria do chefe, que lhes devia ser tão querida.

Creio que, se o exercito está mau, e não é agora occasião de discutir este thema, não foi o sr. visconde de S. Januario que o estragou.

Quem geriu a pasta da guerra de 1871 a 1886 foi o sr. Fontes, á excepção de pequenos periodos em que s. exa. foi substituido pelos srs. Sousa Pinto, João Chrysostomo de Abreu e Sousa e José Joaquim de Castro; mas estes, póde dizer-se, nem aqueceram o logar.

Ainda assim, todos sabem que o sr. Abreu é Sousa deixou um rasto muito luminoso na sua curta passagem por aquella pasta. (Apoiados.)

Se o exercito está longe de satisfazer ao seu fim, se não corresponde ao que d'elle se espera, não é certamente o sr. visconde de S. Januario que tem a culpa, e eu demonstrarei que o illustre ministro tem empregado todos os meios ao seu alcance para instruir, disciplinar e administrar o exercito o melhor que é possivel.

Não é em dois annos que se póde levantar esta instituição do abatimento em que a deixaram.

Não é tambem em dois annos que se podia dar cabo do exercito se elle estivesse bom, a não ser que houvesse proposito firme e caso pensado, e eu creio que tanto não dizem nem pensam os illustres deputados.

Sr. presidente, nenhum dos oradores e jornalistas do partido progressista vibrou golpes mais crueis á reforma de 1884 do que o têem feito os oradores e jornalistas do