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SESSÃO NOCTURNA DE 9 DE JUNHO DE 1888 1931

Ora, devendo o nosso exercito ter em pé de guerra pelo menos 120:000 homens, claro está que devemos ter 360 tocas de fogo ou 60 baterias, mais 12 do que as calculadas pelo outro processo.

O que desejo com isto provar, é que a artilheria está muito longe de satisfazer as necessidades do exercito e não conserva a proporcionalidade que em toda a parte se acha estabelecida e que tem sido reputada a mais conveniente.

Estudando a organisação dos exercitos allemão e francez em 1870 achei que um corpo do exercito allemão de 32:000 homens tinha 96 bôcas de fogo, o que dá 3 por 1:000 homens conforme os principios.

Um corpo de exercito francez com perto de 33:000 homens tinha 90 a 120 bôcas de fogo o que dá 3 a 3,6 por 1:000 homens. (Apoiados.)

Vê-se portanto que este é o numero regular de bôcas de fogo que deve haver, e que não temos a artilheria necessaria para satisfazer as necessidades do nosso exercito.

Isto mesmo foi dito pelo sr. Fontes na occasião em que organisou o exercito, porque s. exa. declarou que a artilheria estava muito longe de satisfazer ás necessidades do serviço.

Bem sei, que as circumstancias do thesouro se impõem de uma maneira imperiosa, mas podemos e devemos ír pouco a pouco, como se faz em toda a parte.

Sr. presidente, quero demonstrar a v. exa. e á camara que esta circumstancia se tem reflectido de tal modo, que o atrazo das promoções na arma de artilheria relativamente ás outras armas é bastante frizante.

Não imaginem v. exas. que digo isto por mim, pois estou tão afastado do posto immediato, que hei de ser o capitão Machado chronico. (Riso.)

Eu argumento sempre no campo dos principios e os que me conhecem, sabem bem que me não movem interesses, nem despeitos, que não tenho, não tive e espero não terei.

Na organisação do exercito de 1884 fixaram-se os quadros das diversas armas sem subordinação a principios, sem regras, sem normas, sem cousa alguma que seja harmonico, e antes pelo contrario tudo previa que as promoções nas diversas armas relativamente umas ás outras, haviam de correr muito tumultuosamente.

[Ver tabela na imagem]

Se estabelecermos a proporção entre os capitães das diversas armas e os seus respectivos officiaes superiores e compararmos com a artilheria, vê-se quanto esta arma se acha distanciada.

Assim para a engenheria:

40 : 30:: 82 : x

x=61,5

Porém tendo a artilheria só 47 officiaes superiores, vê-se que vem a faltar 14,5 para haver proporcionalidade nas duas armas.

Procedendo do mesmo modo para o estado maior temos

20: 18:: 82: x

x = 73,8 officiaes superiores que deviam pertencer a artilheria para haver a proporção.

Façamos o mesmo para a cavallaria

74:44::82:x
x=48,7

Infanteria

324 : 183:: 82

x = 46,3

É na cavallaria e na infanteria que a proporção se approxima, porém se attendermos a que n'estas duas armas o maior numero de reformas é nos postos de capitão para major e de coronel para general de brigada, sendo rarissimo haver no primeiro posto reformas na artilheria, vê-se claramente quanto esta arma está desfavorecida relativamente a todas as outras armas.

O que nos diz a theoria acha-se confirmado na pratica.

Vou ler á camara uma nota do tempo de serviço que os tres capitães mais antigos de todas as armas, têem n'este posto, referente a 31 de dezembro de 1887, e por ahi se avaliará que a pratica confirma a theoria.

[ver tabela na imagem]


Desejando ainda esclarecer mais o meu espirito, fui comparar o tempo de serviço que estes capitães têem desde a sua promoção do posto de tenente até 31 de dezembro ultimo, e encontrei o seguinte:

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