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S. Exa. não lembrou nenhuma medida relativa a esse pessoal no Arsenal, que conciliando direitos adquiridos produzisse diminuição de despeza, quando pelas reducções a que se sujeitara, ía deixar como até aqui o Arsenal sem uma quilha, e os armazens vasios. Isto é economisar de uma maneira singular!... Até agora havia a economia da suppressão de pedra necessario para navegarem os vapôres; não se tinha considerado essa despeza, e o Sr. Ministro, depois de maduras reflexões, entendeu que os vapôres não podiam navegar sem carvão, e que era necessaria despeza para o comprar (O Sr, Ministro da Marinha: - Peço a palavra)! Eu não culpo por isto a S. Exa., a culpa não é sua nem de ninguem, ou é de todos; a culpa é da situação em que nos achamos. Pediram-me 30 contos para a compra de carvão, e logo depois reduziram-se 10; isto é a terça parte dessa despeza! Oh! Sr. Presidente, como se fazem estes calculos?! Pois sabe-se que senão póde navegar por vapôr sem carvão, pedem-se para isto 30 contos, e reduz-se logo dessa quantia nada menos do que a terça parte, 10 contos de réis?!... Se o calculo estava feito para 30 contos de réis, é porque se entendeu que se não podia fazer com menos; por consequencia sabe V. Exa. aonde vai recair essa reducção de 10 contos de réis? É sobre a despeza das madeiras para construcções, e sobre o ferro, sobre o breu, sobre o brim, etc. e qual é o resultado disto? É a vergonha que a nossa navegação nos tem causado nos paizes estrangeiros. Eu sinto muito fallar neste assumpto, mas esta é a verdade. E qual é a razão disto? É porque se não tem podido organisar até hoje a nossa Fazenda, e cada dia perdemos mais as esperanças de o poder fazer, porque cada passo na carreira do Parlamento não é senão mais um Aditamento para o anno seguinte... E esse anno ha mais alguma cousa; por que segundo a Lei de Meios actual, no anno seguinte; é que se ha de acabar de votar este Orçamento: é a primeira vez que isto apparece no Parlamento! E quando eu ha poucos dias disse que ainda este anno a questão de Fazenda era adiada, admirou-se o Sr. Ministro da Fazenda: pois é verdade, não só senão discute ainda este anno, mas já temos a certeza de que para o anno é que de ha de acabar de votar este mesmo Orçamento; e para o anno ha de tornar a ser adiada, nem póde deixar de ser, porque não é nos ultimo anno de Sessão, quando não ha senão tres mezes para discutir, que se ha de votar a questão de Fazenda, a Lei Eleitoral, a Lei de Responsabilidade Ministerial, que me parece que devem acreditar ser indispensavel, etc.; não é possivel fazer todo esse trabalho na Sessão futura, não, Senhor; não nos illudamos.

Mas voltando á questão, o defeito não é deste nem daquelle Ministro da Marinha, é do estado em que nos temos achado sempre, e que cada vez vai a peior; e que cada vez nos é mais prejudicial. Este augmento de despeza não significa cousa nenhuma, como a reducção que repentinamente se fez, nada significa tambem; e não significa cousa alguma, porque nem aqui se sabem fazer as economias nem as despezas, isto nem significa economia, nem significa despeza; porque, quando o material é nenhum, e basta ir ao Arsenal da Marinha para vêr ha quanto tempo não; apparece alli uma quilha no estaleiro, é ha quanto tempo os armazens estão inteiramente vasios, é sobre a materia prima que se quer que essas economias vão recair! Conserva-se todo o pessoal, não se toma uma providencia qualquer para que, sem grande sacrificio desse pessoal, o Estado faça alguma economias; não, Senhor; conserva-se toda o pessoal, mas não se tracta dos meios sufficientes para que elle possa trabalhar com vantagem do Paiz; isso não é preciso, sobre isso é que se querem fazer economias! E diz-se - Este anno hão ha remedio senão continuarem as cousas assim; mas para o anno tudo ha de melhorar: - mas o Paiz é que não acredita já na realisação dessas promessas, está farto de promessas e de Adiamentos, quer vêr obras, não quer promessas, porque se lhe tem promettido muito, e o mal cada vez é maior, e as esperanças cada vez são menos. Este estado do Orçamento é o simptoma do que Governo não tem força para dizer - ou o meu systema, ou a minha retirada do Poder - porque a unica cousa que se não sabe em Portugal é ser Poder, cáe-se pessimamente, com raras excepções. E porque é isto? É porque os Srs. Ministros entendem que o Paiz precisa tanto das suas pessoas, que não podem abandonar aquellas Cadeiras sem que elle perigue; mas estão muito enganados, ha em Portugal muito quem substitua S. Exas.: e faço justiça ao Sr. Ministro da Marinha, não entendo: que S. Exa. se persuada que sem a sua presença naquellas Cadeiras não póde haver ordem publica; mas fallando em geral, digo, que o Ministerio não póde continuar no Poder, porque não tem força para levar ávante o seu systema. E S. Exa. já disse que não foi por sua vontade que cedeu aos desejos da Commissão, foi porque se viu obrigado a isso; portanto cedeu, e eu entendo que os Ministerios perdem muito com isto, porque dão provas de que não podem realisar aquillo que querem, e por este modo perdem toda a força moral, por muita que tivessem. Por consequencia está visto que o nosso mal não se póde curar com estes remedios, e cada vez vadios para peior sem esperança nenhuma, absolutamente nenhuma: é preciso fazer banca-rota de esperanças.

Eu voto contra este capitulo, porque, comparando a despeza feita com o pessoal com a que se pertende votar para o material, vejo que esta não é a necessaria para que seja proficua á existencia desse pessoal, e mesmo, porque não posso comprehender a facilidade com que se fazem estes calculos: até agora os vapôres navegavam sem carvão, até agora nada de carvão; depois 30 contos para carvão; logo depois uma reducção de 10 contos nessa verba!.. Fallo com franqueza, não sei como se podem fazer estes calculos, e como se podem augmentar e diminuir de repente estas verbas! Não hão de navegar os barcos a vapôr? Decidiu-se na Commissão, pôde chegar-se ao resultado de se conhecer que podia haver menor numero de viagens destes barcos? Então como se pôde reduzir de repente desta verba nada menos do que a terça parte? Sr. Presidente, eu não acredito na efficacia desta reducção, não posso votar pos esta ausencia completa de todo e qualquer systema; e sinto que S. Exa. nem o seu systema possa levar ávante, nem os seus principios possa sustentar; pois quando o proprio Ministerio declara, além dos seus actos o terem já demonstrado, que não póde levar ávante o seu systema, eu pela minha parte posso lamentar, mas não quero associar-me a uma situação tão desagradavel. Voto contra o capitulo em discussão.