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SESSÃO NOCTURNA DE 9 DE JUNHO DE 1888 1935

dores o camaras mucipaes, que não recenseiem homens mortos, como disse o sr. Serpa Pinto, pães que não baptizem os filhos aos quatorze annos, e quem não mude nos livros do baptismo Antonio para Antonia e Francisco para Francisca.

Consigam v. exas. isto e temos o problema resolvido.

Sr. presidente, a hora está muito aiantada, tenho dado ás minhas considerações maior desenvolvimento do que esperava, e portanto não posso, como previ, responder a todos os pontos a que o sr. Baracho se referiu.

Para não demorar, não examinarei mesmo os meus apontamentos; responderei entretanto aos pontos que me forem occorrendo.

Disse o sr. Baracho que o sr. ministro da guerra tinha desconsiderado a arma de infanteria e cavallaria, por não ter mandado ao estrangeiro officiaes d'estas armas assistir as monobras.

Esta lenda da desconsideração ás armas do infanteria e cavallaria é necessario que acabe.

Ninguem desconsidera estas duas armas, porque os seus officiaes são tão dignos e tão distinctos como os restantes officiaes do exercito.

Cada arma desempenha o serviço inherente á sua organisação e á sua especialidade.

O facto de se destinarem uns serviços para uma arma e serviços differentes para outra, não é desconsiderar ninguem; é inevitavel que assim seja.

Ora, eu vou explicar a rasão por que não foram assistir ás manobras officiaes de todas as armas, e estou certo que s. exa. ficará satisfeito.

Quantas vezes, desde que está á frente do exercito o sr. visconde de S. Januario, têem sido mandados officiaes ao estrangeiro assistir ás manobras?

Uma vez só, e foi o anno passado.

Quantos officiaes mandou o illustre ministro da guerra?

O menor numero que podia mandar, porque mandou um só, e esse foi o sr. João Martins de Carvalho, capitão do estado maior, um dos officiaes mais distinctos do nosso exercito, e que folgo ter occasião de lhe prestar n'este logar homenagem ao seu talento e conhecimentos.

E porque não mandou o illustre ministro da guerra mais ninguem?

Não mandou, porque os illustres deputados da opposição estão constantemente a dizer que o governo gasta de mais e a pedir aos ministros que façam economias, e o sr. ministro da guerra, desejando satisfazer os pedidos da opposição, não mandou officiaes de todas as armas para não fazer despeza.

Supponho que o illustre ministro procedeu conforme os desejos da opposição, e que os illustres deputados lhe devem estar agradecidos.

Mas, sendo esta rasão muito poderosa, ha outra que certamente imperou no espirito de s. exa., como imperaria no meu.

O sr. ministro da guerra lembrou-se, de certo, do que aconteceu em 1880 ao sr. Abreu e Sousa, então ministro da guerra.

Então, como agora, a Italia mandou proceder a manobras com o seu exercito, então, como agora, convidou o exercito portuguez a fazer-se representar, e o sr. Abreu e Sousa nomeou officiaes de todas as armas para irem assistir a essas manobras.

Assim que constou esta nomeação, foi tal o ataque dos jornaes da opposição, que até o Diario de noticias, que é reputado incolor, não pôde eximir-se de critical-a.

O que posso affiançar a v. exa., é que alguns dos officiaes que já estavam indicados para ir assistir a essas manobras, e tinham até feito despezas avultadas, foram desnomeados, perdendo o dinheiro gasto.

E, porque foi que isto succedeu? Para se dar satisfação ás exigencias e criticas da opposição. (Apoiados.)

Eu tenho, felizmente, boa memoria, e bem presentes os factos da historia do meu paiz, que são meus contemporaneos, e sei que, em 1880, quando o sr. Abreu e Sousa nomeou officiaes de todas as armas para aassistirem ás manobras em Italia, a imprensa regeneradora censurou acremente o facto.

Seguramente o sr. visconde de S. Januario, que, como eu, se lembra d'isto, não quiz sujeitar-se ás mesmas censuras, e apenas nomeou um official, que é dos mais distinctos do exercito.

O sr. Dantas Baracho: - Não nomeasse nenhum.

O Orador: - Não podia deixar de nomear, e vou dizer por que.

O governo tem sido censurado por não se fazer representar na proxima exposição universal de París, não cedendo ao convite feito pela França. N'esta casa, por mais de uma vez tem sido interpellado, por não se fazer representar officialmente n'aquella exposição.

O sr. Dantas Baracho: - Foi só o sr. Consiglieri Pedroso, que é republicano.

O Orador: - Não foi só o sr. Consiglieri, foi tambem o sr. Fuschini, e não sei se mais algum sr. deputado.

O sr. Fuschini, por mais de uma vez accusou o governo por não acceder ao convite que lhe fez a França para se fazer representar na exposição.

Mas, ainda quando fosse só o sr. Consiglieri, não tira valor ao facto.

Portanto, tendo a nação italiana, patria da nossa Rainha, feito um convite a Portugal para mandar os seus officiaes assistir ás manobras que se realisavam n'aquella nação, mal parecia que não se mandasse ninguem.

Se o sr. ministro da guerra assim tivesse procedido, que de censuras lhe não fariam os illustres deputados, e diga se a verdade que eram merecidas.

Já vê, pois, o illustre deputado, que o sr. ministro da guerra não podia deixar de mandar officiaes assistir ás manobras italianas.

Mandou, como eu já disse, o sr. Martins de Carvalho, e como o sr. Fernando de Serpa Pimentel estava na Italia estudando fortificações, tendo já n'essa occasião visitado Roma, Nice e Spezia, recebeu ordem para assistir ás manobras. Não se gastou nada, porque o sr. Fernando de Serpa já estava no estrangeiro.

O que fez mais o sr. ministro da guerra?

Tinha o sr. Cypriano Jardim em París a estudar balões, ordenou-lhe que fosse assistir ás manobras, para não fazer despeza mandando outro official de Lisboa e assim attendeu á economia, que a illustre opposição tanto recommenda, e que eu approvo.

N'alguma cousa haviamos nós estar de accordo.

O que é preciso notar é que nem o sr. Fernando de Serpa nem o sr. Cypriano Jardim são progressistas; são pelo contrario regeneradores muito distinctos.

Eu trago isto só para provar que o sr. ministro da guerra não fez, não é capaz de fazer, desconsideração alguma ao exercito nem a nenhuma das armas.

E isto que é necessario levantar aqui e deixar bem accentuado.

O illustre deputado disse-o, mas não provou, que o sr. ministro da guerra tinha desconsiderado as armas de infanteria e cavallaria, e eu protesto com todas as minhas forças contra essa falsidade.

Acho bastante pernicioso lançar a desconfiança entre officiaes que necessitam estimar-se, porque necessitam do apoio mutuo no momento do perigo.

Pela minha parte não dei ainda motivo para que se podesse suspeitar que alimentava tão prejudicial doutrina.

Os que me conhecem sabem bem que tenho sempre vivido o melhor possivel com os meus camaradas de todas as firmas, porque é isto que os regulamentos determinam.

Não serei nunca o fomentador de taes doutrinas, que reputo perigosas.

Todos os officiaes, sem distincção de arma, têem uma