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rinha não tem uma quilha no estaleiro; mas para a ter, e para fabricar as differentes peças que compõem o navio, é preciso ter os modêlos, é preciso depois ter as madeiras proprias no Arsenal, e que estejam bem seccas; isto demanda uma despeza regular todos os annos, e o Sr. Ministro nada disto tem; o que eu muito lamento, e desejo ver remediado; e depois é preciso que as madeiras dos nossos pinhaes fossem poupadas, o tractadas convenientemente.

O Sr. Presidente: - Peço ao Sr. Deputado que se limite ao capitulo, porque aquillo que está dizendo não tem relação alguma com este capitulo.

O Orador: - Não proponho reducção alguma neste capitulo, nem a proponho nos outros, pela mesma razão, porque hei de approvar os augmentos; mas lembro ao Sr. Ministro que o serviço da Cordoaria não está bem montado, o que dizem todos os Relatorios desde o do Sr. Albano até ao do actual Ministerio, e é preciso leva-lo a ponto tal que os productos delle estejam a par das despezas, e as indemnisem.

Em Portugal nomeam-se Commissões para examinar os Arsenaes, cujos Membros não tem toda a habilidade technica. Sr. Presidente, direi mais, que o Paiz lucraria em se enviar aos paizes, aonde os conhecimentos do ramo de administração de Marinha estão adiantados, homens de conhecida intelligencia, que estudem e preparem as reformas, aliás ha de acontecer sairem ellas coxas, e miseraveis.

Lembro ao Sr. Ministro a conveniencia de pedir um Credito Supplementar, se tanto julgar preciso, para o Governo se habilitar a fazer todas as reformas na administração de Marinha em relação com o que se faz em toda a parte. A Contabilidade do Ministerio da Marinha, a qual, graças ao Sr. Falcão é uma das que andam mais em dia, e melhor, tem um defeito provindo de senão avaliar, quando uma certa quantidade de material dá laborado successivamente nos seus diversos empregos; calculos que é difficil, mas não impossivel; e é comparativamente a esta avaliação que a Repartição de Marinha deve apresentar ao Tribunal de Contas as da despeza feita com o serviço material da Repartição.

Pergunto ao Sr. Ministro da Marinha quantos braços espera economisar com o emprego das machinas? E em vista das reflexões que tenho apresentado, concluo votando contra o capitulo.

O Sr. Presidente: - O que está em discussão é o cap. 5.°

O Sr. Oliveira Borges: - Sr. Presidente, apezar do que disse o illustre Deputado, o que está em discussão é o cap. 5.º Neste capitulo não ha reducções especiaes, está tal qual o apresentou o Sr. Ministro, só com a differença de uma reducção de 3:600$000 réis na verba da secção 2.ª art. 30.°, nas ferias dos operarios não apontados, reducção em que o Sr. Ministro concordou que se podia fazer sem prejuizo do serviço. Por consequencia parece-me que não offerece duvida nenhuma a approvação deste capitulo, nem ha considerações nenhumas a fazer a respeito delle.

O Sr: Fontes Pereira de Mello: - Eu agradeço á Camara não me ter deixado fallar no cap. 4.º, porque na altura em que vai o debate, e nas circumstancias que o revestem, é uma felicidade que a um Deputado da Opposição lhe seja cortada a palavra, e não digo isto com ironia, digo-o com a maior sinceridade. Hei de ser muito pouco extenso nesta discussão do cap. 5.º, porque na verdade elle não offerece espaço para um longo debate. Visto que a Camara quiz cortar a discussão do capitulo mais importante, não deixarei de fazer algumas reflexões sobre este cap. 5.°, porque tambem tracta de objectos que não são indifferentes á nossa Marinha de Guerra. Eu tenho a mais alta consideração pelo Cavalheiro que dirige o Estabelecimento da Cordoria, homem que todos nós conhecemos, e que todo o Paiz conhece pelos seus muitos conhecimentos e probidade, por tanto está muito longe de mim censurar o modo porque elle dirige aquella grande fabrica nacional; mas nem aquelle Cavalheiro tem nas suas mãos os meios necessarios para que aquelle Estabelecimento possa adquirir o gráo de perfeição que seria para desejar, nem o que alli se faz, sae por tão baixo preço como conviria que fosse. Eu vejo, e estimo, que nesta parte o Sr. Ministro da Marinha se lembrasse de consignar aqui uma somma para a compra de machinas; desejo com tudo fazer algumas considerações relativamente a esta verba, porque prende com os trabalhos de uma Commissão de Inquerito nomeada pelo Sr. Ministro daquella Repartição, para examinar se no Arsenal, Cordoaria, e Almoxarifado de Marinha se cumpriam, ou não as Leis e Regulamentos. Aquella Commissão de que era Presidente um Cavalheiro de quem ha muito sou amigo, apresentou os seus trabalhos, e entre outras cousas indicou a necessidade de destinar uma verba para a compra de machinas para a Cordoaria nacional; esta Proposta foi acceita pelo Governo; mas não posso deixar de notar que o Governo apresentasse no seu Orçamento uma somma, aliás importante, para a despeza do Ministerio da Marinha, em quanto que não abraçou nenhuma das economias lembradas por aquella Commissão; eu não censuro o Sr. Ministro por ter adoptado, e introduzido no Orçamento esta verba para a compra de machinas; mas o que me parece digno de reparo é que S. Exa. quizesse fazer a reforma depois do Orçamento, e não seguisse nisto as pisadas do seu Collega da Guerra, porque esse entendeu a cousa mais regular, fez a reforma da sua Repartição, bem ou mal, isso não vem agora para o caso, e depois apresentou o Orçamento....

O Sr. Passos Pimentel: - Peço a palavra para um Requerimento.

O Orador: - Eu vou concluir; vejo que as minhas observações não são dignas de consideração; o illustre Deputado entendeu que devia pedir a palavra para se fechar a discussão; está no seu direito; a Camara é possivel que não approvo o Requerimento do illustre Deputado, mas eu posso auctorisar-me com os precedentes para suppor que effectivamente se ha de dar por discutida a materia; por tanto perco o meu tempo em fallar, canço o pulmão, e encho-me de calor sem proveito nenhum. Desejo só que o Paiz conheça que eu desejava occupar-me desta questão, mas vendo que disto não póde resultar vantagem alguma, dou por concluido o que tinha a dizer.

O Sr. Presidente: - Todos os Srs. Deputados tem direito de fallar sobre as questões, mas uma vez que a Camara decida em sua sabedoria que a materia está discutida, ninguem póde censurar essa decisão.

O Sr. Passos Pimentel: - Peço a V. Exa. que consulte a Camara se a materia está discutida.

Decidiu-se affirmativamente, e pondo-se á votação o

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