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SESSÃO NOCTURNA DE 12 DE JUNHO DE 1888 1967

a fazer com que as suas auctoridades mandem entrar os recrutas que faltam. Isto assim não póde ser. (Apoiados.)

Se esta questão não fosse tão séria, eu lembraria ao sr. ministro da guerra que adoptasse os processos seguidos pelo sr. Barros Gomes nas negociações diplomaticas, processos que foram aqui defendidos o anno passado pelo illustre membro d'esse lado da camara, que ha muito tempo não comparece n'esta casa, o sr. Antonio Ennes. Dizia s. exa.: quando se manda a um creado comprar um ananaz e se pede muito por elle, o creado offerece metade, e chega-se a um ajuste. (Riso.) Se isto não fosse ridiculo, pediria ao sr. ministro da guerra que fizesse o mesmo que fez o sr. Barros Gomes, em logar de um contingente de 12:000 recrutas, pedia 100:000, e a final, pelo ajuste de contas, havia de entrar o numero necessario para se preencher o contingente dos 12:000. (Apoiados.) Mas eu sei que não se póde fazer isso.

(Interrupção.)

Póde, desde o momento em que s. exa. traga ao parlamento uma lei para isso se conseguir.

Digo com franqueza. Devo mil obrigações ao sr. visconde de S. Januario, sou um dos officiaes do exercito que mais dedicação têem por s. exa. e tenho muitissima pena em ver, já no parlamento, já no publico, já no ministerio, este desprezo pela pasta de s. exa. porque eu vejo que os outros ministerios alcançam tudo quanto querem.

O nobre ministro da fazenda não tem objecções a fazer senão aos ministerios da marinha e da guerra; para os outros ha dinheiro; ha 18.000:000$000 réis para caminhos de ferro, ha dinheiro para tudo; para os ministerios da marinha e da guerra é que não ha.

O sr. visconde de S. Januario apresentou alguns projectos importantissimos, pois nem ao menos tiveram pareceres; e não tiveram pareceres, porque, como esses projectos importavam augmento de despeza, s. exa. não póde obter do seu collega da fazenda os meios necessarios para os fazer executar. Por isso morreram na commissão.

É por isso que eu me queixo do sr. visconde de S. Januario não fazer o que fazem os seus collegas, o sr. Beirão com penitenciarias, e o sr. ministro das obras publicas com caminhos de ferro.

Isso é que custa a ver.

Está-se gastando uma verba destinada ao exercito e ella não é proficuamente aproveitada por não ser bastante, em quanto que com um pequeno augmento se podia tirar todo o resultado que d'elle se deve tirar.

S. exa. o anno passado trouxe medidas ao parlamento e morreram; este anno não as quiz trazer. S. exa. desanimou diante da resistencia que encontrou da parte do sr. ministro da fazenda. S. exa. não tem força para reagir contra o sr. ministro da fazenda.

Cada vez estou mais convencido de que tarde teremos exercito, e que no dia em que elle for preciso ha de ser uma desgraça, porque nós não temos nada. Tenho dito.

Leu-se a seguinte:

Proposta

Artigo 1.º A força do exercito em pé de paz é fixada no anno economico de 1888-1889 em 50:000 praças de pret de todas as armas.
= Serpa Pinto.

Foi admittida.

O sr. Presidente: - A ordem do dia para quinta feira é, na primeira parte a continuação do projecto n.° 39 e mais o projecto n.° 43, e na segunda parte os projectos n.os 77, 60 e 61.

Está levantada a sessão.

Era meia noite.

Redactor = Rodrigues Cordeiro.